Mulheres são orientadas a buscar proteção no programa Mediação de Conflitos

Durante ação pelo Dia Internacional da Mulher, equipe técnica da Secretaria de Estado de Segurança Pública abordou e orientou mulheres que transitavam pela Praça Sete, na capital

Divulgação


Campanha alerta que, apesar de a violência física ser a mais debatida e visível, as mulheres também passam por violências mais veladas, como a moral, a verbal e a patrimonial

Quem passou pela Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, na tarde de sexta-feira (8) recebeu colheres com os dizeres: “Em briga de marido e mulher, se mete sim a colher”. É que em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, técnicos e gestores do Programa Mediação de Conflitos (PMC), da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), estiveram presentes para esclarecer dúvidas e divulgar os serviços prestados pelo Estado no âmbito da prevenção e do enfrentamento à violência contra a mulher. O objetivo da ação foi fazer com que um maior número de pessoas, principalmente mulheres, passasse a conhecer e a buscar auxílio no programa.

Além da divulgação do serviço, mulheres que participam do projeto temático “Laços de Proteção”, do Centro de Prevenção à Criminalidade (CPC) Taquaril, compartilharam, em uma roda de conversa, suas experiências e a forma com que o programa impactou a vida delas. No encerramento das atividades, jovens participantes de oficinas do Fica Vivo! apresentaram uma performance artística, com o objetivo de fomentar uma reflexão sobre a violência doméstica. Simultaneamente, uma das oficineiras do programa fez uma tela em grafite, ao vivo.

Moradora do bairro Granja de Freitas, na região Leste de Belo Horizonte, Glaucia Jaci de Souza, de 50 anos, já foi atendida pelo Programa Mediação de Conflitos do CPCs Taquaril e, hoje, integra o grupo “Laços de Proteção”, formado por lideranças do bairro que, com o apoio do programa, lutam para combater todo tipo de violência contra a mulher na região. “As mulheres têm que acreditar no que as nossas políticas nos oferecem. Eu nunca sofri violência física, mas sofro violência verbal o tempo todo. Já fui assediada moralmente e sexualmente no trabalho. Nós, mulheres, temos que nos empoderar, usando todas as ferramentas legais a nosso favor”, defende Glaucia.

A diretora do Programa Mediação de Conflitos, Tatiane Maia, diz que o trabalho de divulgação do programa é muito importante para que mais mulheres tenham conhecimento de seus direitos, se unam, se fortaleçam e formem grupos de proteção. “As mulheres precisam, antes de tudo, se reconhecer em uma situação de violência para procurar qualquer tipo de apoio nas políticas públicas. Estamos aqui para mostrar que temos equipes preparadas para auxiliar e orientar nestas situações de violência e de conflito”, explica.

Formas de violência

Apesar de a violência física ser a mais debatida e visível, as mulheres também passam por violências mais veladas, como a moral, a verbal e a patrimonial. Dona Joana Machado, de 60 anos, sabe bem o que é passar por isso. Ela conta que agora, com o apoio do programa Mediação de Conflitos, do Centro de Prevenção à Criminalidade Morro Alto, de Vespasiano, conseguiu se divorciar do marido, após anos de violências verbais. “Ele não me agredia fisicamente, mas verbalmente. Isto sempre me machucou muito. Fui muito bem assistida pela equipe do programa”, compartilha.

O Programa

Presente em 33 Centros de Prevenção à Criminalidade de Minas, o Mediação de Conflitos trabalha a prevenção e o enfrentamento à violência em territórios de vulnerabilidade social por meio de atendimentos individualizados e atividades coletivas. O programa oferece acesso a informações sobre o ciclo da violência, os direitos das mulheres, as medidas protetivas e as formas de saída de relacionamentos abusivos, para que as mulheres possam se fortalecer para sair da violência. Além das intervenções preventivas e de enfrentamento, o Mediação também atua no esclarecimento, junto às mulheres, sobre direitos que coabitam o ciclo de agressões, como reinvindicações de paternidade, pensão alimentícia, entre outros.

Em 2018, o Mediação de Conflitos realizou cerca de 16 mil atendimentos, grande parte deles relacionados a casos de violência doméstica e intrafamiliar – de todo o público atendido, 70% são mulheres. Dentre os casos recebidos no ano passado que envolvem violência, 48% eram relativos às violências domésticas e intrafamiliares contra a mulher.

Apenas no primeiro mês de 2019, o Mediação de Conflitos fez 1.674 atendimentos nos 33 territórios de atuação. Foram, ao todo, 1.522 pessoas atendidas, 70% delas mulheres, e 345 encaminhamentos para a rede de proteção social. Ao interceder de forma preventiva e também no enfrentamento à violência, o programa esclarece direitos, media conflitos e intervém na busca pela proteção da mulher que relata risco à vida.

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