Vida incerta para atletas profissionais

No Dia do Atleta, esportistas explicam que trajetória profissional exige treinamentos intensos, suor e apoio financeiro

Praticar atividades físicas diariamente com dores musculares, dedicar boa parte do tempo aos treinos e abdicar de certos compromissos são alguns dos desafios enfrentados pelos atletas profissionais. No entanto, mesmo com todo esse esforço e sacrifício, eles não têm nenhuma garantia de que terão sucesso em sua carreira, o que demonstra que a vida de um atleta profissional não é fácil.

Neste domingo (10) é comemorado o Dia do Atleta Profissional, uma data que serve para homenagear as pessoas que se dedicam ao esporte e lutam para alcançar seus sonhos. Em entrevista ao Diário do Aço, o treinador e coordenador de voleibol da Usipa, David Alves, explicou que a preparação para se tornar um atleta profissional exige uma série de treinamentos e estudos. “Eu acredito que, para um atleta chegar em um alto nível de rendimento, ele precisa treinar no mínimo seis vezes na semana, de manhã e à tarde, conforme o planejamento de cada professor”, informou.
Fotos: Wôlmer Ezequiel


David Alves relatou que a vida de um atleta profissional é árdua, já que que lida com lesões e sobrecarga de treinos diariamente

Apoio financeiro
Para o treinador, a vida de um atleta profissional é árdua, que lida com lesões e sobrecarga de treinos. Outro problema é a falta de apoio financeiro. “Hoje vivemos em um cenário em que, infelizmente, temos muitos cortes no esporte. Com isso, para almejar chegar a uma equipe de competição, os pais precisam oferecer um apoio enorme aos filhos atletas”, salientou.

David Alves também relatou que conhece vários casos de atletas que tinham potencial e habilidade, mas devido às dificuldades financeiras, não conseguiram se manter no esporte. “O atleta precisa de um patrocinador para os tênis, alimentação, hospedagem, viagens e outros custos. Então, ele não depende só de ter habilidade ou potencial, precisa também ter o apoio financeiro”, afirmou.

“Meu sonho é ser atleta olímpica”
A judoca faixa roxa, Lurdes Maria Gonçalves, de 16 anos, que treina no clube Usipa, em Ipatinga, contou ao Diário do Aço que desde os seis anos pratica judô e sonha em se tornar uma atleta profissional. “Sempre gostei de treinar judô. Gosto muito de vir para o treino, onde posso aprimorar os golpes e técnicas de luta. Comecei no judô por causa do incentivo dos meus pais. E quando passei a treinar, também recebi muito apoio do meu treinador. Então, pretendo me profissionalizar e meu sonho é ser uma atleta olímpica”, destacou.

Lurdes Maria Gonçalves treina judô desde os seis anos

Lurdes Maria revelou que, para alcançar seus objetivos, entre eles, ganhar o campeonato mundial de judô, ela está determinada a encarar os desafios de um atleta profissional. “Estou disposta a morar longe da família para fazer mais treinos e participar de mais campeonatos. Eu sei que a vida de um atleta profissional é bem difícil. Correr em busca de treinos e apoio financeiro não é nada fácil, mas estou disposta a passar por isso, porque é meu sonho. Eu também tenho muito apoio dos meus pais para alcançar esse objetivo”, disse.

Coragem
Para a atleta de voleibol Larisse Anício dos Santos, de 14 anos, que também treina na Usipa, o sonho é se tornar uma atleta profissional no futuro e ela diz ter muita coragem para buscar isso. “Há dois anos que eu treino voleibol. Sempre gostei de fazer isso, desde que algumas pessoas do clube foram à minha escola e me chamaram para participar dos treinos. Até então eu nunca tinha conhecido o esporte, mas eu vim treinar mesmo assim. Estou aqui até hoje e pretendo me tornar uma atleta profissional”, enfatizou.

