Deu ruim

Fernando Rocha

Divulgação

A semana ficou marcada pelas estreias negativas de dois gigantes do futebol brasileiro, Atlético e São Paulo, fora de casa, na pré-Libertadores. O Galo só empatou com o modesto Danúbio, do Uruguai, enquanto o tricolor paulista fez ainda pior, ao sucumbir pelo placar de 2 x 0 para outro pequeno, o Talleres, da Argentina, com um futebol de dar calo nas vistas.

Se o Galo, na próxima terça-feira, com o apoio da sua inflamada torcida, no Independência, vai poder jogar por empates sem gols ou por 1 a 1 para seguir adiante na Libertadores, o tricolor paulista terá de vencer por 3 a 0 ou repetir o placar de Buenos Aires, 2 a 0, mas a seu favor, e levar a decisão para os pênaltis.

Dura realidade
A verdade pura e simples é que começamos muito mal a disputa da maior competição do continente, enquanto, para piorar ainda mais, vimos uma safra muito ruim dos garotos da seleção Sub-20, perdendo até mesmo para a Venezuela e praticamente dando adeus à disputa do Mundial da categoria pela segunda vez consecutiva.

Aliás, desde 2002 não ganhamos nada, uma Copa sequer, acumulando fracassos e vexames um atrás do outro, vide o 7 x 1 para os alemães dentro da nossa casa em 2014.

São muitos os questionamentos e explicações para essa ‘seca’ de títulos e craques do nosso futebol, que a rigor só produziu nos últimos anos um, Neymar, cujo desempenho tem sido mais notado pelo que faz fora de campo do que dentro dele, onde apanha muito e produz pouco.

Mas existem muitas perguntas sem respostas: O que foi feito da nossa fábrica de craques? Que futebol horrível é este que estamos assistindo pelos diversos campeonatos disputados país afora?

FIM DE PAPO
O vice-presidente de futebol do Cruzeiro, Itair Machado, ‘causou’ nas redes sociais ao abordar a situação financeira do clube, numa entrevista ao canal pago Fox Sports. Ao seu estilo, sem meias palavras, Itair disse que o Cruzeiro não vai fazer ‘loucuras’, o que significa não fazer novas contratações, pois para ele “o atual elenco é bom e vai brigar por títulos”. E disse mais: “Todo dinheiro que entrar vai ser usado para pagar dívidas”.

Na mesma toada, o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, ao falar no Uruguai com exclusividade ao repórter Roberto Abras, da “Super FM”, jogou um balde de água fria na animação da torcida que gostaria de ver Diego Tardelli de volta vestindo a camisa alvinegra. Segundo o dirigente atleticano, a prioridade é pagar dívidas, entre elas uma que se refere à contratação do próprio Tardelli, em 2012, na segunda passagem dele pelo clube.

Aqui nos nossos grotões a gente costuma ouvir que “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”. Esta dura realidade foi vivida na última semana pela diretoria do Ipatinga, surpreendida com uma cobrança repentina feita pela Federação Mineira de Futebol, que exigiu o pagamento imediato da dívida total do clube relativa às taxas diversas, inclusive de arbitragens, que há anos se achava pendurada no prego amigo da entidade.

E ou pagava ou não poderia disputar o Modulo II, ou ‘Segundona’, cuja estreia estava marcada para ontem à tarde, no Ipatingão, contra o Nacional de Muriaé.

O valor total da dívida do Tigre com a “madrasta” não foi divulgado oficialmente, mas segundo a coluna apurou através de fontes ligadas à diretoria do Tigre, seria algo em torno de R$ 700 mil, quase o orçamento total do clube para a disputa deste Módulo II, no momento em que sua diretoria luta com grandes dificuldades, para conseguir reerguer a instituição no cenário do futebol estadual e nacional.

As negociações teriam transcorrido em clima bastante tenso e sem acordo com a FMF, e não restou alternativa à diretoria do Tigre senão pagar cerca de R$650 mil à vista aos cofres da entidade, possibilitando assim sua estreia no chamado Módulo II, que na prática é a 2ª Divisão, que dá acesso à elite do futebol estadual. O que causou estranheza e até indignação, em alguns membros da diretoria quadricolor ouvidos pela coluna, foi o fato da cobrança ter sido direcionada somente ao Ipatinga, enquanto outros clubes na mesma situação não foram tratados com o mesmo rigor pela entidade.

Nenhum dirigente do Tigre quis comentar o assunto, mas há um entendimento óbvio nos bastidores de que o objetivo da diretoria da Federação Mineira com esta cobrança repentina ao Tigre foi atirar na porca para acertar o leitão. A FMF, por tabela, quis foi atingir o homem forte do futebol no Cruzeiro, o ex-presidente do Ipatinga, Itair Machado, que recentemente rompeu relações com a entidade e vem atacando os membros da sua diretoria em órgãos de imprensa em nível estadual e nacional. Na briga do mar com o rochedo, quem leva a pior é sempre o marisco. (Fecha o pano!)

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