29 de dezembro, de 2018 | 12:00
Fecha o pano
Fernando Rocha
O bordão Fecha o pano!”, que há anos encerra as nossas colunas aqui no Diário do Aço”, não é uma invenção minha e nem sei de onde veio, mas sinto, pelas manifestações carinhosas dos leitores, que acabou pegando”.Por isso ele virou de ponta cabeça e se transformou também no título desta que é a última coluna de um ano que foi muito difícil para todos nós, os brasileiros.
Tivemos eleições para presidente, reformas profundas no Congresso Nacional, enfim, o povo deu o seu recado aos políticos, exigindo mais respeito nos assuntos que dizem respeito ao trato da coisa pública.
No futebol, a CBF continua a mesma instituição desmoralizada, cada vez mais rica e sem representatividade internacional, perdendo prestígio até mesmo junto à coirmã, a Conmebol, igualmente sem credibilidade alguma, useira e vezeira em prejudicar nossos representantes nas competições continentais, sobretudo na Copa Libertadores, tendo vitimado este ano o Santos e o Cruzeiro.
Tivemos a Copa do Mundo no meio do ano e o Brasil outra vez naufragou, desta vez pela soberba e imaturidade do nosso único craque, Neymar, aliado aos erros estratégicos do até então intocável técnico e professor” Tite, com sua linguagem professoral e ineficiente.
Enfim, a qualidade do futebol apresentado pelas melhores seleções do mundo na Copa da Rússia, incluindo aí o da campeã França, deixou muito a desejar. Peço licença ao jornalista Fernando Gabeira, da Globonews”, para mudar apenas a cronologia de uma das suas ótimas frases neste fim de 2018: A única esperança para 2018(9) é que as coisas ruins sejam diferentes das ruins de 2017(8)”.
Chegou o VAR
Entra ano sai ano é a mesma coisa. Errado. Este ano tivemos o VAR (árbitro de vídeo), novidade tão aguardada e reclamada pela maioria dos clubes, torcedores e colegas da crônica, entre os quais me incluo.
Mas o que isso trouxe de bom ou acrescentou de positivo nos jogos de futebol? Reconheço que avançou muito, embora não haja consenso em torno do tema, porque o conceito principal do VAR, que é diminuir os erros dos assopradores de apito e, consequentemente, as injustiças no futebol, foi mal compreendido.
Uma parte da imprensa entende que o VAR veio para pôr fim a todo e qualquer tipo de erro, acabar com a violência, ser chamado em todos os lances onde haja uma dúvida levantada por qualquer um dos atores envolvidos na partida.
E não é para ser assim, a menos que pretendam que o futebol se robotize, perca a graça e glamour para se tornar um jogo de videogame. Existem regras e protocolos para o seu uso, que precisam e serão aperfeiçoados, até serem mais bem entendidos e aplicados nas competições oficiais.
O importante é que os recursos tecnológicos estão à disposição para serem usados. É um caminho sem volta, assim como aconteceu com a internet nos anos 1990, sem tirar a emoção do futebol, maior preocupação de quem ainda resiste à novidade.
FIM DE PAPO
A CBF publicou, com a devida antecedência, o cronograma das competições para 2019, e se em 2018 o excesso de jogos se deu por conta da Copa do Mundo, em 2019 a bagunça vai ser ainda pior. No meio do ano vamos ter a Copa América, reunindo as principais seleções do continente, o que já pressupõe uma nova chiadeira dos clubes cujos dirigentes são omissos, pois dependem das benesses e ajudas” financeiras da CBF, que se aproveita e faz o que bem quer com o calendário.
A solução - que nunca vem neste caso - é simples, e passa por uma redução nas datas dos campeonatos estaduais, que deveriam ser enxugados, pois hoje só servem para manter irrigadas as tetas que abastecem financeiramente as obsoletas federações, verdadeiros cabides de emprego, que só existem aqui no Brasil e não servem para mais nada.
Como sempre faço nos últimos anos, pretendo passar este período de festas de fim de ano, além de boa parte de janeiro, na Ilha de Guriri, litoral norte capixaba, de onde vou escrever as colunas e fazer os comentários diários que vão ao ar diariamente na Rádio Vanguarda. Sem competições e jogos para assistir quase todos os dias, o que faço com prazer, mas algumas vezes por razões de ofício, este é um período propício para analisar de modo mais profundo os fatos e acontecimentos que influenciam diretamente no nosso futebol, mas que, por falta de tempo, às vezes passam batido no dia a dia.
Agradecimentos a Deus por nos dar vida e saúde por mais um ano, aos nossos familiares, aos amigos Valtinho Oliveira e Waldecy Castro, diretores do DA”; funcionários da redação, em especial o amigo Nivaldo Resende, além do apoio por mais uma temporada da Refrigeração Alaska, Laboratório Acil, Escola Mayrink, Roberto Escapamentos e Mecânica, Saritur Transportes, Lano Bike e Casa do Ruralista. Que venha 2019! Muita luz, saúde e paz para todos nós. (Fecha o pano!)
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