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22 de janeiro, de 2019 | 10:30

Presos de Ouro Fino vivem a expectativa de iniciar a graduação após serem aprovados no vestibular

Prova foi aplicada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas. dentro da unidade prisional. Agora, os custodiados aprovados aguardam apenas o início das aulas para terem acesso ao ensino superior

Divulgação/Seap
Amigos que dividem a mesma cela, a ideia partiu de Rafael, que incentivou Mateus a também tentar uma vaga na instituiçãoAmigos que dividem a mesma cela, a ideia partiu de Rafael, que incentivou Mateus a também tentar uma vaga na instituição

Para os detentos Mateus e Rafael, a saída do presídio será direto para a universidade. Os dois presos, que cumprem pena há quase dois anos no Presídio de Ouro Fino, acabaram de receber a notícia da aprovação no vestibular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas - Campus Inconfidentes. Rafael Vilas Boas Neto, 28 anos, irá fazer parte da próxima turma de Licenciatura em Ciências Biológicas. Mateus Alderigi Rocha, 24 anos, por sua vez, escolheu o curso de Tecnologia em Rede de Computadores.

Amigos que dividem a mesma cela, a ideia partiu de Rafael, que incentivou Mateus a também tentar uma vaga na instituição. Tudo começou com a visita do diretor do instituto à unidade prisional para a articulação de um projeto de remição pela leitura. Na ocasião, Rafael vislumbrou a possibilidade de fazer o vestibular e perguntou se seria possível. Com a sinalização positiva do diretor, o exame foi agendado e a prova aplicada em setembro do ano passado, dentro do presídio.

“Entramos aqui sem expectativa nenhuma, e isso nos dá um norte para tentar mudar a vida lá fora. Fico orgulhoso de conquistar a vaga e, ainda, por incentivar meus companheiros aqui a buscarem outras oportunidades”, destaca Rafael.

Segundo o diretor-geral do presídio, Leandro Francisco Pereira, tudo isso mostra a boa relação da unidade com outras instituições. “Para mim, é uma alegria muito grande, uma vez que o estudo e a qualificação são valiosos para recuperação do preso. Acompanhei de perto a ansiedade dos participantes e acredito na recuperação de ambos. Esta parceria com o Instituto Federal nos permite criar novas expectativas de outras oportunidades. Destaco o trabalho de todos na unidade que fizeram parte desta conquista”.

Uma das grandes incentivadoras e responsáveis por tudo é a analista técnica jurídica, Ana Dione, que, além de auxiliar na documentação e na articulação com o instituto, também ajudou os presos na preparação para as provas. Seu papel foi o de quase uma professora, tendo em vista que forneceu material didático e tirou dúvidas ao longo do processo.

“Certa vez, ouvi dizer em um filme que a felicidade só é real quando compartilhada. Dessa forma, sinto-me imensamente feliz em fazer parte da história deles. Essa conquista representa uma mudança na perspectiva de vida dos reeducandos. Além do mais, mostra para todos que sempre é possível recomeçar. Com esses resultados, fico mais motivada a continuar, a buscar meios que possam de alguma forma fazer renascer a esperança no coração de muitos que já não acreditam em um novo amanhã”, afirma.

Mateus teve a sua vida transformada depois de entrar no presídio. Quando ele foi preso, só havia cursado o ensino fundamental. Com a ajuda da unidade prisional, estudou e concluiu o ensino médio e, agora, ingressou na universidade - e sairá como estudante de graduação.

“A minha expectativa é grande, principalmente de mudar minha vida. Batalhei e estudei bastante. A gente tem que pensar no nosso futuro, tivemos a oportunidade e aproveitamos. Eu gosto de informática, já tinha feitos alguns cursos e tenho experiência na área, é um bom mercado, espero conseguir um emprego logo”, reforça.

Instituto Federal Sul de Minas – Campos Inconfidentes

Fazer parte desta iniciativa e ser a pessoa que deu esta chance aos detentos é algo que emociona o diretor-geral do IF Sul de Minas - Campus Inconfidentes, Luiz Flávio Fernandes. Desde que assumiu o cargo, em julho do ano passado, ele conta que a missão sempre foi promover o desenvolvimento sustentável regional por meio do ensino.

“Queremos levar essa educação de qualidade para todos. É algo espetacular tudo isso que aconteceu. Sinto como se cumpríssemos com o nosso objetivo social e, ao mesmo tempo, mostramos para as outras pessoas que há indivíduos presos que merecem uma oportunidade”, sinaliza.
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