Sepultado ipatinguense vítima de catástrofe em Brumadinho

Família de Ícaro Douglas foi comunicada pela Vale na noite de quarta-feira (13)

Álbum pessoal


Ícaro foi vítima do rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão

Atualização às 17h24
O corpo do ipatinguense Ícaro Douglas Alves, de 33 anos, foi sepultado no Cemitério Nossa Senhora da Paz, no fim da tarde dessa quinta-feira (14). O eletricista trabalhava na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, no momento do rompimento da barragem de rejeitos em 25 de janeiro, que deixou 203 mortos identificados até o momento e 105 desaparecidos.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) encontrou o corpo do ipatinguense após 48 dias de busca. Ele deixou mulher e dois filhos. O irmão de Ícaro, Washington Luciano Alves, informou ao Diário do Aço que a família foi comunicada pela Vale na noite de quarta-feira (13).

"Às 19h, nós fomos comunicados a respeito da identificação do corpo do Ícaro e partimos para Belo Horizonte. A Vale tomou todas as providências para o traslado e nós mexemos com a documentação necessária. Devido ao estado do corpo, o velório foi rápido e com caixão fechado", informa Washington.

Para Washington, velar e enterrar o irmão é um modo de respeito à família. "Fica um alívio no coração, tira a angústia do corpo não ter sido encontrado, de não saber notícias. Ao encontrar o corpo a gente fecha este ciclo de tristeza e de falta de respostas. A lembrança existirá sempre, mas fica a dignidade de poder enterrar o meu irmão", ressalta.

Ainda conforme Washington, a família recebeu acompanhamento da mineradora. "Desde o início a Vale tem nos acompanhado, disponibilizou psicólogos e fomos bem orientados em Brumadinho. Em relação às indenizações, é esperar. O Ministério Público do Trabalho já está à frente de uma ação coletiva", pontua Washington.

Tragédia

O rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão ocorreu no dia 25 de janeiro, no município de Brumadinho. A lama de rejeitos atingiu as áreas administrativas e o refeitório da mineradora, local onde estavam muitos funcionários, da empresa e prestadores de serviços, na hora de almoço. A lama ainda destruiu parte de comunidades do município, atingiu diversas propriedades rurais e até pousadas.

O rejeito provocou a morte de centenas de pessoas e a contaminação do rio Paraopeba, um dos principais afluentes do rio São Francisco, com danos que superaram ou catástrofe da mineração, da mina da Samarco, no município de Mariana, em em 5 de novembro de 2015.
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