Apesar das dificuldades de uma carreira profissional, Larisse avalia que a vida de um atleta é muito boa. “Penso isso porque a pessoa faz uma coisa que ela gosta muito. Acredito que será difícil sair da cidade, porque aqui tenho amigos e família, só que tenho que correr esse risco e tentar esse sonho. E na minha família, todo mundo gosta dessa ideia, porque não tem muito atleta”, citou.

Larisse Anício dos Santos ressaltou que recebe apoio da família para se tornar atleta profissional

Larisse também informou que participou de seletivas em Belo Horizonte, onde foi aprovada em alguns testes e, com isso, talvez deve se mudar para a capital mineira ainda esse ano. “Eu passei no Mackenzie Esporte Club, que considero um bom time para continuar minha carreira. Até lá, preciso me esforçar bastante para conciliar os estudos com o treino, mas preciso estar sempre pensando no que for melhor”, opinou.

Atleta profissional
O timoteense Marcos Carolla, de 22 anos, é um dos atletas profissionais da região que depende do esporte para se sustentar. Carolla lembra que sua carreira teve início há quase cinco anos, quando passou a treinar atletismo. “Comecei por meio da tia de um amigo, que me chamou para acompanhar seu filho em um circuito de corrida de rua, realizado aqui na região. Depois disso, conheci o professor Fábio Lima e ingressei na equipe de assessoria de corrida dele. Com isso, ele me ajudou nos treinamentos e me deu suporte para continuar no atletismo. Depois de um tempo, mudei de equipe novamente. Ao longo de três anos, trabalhei duro e comecei a ter alguns resultados”, contou.

Quando era atleta federado pela Usipa, Marcos Carolla foi campeão estadual nos 10 mil metros rasos e ainda conquistou o terceiro lugar nos 5 mil metros rasos. “Depois disso eu me transferi para uma equipe de Belo Horizonte. Obtive bons resultados na rua que me deram oportunidade de estar na elite nacional e correr algumas provas internacionais, como São Silvestre, Pampulha e Dez Milhas Garoto”, informou.

Dificuldades
Marcos Carolla explica que há um ano e meio é atleta profissional e depende da carreira para sobreviver. “Não é uma vida fácil. É tudo muito incerto. No mesmo tempo que você pode estar bem, pode ter uma lesão e te tirar de alguma competição. Fora a dificuldade de conseguir patrocinador. Hoje eu tenho um gasto médio de R$ 1 mil por mês, para conseguir me manter correndo em alto nível. Além disso, já perdi patrocínio porque me lesionei e não pude competir. Então, quem pensa em seguir essa carreira precisa ter muita dedicação, perseverança e acreditar que pode dar certo, além de se colocar nas mãos de Deus”, afirmou.

Marcos Carolla afirmou que luta para sobreviver como atleta profissional de atletismo

Outra dificuldade citada por Marcos é a desvalorização por parte da sociedade, coisa com a qual os atletas sofrem no cotidiano. “Algumas pessoas mexem com a gente na rua e xingam também quando estamos correndo. Muitos não consideram o atletismo como um trabalho ou profissão. E com isso, não nos respeitam”, ressaltou.

Treinos intensos
Na avaliação do Marcos Carolla, os treinos são puxados e o atleta de alto rendimento vive sempre no limite do seu corpo, sentindo dores todos os dias. “Não há como evitar isso. Tem dia que a gente acorda com dor, mas mesmo assim tem que treinar, porque temos adversários que estão treinando direto. Com isso, a gente tem que se dedicar mesmo e ter força de vontade. Atualmente, disputo provas de pista de 5 e 10 mil metros rasos. Nas provas de rua eu me especializei nos 5 km. Meus melhores tempos nessas modalidades foram 15,51 min (5 mil metros rasos), 15,35 min (5 km) e 33,50 min (10 mil metros rasos)”, concluiu Marcos.


Vida incerta para atletas profissionais


Repórter: Tiago Araújo

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