15 de dezembro, de 2018 | 10:55
No vermelho
Fernando Rocha
Estamos chegando ao fim de mais um ano em nossas vidas - o velho está morrendo” -, como costumamos dizer aqui nos nossos grotões. No futebol, a temporada das competições nacionais e continentais terminou na última quarta-feira, com o título da Copa Sul-Americana conquistado de forma inédita e dramática pelo Athletico (agora com h no nome) do Paraná.Terminamos no vermelho, pois perdemos o prato principal - a Copa do Mundo na Rússia -, que só é servido a cada quatro anos. No caso dos clubes, a participação de todos os nossos representantes na Copa Libertadores, a maior competição do continente, foi outro fracasso retumbante, restando assistir pela TV dois clubes argentinos decidirem o título na Europa.
Ao Furacão, toda a honra e toda a glória, pois fecha a temporada em alta, com escudo novo, camisas novas e saldo positivo, primeiro clube paranaense a conquistar um título internacional, um salto em sua história de 94 anos. O título, aliado à estrutura do clube, poderá ser o marco para o Atlético-PR se tornar, definitivamente, um dos grandes do futebol brasileiro”. Tostão, em sua coluna na Folha”, antes da decisão.
Menosprezo e castigo
O Club Athletico Paranaense, a novíssima Família Furacão”, em razão dessa conquista da Sul-Americana, comemora com toda razão o fato de já estar garantido na fase de grupos da Libertadores em 2019.
Enquanto isso, seu agora quase xará, Clube Atlético Mineiro, cujo presidente Sérgio Sette Câmara desdenhou da disputa chamando-a de segunda divisão” do continente, terá de ralar em duas fases de mata-mata contra equipes de países vizinhos, para chegar ao mesmo patamar do Furacão e dos outros representantes brasileiros, que se classificaram através do Brasileirão e Copa do Brasil.
Os times participantes da Sul-Americana, em sua maioria, de fato são tecnicamente inferiores aos que jogam a Libertadores, mas nada que justifique a declaração infeliz do presidente do Galo, que em maio deste ano, após ver o seu time eliminado em casa pelo San Lorenzo-ARG, acabou virando motivo de chacota, comparado à raposa na fábula das uvas, que passa às crianças e adultos uma mensagem para que aprendam a respeitar e aceitar as suas limitações.
FIM DE PAPO
A CBF realizou o sorteio da primeira fase e deu o pontapé inicial na Copa do Brasil, que começará dia 6 de fevereiro, com 80 clubes, prometendo repetir e até aumentar a premiação, que este ano destinou R$ 62 milhões ao campeão, fato que a torna recordista no continente, superando até mesmo a Libertadores. São cinco times mineiros na primeira fase: América, Boa Esporte, Tupi, URT e Tombense. Onze clubes, entre eles Galo e Raposa, só vão entrar nas oitavas de final.
Os confrontos dos times mineiros são estes: Santa Cruz-RN x Tupi; Foz do Iguaçu x Boa Esporte; URT x Coritiba-PR; São Raimundo-RR x América; Tombense x Sport-PE. Desde 2014, quando transferiu pela primeira vez para o Estádio Ipatingão o seu jogo contra o Galo, pelo campeonato estadual, existe uma boa relação entre a Administração Municipal local com a diretoria do Tombense.
Por conta disso, seria interessante uma tratativa com a direção do clube da Zona da Mata, visando a realização deste jogo com o Sport Recife no Ipatingão. Além do ganho financeiro, com a injeção de milhares de reais na nossa economia, haveria a divulgação da cidade em nível nacional, inserindo o estádio novamente no cenário principal do futebol brasileiro.
A Copa do Brasil, além de uma premiação milionária, oferece chances únicas de projeção a clubes e atletas das regiões mais remotas e distantes do país, sendo, portanto, a mais democrática do nosso calendário esportivo. Começou em 1989, com o Grêmio ganhando o titulo.
De lá para cá, o Cruzeiro, com seis conquistas, tornou-se o maior vencedor. Algumas zebras do passado, como as conquistas do Criciúma (1991), Juventude (1999), Santo André (2004), Paulista (2005) e Sport (2008), são cada vez mais raras, devido ao aumento cada vez maior do abismo econômico a favor dos clubes grandes em relação aos pequenos.
O Ipatinga, que chegou a ser semifinalista em 2006, quando também se sagrou vice-campeão estadual, depois de ter conquistado o título em 2005 desbancando o Cruzeiro, em pleno Mineirão, vive hoje uma realidade bem diferente daqueles tempos áureos. O objetivo maior, em 2019, será voltar à 1ª Divisão mineira, um trabalho lento de soerguimento feito pela atual diretoria, e que me parece o mais acertado.
Pés no chão e um passo de cada vez, para não cometer os mesmos erros do passado, quando experimentou uma subida meteórica, mas em razão de erros estratégicos, teve também uma queda proporcional à altura alcançada. O passado, alguém já escreveu, é o nosso maior tesouro. Às vezes, diz o que fazer. Às vezes, aponta o que evitar”. Carlos Chagas, mineiro de Três Pontas, comentarista político. (1937-2017) (Fecha o pano!
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