11 de dezembro, de 2018 | 14:40

Aécio Neves é alvo de operação da PF

Antonio Anastasia, Andrea Neves, outros deputados e senadores também estão no foco da Operação Ross

Divulgação
Agentes da PF cumpriram desde o amanhecer, 24 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito FederalAgentes da PF cumpriram desde o amanhecer, 24 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal cumpriram, nesta terça-feira (11), mandados de busca e apreensão em imóveis de Aécio Neves (PSDB-MG) e da irmã dele, a jornalista Andrea Neves, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Eleito como deputado federal pelo PSDB, Aécio Neves termina o mandato de senador nesse ano e, logo em seguida assume uma vaga na Câmara dos Deputados.

Outros alvos da operação foram, o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), em São Paulo, e os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antonio Anastasia (PSDB), além dos deputados federais Benito da Gama (PTB-BA) e Cristiane Brasil (PTB-RJ).

Conforme nota divulgada pela Polícia Federal, a operação Ross, surgiu a partir de delação de executivos da J&F e apura denúncias de compra de apoio político. No total foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. São investigados os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Para a PF, Aécio Neves comprou apoio do Solidariedade por R$ 15 milhões, e empresários paulistas ajudaram com doações de campanha e caixa 2, por meio de notas frias. Outros partidos também teriam sido beneficiados.

Aécio, Paulinho, Agripino, Benito Gama, Cristiane e Anastasia negaram irregularidades, por meio de notas enviadas à imprensa no começo da tarde.

Em nota, o advogado do senador Aécio Neves, Alberto Zacharias Toron, afirma que seu cliente "sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar todos os documentos que se fizessem necessários às investigações, bastando para isso o contato com seus advogados”.

“O inquérito policial baseia-se nas delações de executivos da JBS que tentam transformar as doações feitas a campanhas do PSDB, e devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em algo ilícito para, convenientemente, tentar manter os generosos benefícios de seus acordos de colaboração.
A correta e isenta investigação vai apontar a verdade é a legalidade das doações feitas", conclui a nota assinada por Alberto Zacharias Toron.


Propina de R$ 110 milhões

Os executivos do grupo J&F relataram ao Ministério Público o repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador Aécio Neves, conforme decisão do STF que autorizou a operação desta terça (11).

Suspeita-se que os valores eram recebidos por meio da simulação de serviços que não eram efetivamente prestados e para os quais eram emitidas notas fiscais frias.

Segundo a delação dos executivos, Aécio pediu ao grupo o repasse de dinheiro a vários partidos que poderiam fazer parte da coligação na disputa presidencial. Os executivos da J&F montaram um documento chamado "Planilhão de Doações de 2014", no qual reuniram todos os pagamentos feitos a pedido do senador do PSDB.

Cada um deles era marcado com uma cor: azul para aqueles feitos com notas frias, amarelo para repasses em espécie e branco para os "viabilizados mediante lavagem de dinheiro nas doações oficiais".

Joesley e Ricardo disseram que foram destinados R$ 64,6 milhões ao diretório e candidatos do PSDB. R$ 20 milhões teriam sido repassados ao PTB, mediante intermediação dos deputados Cristiane Brasil e Benedito da Gama Santos, além do tesoureiro do partido, Luiz Rondon. Ao Solidariedade, teriam sido repassados R$ 15 milhões, supostamente por intermédio de Paulinho da Força e Marcelo Lima Cavalcanti.

De acordo com os delatores, o grupo empresarial também pagou R$ 10,4 milhões aos partidos DEM, PTN, PSL, PTC, PSC, PSDC, PTdoB, PEN e PMN.

Outro destinatário de doação teria sido Antonio Anastasia, então candidato ao governo de Minas Gerais. Ele teria recebido R$ 2 milhões em 2014 a pedido de Aécio.

A contrapartida para os pagamentos, segundo o Ministério Público, seria o uso do mandato de Aécio Neves para beneficiar o grupo empresarial. Uma das formas seria a liberação de créditos do ICMS, pelo governo de Minas Gerais, em favor das empresas.
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