29 de janeiro, de 2019 | 14:45
Operário desaparecido falou à mãe de vazamento de barragem há 20 dias
Jovem operário que trabalhava em empresa terceirizada havia relatado que barragem vazava água; na hora do deslizamento ele tinha descido ao refeitório para o almoço
Uma mulher que busca o filho desaparecido na tragédia de Brumadinho (MG) disse que o rapaz, funcionário de uma empresa terceirizada da Vale, já havia alertado há 20 dias que a barragem que rompeu, na sexta-feira (25), estava vazando.
Tem 20 dias que ele falou comigo, ele trabalhava em firma terceirizada: Mãe, a barragem tá minando água. Eu falei que era normal, porque eu não entendo”, disse a mulher, que não teve o nome revelado, em entrevista à TV Record na segunda-feira (28).
A mãe foi abordada pela reportagem da emissora enquanto buscava informações pelo jovem, que foi visto pela última vez na sexta, durante a hora de almoço.
Meu filho tinha descido para almoçar. A última vez que o pessoal teve contato, ele estava dentro de uma caminhonete, tampado de lama com mais duas pessoas”, disse à TV.
Buscas
Nesta terça, as autoridades iniciam o quinto dia de buscas na região. A Defesa Civil de Minas Gerais informou, na noite desta segunda, que o número de mortos do rompimento da barragem subiu para 65 pessoas e o de desaparecidos passou a ser de 279. Até o momento foram 192 pessoas resgatadas e 386 localizadas.
O mais recente balanço aponta que 288 pessoas estão desaparecidas, das quais, 114 funcionários da Vale e 174 terceirizados. O número oficial de óbitos é de 65, número que pode subir com a identificação dos corpos localizados nessa terça-feira.
As operações de buscas entraram hoje no quinto dia. Ao todo, 290 militares estão empenhados nas ações. Destes, 120 são de Belo Horizonte. Os demais bombeiros são de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás, e Alagoas.
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Identificação de corpos
No Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte uma força-tarefa atua para identificaar os corpos. Ao todo, 31 pessoas já foram identificadas. Um reforço de peritos de Brasília, especialistas em identificação, chegaram à capital mineira para auxiliar os 88 profissionais que já trabalham no local.
Prisões de engenheiros
Mandados judiciais foram cumpridos em uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF) os Ministérios Públicos de Minas Gerais e São Paulo, e as Polícias Civis dos dois estados, na manhã desta terça-feira.
Segundo as investigações, os funcionários atestaram o laudo da barragem que se rompeu. Eles deram parecer dizendo que a estrutura não apresentava risco de rompimento. Além disso, foram presos funcionários da Vale.
Os presos em Minas Gerais: César Augusto Paulino Grandshamp, Ricardo Oliveira, e Rodrigo Arthur Gomes de Melo, funcionários da Vale.
Em São Paulo: André Jumyassuda e Makoto Mamba. Documentos, computadores e celulares foram apreendidos nos imóveis alvo das buscas.
De acordo com o Ministério Público, André, Cesar e Makoto, informaram em documentos recentes que as estruturas das barragens se encontravam em consonância com as normas de segurança.
Por sua vez, Ricardo e Rodrigo, respectivamente, gerente de meio ambiente, saúde e segurança e gerente-executivo operacional responsável pelo complexo minerário, eram diretamente responsáveis pelo regular licenciamento e funcionamento das estruturas das barragens.
Entenda a catástrofe
A barragem de rejeitos de mineração da Vale rompeu na sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade localizada na região metropolitana de Belo Horizonte. O rompimento foi na região do córrego do Feijão, na altura do km 50 da MG-040.
Após o rompimento, enxurradas de resíduos de mineração e água atingiram casas, estruturas da empresa, incluindo um refeitório, e veículos, cobrindo-os em segundos. Entre as vítimas, estão moradores da região, funcionários da Vale e hóspedes de uma pousada localizada na área.
Uma nova sirene disparou na madrugada de domingo (27) alertando moradores da região que deixassem suas residências. Havia o risco de rompimento de uma segunda barragem. No entanto, horas depois, outro desastre foi descartado e eles puderam retornar às respectivas residências.
A barragem 1, que se rompeu, é uma estrutura de porte médio para a contenção de rejeitos e estava desativada. Seu risco era avaliado como baixo, mas o dano potencial em caso de acidente era alto. Há grande dificuldade para realizar buscas na região em função da densidade da lama, então bombeiros atuam com cuidado na área.
Nesta segunda (28), os primeiros corpos começaram a ser enterrados. No cemitério Parque das Rosas, desde que a tragédia ocorreu, 98 covas foram abertas às pressas para comportar as vítimas fatais.
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