Gaeco cumpre mandados de busca e apreensão na Câmara de Ipatinga
Gabinetes de quatro vereadores foram alvo do MP e das polícias, Civil e Militar
15/02/2019 às 14:53
Tiago Araújo
A Câmara Municipal ficou com as portas fechadas durante a operação
Com atualização às 17h36 Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais, com participação das polícias Civil e Militar, cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão na Câmara de Ipatinga, na tarde dessa sexta-feira (15). A câmara chegou a ficar com as portas fechadas, por algumas horas, no começo da tarde.
Representantes do MP e policiais vasculharam gabinetes de quatro vereadores, em busca de documentos que comprovem atos ilícitos. Os parlamentares são investigados por mau uso do dinheiro público, envolvendo gastos de gabinete, principalmente, com servidores.
No momento da operação houve aglomeração de várias pessoas em frente à Câmara, que gritavam por justiça e pediam pelo fim da corrupção na política.
Gaeco
Em nota, o Gaeco informou que essa foi a sequência da Operação Dolos, que teve como objetivo cumprir três mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão na cidade de Ipatinga. Apenas um dos envolvidos foi preso.
Conforme a nota, a investigação teve como finalidade de apurar as possibilidades de associação criminosa, organização criminosa e crimes contra administração pública.
“As investigações dão conta que alguns vereadores em Ipatinga contratavam pessoas com a finalidade de recolherem parte dos salários. As fraudes consistiam principalmente em três metodologias, a primeira, no recebimento e entrega de valores em espécie ao representante do legislativo, segunda na retenção do cartão bancário com o repasse de ínfimo valor ao funcionário (que na verdade também não prestava serviço à Câmera Municipal de Ipatinga/funcionário fantasma), com a subsequente manipulação na folha de ponto, enquanto que a terceira, o vereador determinava a realização de empréstimos bancários por parte de servidores com o saque e transferência para contas de interpostas pessoas (laranjas) visando maquiar o real destino dos valores”.
Operação
A reportagem do Diário do Aço acompanhou os trabalhos na porta do Legislativo e o promotor de Justiça, Fábio Finotti, foi o único a falar com a imprensa. Ele informou que ações foram ajuizadas no sentido de apurar diferentes fatos em diferentes gabinetes de vereadores. “Esses mandados estão sendo cumpridos, inclusive em residências de alguns vereadores também, e mais informações serão repassadas à imprensa em uma data e horário, que serão marcados na semana que vem, provavelmente na segunda-feira”, enfatizou o promotor.
Finotti acrescentou que preferia não informar quais vereadores são alvo da operação do Gaeco, embora as investigações não sejam sigilosas e as ações sejam públicas. “São feitas buscas em quatro gabinetes. A investigação foi desenvolvida pelo Gaeco, pela Promotoria Criminal e Promotoria de Defesa do Patrimônio Público aqui de Ipatinga. A princípio estão sendo recolhidos documentos em papel e informações dos computadores e celulares, inclusive, de alguns servidores que trabalham nos gabinetes”, resumiu.
Vereadores investigados
A Câmara de Vereadores informou, por meio de nota, que “as diligências foram realizadas nos gabinetes dos vereadores Luiz Márcio Rocha Martins, Paulo César dos Reis, Rogério Antônio Bento e Wanderson Silva Gandra. Durante a operação, o vereador Luiz Márcio foi conduzido pelas autoridades policiais”.
Segundo a Câmara, o prédio da instituição foi temporariamente fechado ao público para facilitar os trabalhos das autoridades, porém, horas depois as portas foram abertas à população. “A Câmara Municipal reforça o comprometimento do Poder Legislativo Municipal com a busca da verdade. Desde início das investigações, tem colaborado com as autoridades no sentido de garantir total transparência e isenção da instituição perante os fatos”.