Azul suspende operações por más condições na pista de pouso do Aeroporto do Vale do Aço

A empresa ainda destacou que os clientes que já adquiriram passagens partindo ou saindo de Ipatinga serão realocados

14/02/2019 às 14:28
Wôlmer Ezequiel/Arquivo DA
De acordo com a companhia, foram identificados problemas na estrutura da pista de pouso do aeroporto

Com atualização às 17h24
A Azul Linhas Aéreas confirmou nesta quinta-feira (14) que suas operações estão suspensas no Aeroporto Regional do Vale do Aço por tempo indeterminado. O terminal está sob responsabilidade do Estado de Minas Gerais, desde 2016, quando a Usiminas desistiu da concessão. De acordo com a companhia, foram identificados problemas na estrutura da pista de pousos e decolagens do terminal. “A companhia (Azul), que constantemente analisa as condições de infraestrutura dos aeroportos onde opera, identificou que a pista do aeroporto em Santana do Paraíso, utilizada para pousos e decolagens, não atende aos padrões operacionais da empresa e, por este motivo, decidiu realizar a suspensão”, informou a assessoria da Azul.

A nota destaca que os clientes que já adquiriram passagens partindo ou saindo de Ipatinga serão realocados. “Todos os clientes com voos marcados de e para Ipatinga serão reacomodados por meio de outros aeroportos ou poderão ter o valor dos seus bilhetes ressarcidos”.

A companhia reforçou que não pretende desativar as operações no Aeroporto Regional do Vale do Aço e que espera a solução dos problemas o mais breve possível. “A empresa reforça que não tem o interesse em cancelar definitivamente seus voos na região, pelo contrário, espera que as adequações necessárias sejam feitas para que possa, o quanto antes, voltar a realizar seus voos. A Azul tem o compromisso de atender a seus clientes com excelência, por meio de um serviço de qualidade, eficiência, presteza e, principalmente, segurança – que é seu primeiro valor”, conclui a nota.

Procurada pelo Diário do Aço, a Socicam - administradora do aeroporto desde 2012 (ainda na época da Usiminas), esclareceu que “opera o Aeroporto de Ipatinga (Aeroporto Regional do Vale do Aço) por meio de contrato de prestação de serviço no qual não contempla a manutenção da pista de voo. Esse procedimento cabe à Secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas de Minas Gerais (Seto)”, conclui a nota.

Alternativa

A Azul é a única a operar voos comerciais diários na região com aviões ATR-72, com destino ao aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No site da empresa, já não era possível mais adquirir passagens na tarde desta quinta-feira(14), para a capital mineira. A alternativa agora, são os voos da Voe Minas, que opera com aviões Cessna Grand Caravan 208 B, com capacidade para até nove passageiros e que pousa no aeroporto da Pampulha.

Mobilização

O presidente da Fiemg Regional Vale do Aço e coordenador da Agenda de Convergência, Flaviano Gaggiato, destacou em entrevista ao Diário do Aço a necessidade do aeroporto para a região. Conforme o executivo, a repercussão da paralisação das atividades da companhia aérea é “extremamente catastrófica”.

Flaviano lembra que as empresas âncoras da região, além de parte da população, utilizam o aeroporto como uma alternativa em relação à BR-381 que está em obras. “Isso será um impacto negativo muito grande, pois a possibilidade agora é ir para Governador Valadares para embarcar rumo à capital mineira. Ou seja, acrescenta 1h30 de ida ou de volta, é um transtorno muito grande”, avalia.

O executivo destacou que autoridades regionais trabalham para que o problema seja solucionado. “Já na quarta-feira (13) houve um envolvimento pessoal meu, além do presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, que se encontrou com o governador do estado e discutiu a respeito desta situação. Estamos movimentando com a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) e o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER-MG) para que pelo menos tenha uma solução paliativa para o funcionamento do aeroporto, até que o governo pense em uma solução definitiva”.

Flaviano acrescenta que o governo estuda a possibilidade de reparos emergenciais. “Deve ser feita uma nova inspeção na pista para ver alguma alternativa de reparo emergencial para que o aeroporto possa funcionar de seis a oito meses e, nesse tempo, realizada a licitação para uma recuperação definitiva. Este reparo deve ser feito pelo DEER-MG”.

Repercussão:
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Melhorias são esperadas desde 2017

No dia 4 de abril de 2017, o processo licitatório que previa a formalização de uma Parceria Público Privada (PPP), para melhorias e ampliações das áreas administrativas, operacionais e do saguão do Aeroporto Regional do Vale do Aço, foi suspenso pela Setop e ratificado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) devido a diversas irregularidades identificadas no edital.

Desde então, o processo licitatório para a realização desta expansão está parado. Em fevereiro de 2018, a Socicam venceu um edital de licitação para a administração e operação do aeroporto. A empresa já administrava o terminal aéreo por meio de contrato de emergência e venceu a concessão válida por cinco anos.

Já publicado:

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