Paralisação da mineradora Vale terá impacto de R$ 23,3 bilhões no PIB mineiro

Estimativa da Fiemg é que paralisação das atividades da mineradora, após a catástrofe em Brumadinho, terá impacto em milhares de empregos e na recuperação fiscal na administração do estado

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Economistas avaliam impactos sociais e econômicos da paralisação da mineradora Vale, em Minas Gerais

Os impactos da catástrofe da mineração em Brumadinho vão além das 165 mortes confirmadas e 160 desaparecidos em meio à lama. Além da tristeza pelas vidas humanas perdidas, há também perdas econômicas, com impactos para toda a população.

Um estudo realizado pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), mostra que a redução da produção da Vale no Estado pode retirar R$ 23,3 bilhões da economia de Minas só em receita industrial. Isso equivale a 4,2% do PIB do Estado em 2018 (R$ 560 bilhões, segundo cálculos da Fiemg). A informação foi divulgada no fim de semana pelo jornal O Tempo.

Conforme a reportagem, os R$ 23,3 bilhões são maiores que a riqueza anual gerada por 849 municípios mineiros. Segundo a Fiemg, para cada R$ 100 que a mineradora deixar de ganhar, outras indústrias, de setores como transporte, máquinas e equipamentos, deixam de faturar R$ 25.

O cálculo da Fiemg considerou o valor médio da tonelada de minério, o câmbio, a receita anual da Vale com os 40 milhões de toneladas de minério de ferro que deixarão de ser extraídas das minas no Estado em 2019 em função do descomissionamento (retirada de rejeitos e reintegração à natureza) de dez barragens inativas. Tem ainda 30 milhões de toneladas produzidas na mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, na região Central de Minas – paralisada por decisão judicial, da qual a Vale recorreu – além do impacto em outras indústrias.

“Cerca de 95% da nossa receita é oriunda de impostos da mineração, não apenas Cfem, mas ISS, ICMS e outros. Isso vai acarretar prejuízos e afetar o orçamento, comprometendo investimentos em saúde, educação e desenvolvimento”, diz o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT).

Nos bastidores do governo de Minas, o receio é que a produção da mineradora no Estado não volte aos patamares atuais e que a empresa priorize a sua produção de minério de ferro nas minas do Estado do Pará. Os 40 milhões de toneladas de minério de ferro que deixarão de ser extraídos representam 10,9% da produção da Vale em 2017, e a mineradora admite que poderão ser produzidos em outras unidades (como Carajás, no Pará).

O cenário é de alerta no governo Romeu Zema, que já admite impactos na situação fiscal do Estado. “Impacta inclusive no atendimento de demandas sociais”, avalia o pesquisador da Fundação João Pinheiro, Glauber Silveira. Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), o governo vai perder cerca de 30% na arrecadação de tributos do setor de mineração, ou R$ 220 milhões.

Em nota, a Sefaz salientou que essa perda, somada à queda de R$ 79 milhões na distribuição da Cfem aos municípios, “não leva em consideração os efeitos indiretos na cadeia produtiva e econômica do setor”. “O cenário vai atrasar a recuperação fiscal do Estado”, conclui a gerente de economia da Fiemg, Daniela Britto.Ranking mineiro

“O impacto será parcialmente compensado por meio do aumento de produção em outros sistemas produtivos da companhia”, informou a Vale, em nota.

Entre outros dados citados, a redução da produção da mineradora em Minas Gerais coloca sob risco 70 mil empregos, diretos e indiretos. Na paralisação de 10 barragens, anunciada pela empresa, com a consequente redução de extração de minério em suas minas, 5 mil empregos estariam eliminados, mas a Vale garante que vai realocar esse efetivo de mão de obra para outras atividades.

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