17 de fevereiro, de 2019 | 09:00
Profissionais da comunicação destacam a importância do repórter
O repórter é, dentro dos veículos de comunicação, o responsável pelo recolhimento de informações em campo e pela primeira transformação desses dados em uma notícia que será levada ao público
Celebrado no dia 16 de fevereiro, o Dia do Repórter destaca a importância da profissão para a produção de notícias. No momento em que muitas pessoas pensaram que a função acabaria, por causa do desenvolvimento e acesso à tecnologia, o comunicador social acabou protagonista de outra história em meio ao cipoal de informações disseminadas sem apuração por meio das mídias sociais.De acordo com estudos etimológicos, a palavra repórter tem origem no substantivo inglês reporter”, que originalmente significa aquele que narra”. Nos veículos de comunicação, o repórter é o responsável pelo recolhimento de informações em campo e pela primeira transformação desses dados em uma notícia que será levada ao público.
Na visão do professor e mestre em Comunicação William Trevizani, a qualidade da notícia que será consumida depende, em primeira mão, do profissional. O repórter busca as informações onde está a notícia, no ambiente onde ela acontece, que pode ser num casebre na favela ou no Palácio da Alvorada. A informação bem colhida é o fator primordial para uma boa notícia. O repórter é o braço mais forte do elo da informação”, avalia o professor.
A profissão conta com novos e velhos desafios. Apurar a informação de forma criteriosa é um dos principais pontos no processo da reportagem. Contudo, na era das redes sociais e notícias falsas, este trabalho tem um peso ainda maior, no qual a figura do repórter tornou-se um símbolo de confiança do público. Repórteres que atuam no Vale do Aço contaram ao Diário do Aço as suas rotinas de trabalho, as dificuldades e superações.
Álbum pessoal
Mayra Almeida atua na reportagem da rádio Educadora e afirma que chegar à fonte certa é o diferencial de um repórter
Mayra Almeida atua na reportagem da rádio Educadora e afirma que chegar à fonte certa é o diferencial de um repórter Para a repórter Mayra Almeida, da Rádio Educadora, um dos aspectos fundamentais na apuração é conversar com a pessoa certa e, nesse aspecto, acrescenta que atuar no interior possui certas limitações. Você jamais pode divulgar uma notícia sem ser apurada de forma confiável. A primeira coisa é chegar até a fonte correta para checar as informações. O profissional que consegue isso também mostra um diferencial. Aqui no interior sinto falta de alternativas de fontes. Me sinto um pouco limitada porque tem muitas pautas interessantes, que precisam ser divulgada com foco na abrangência local e nem sempre há pessoas daqui que querem ou podem fazer essa abordagem local”, destaca a profissional.
Já o repórter Tiago Borges, da Inter TV dos Vales, filiada da Rede Globo, destaca que o volume de informações é um fator que merece cuidado no momento da apuração. Acho que um dos desafios atuais é justamente checar esta quantidade de informações. Muita coisa vem por e-mail, Facebook, telefone, pessoas que nos param na rua. Além disso, tem o telefone sem fio, o boca a boca, que é algo antigo, mas existe ainda hoje, onde uma pessoa ouve e conta a história. Na vontade de sair na frente e trazer uma informação impactante, devemos ter muito cuidado. Ao sair na frente com uma notícia errada, ao invés de dar credibilidade ao veículo de comunicação, você vai é se queimar. Por isso é importante essa checagem e apresentar o contraditório”, destaca Tiago.
Arquivo DA
Para Tiago Borges o filtro entre o que é informação real e o que não é um dos desafios diários de um repórter
Para Tiago Borges o filtro entre o que é informação real e o que não é um dos desafios diários de um repórter Tiago Borges destaca ainda que a proximidade com as fontes nas cidades de interior pode trazer alguns problemas para o profissional, em vez de solução. Confiar demais nas fontes e não checar e buscar os detalhes antes da publicação pode se tornar um problema. Outro desafio é conseguir um número maior de fontes”, pontua o repórter da InterTV.
Fake News
Nos últimos anos, o termo em inglês Fake News” ficou popularizado devido ao uso de informações falsas para diferentes fins nas mídias sociais e internet. O professor Trevizani destaca que não há como os profissionais da comunicação controlarem o consumo deste tipo de notícias, mas eles devem permanecer sendo boas referências para o público.Nós não podemos controlar o tipo de informação que a pessoa quer receber. O papel da faculdade de jornalismo continua sendo o mesmo, de formar bons profissionais. O jornalista tem a responsabilidade de ter credibilidade. Nos grupos de WhatsApp encontramos muitos boatos, que são desmistificados com uma simples pesquisa. Então, é a preguiça de buscar a informação correta. Mas o profissional deve sempre buscar fazer o melhor jornalismo possível”, avalia o mestre.
Riscos
De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), o Brasil é um dos países mais perigosos do mundo para se exercer a profissão jornalista, ao lado da Venezuela, México, Colômbia, Afeganistão e Síria. Em situações mais delicadas, o repórter deve ter um bom jogo de cintura, como explica Tiago. Já me jogaram mamão e pedra, já colocaram a mão na minha cara. Porém, eu tento sempre manter a calma. Conversando com as pessoas com calma, perguntei o porquê daquela ação e expliquei que o nervosismo poderia ser pior para expor a história. Mas na maioria das vezes que tive a oportunidade de olhar nos olhos e conversar, eu consegui contornar a situação, inclusive conversando com a pessoa que estava brigando comigo”, conta Tiago.
Para Trevizani, o repórter deve estar atento quanto ao nível de exposição, mas não deve ser omisso. Isso é algo complicado. O jornalista não pode ficar omisso, mas para fazer acusações contra pessoas poderosas é preciso de provas robustas e bem fundamentadas, que funcionam como uma salvaguarda do veículo de comunicação. No interior este tipo de proteção é um pouco menor. Mas a produção jornalística tem que acontecer para a população ter conhecimento, e em alguns casos, ela mesma tomar a defesa do repórter. Temos que continuar fazendo o nosso papel com critério e ética, e tomar os cuidados necessários”, conclui William Trevizani.
Fernando Lopes
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