Motivação extra

Fernando Rocha

Divulgação

Diante do Corinthians, no meio da semana, a estratégia que o Cruzeiro vem aplicando na reta final do Brasileirão deu o resultado esperado, ou seja, escalou o time titular com a maioria de reservas ou jogadores jovens, que não tiveram chances reais até então, e entram mais motivados.

A atuação do atacante Deivid, autor do gol da vitória por 1 a 0 e para muitos o melhor em campo, é um exemplo disso. Mas outros, como o artilheiro Fred, Lucas Romero e Patric Brey, também tiveram bom rendimento.
A ausência do técnico Mano Menezes na beira do gramado, em razão de uma licença médica, não foi muito sentida, já que o seu auxiliar, Sidney Lobo, segue a mesma linha de trabalho do comandante celeste.

Sem almejar mais nada na competição e só cumprindo tabela, o próximo desafio do Cruzeiro será, neste domingo, encarar o São Paulo, no Morumbi, um time que luta por vaga no G-4 para ir direto à fase de grupos da Libertadores.
Uma nova e ótima oportunidade para os jogadores celestes que não vinham atuando mostrarem serviço e garantirem o emprego ou uma transferência para outro clube na próxima temporada.

Relação promíscua
A demissão do técnico Julen Lopetegui pelo Real Madrid, e a efetivação, 15 dias depois, do interino Santiago Solari, pôs o dedo na ferida de um problema que acontece no mundo inteiro, sobretudo no Brasil, no que se refere às relações entre clubes e treinadores, hoje de uma promiscuidade ilimitada.

Na Espanha existe uma regra que limita em duas semanas o período de interinidade dos treinadores nas equipes, o que obrigou o gigante Real Madrid a tomar esta decisão. Se essa norma fosse aplicada aqui, certamente não resolveria todos os nossos problemas no trato entre clubes e técnicos, mas colocaria um pouco de ordem na bagunça de hoje em dia.

Uma excelente matéria publicada pelo ‘globoesporte.com’ mostrou em detalhes os números da loucura atual praticada no futebol brasileiro, apurando que a média de permanência de um técnico por aqui é de seis meses e meio.

Somente na era dos pontos corridos, iniciada há 15 anos, Bahia e Atlético-PR tiveram 63 treinadores. Em média, os 21 clubes estudados tiveram 42,5 técnicos de futebol nesse mesmo período.

A falta de critério e regras entre os clubes para contratar e demitir esses profissionais reina absoluta, mas é preciso também destacar que, em função dessa relação deteriorada, também se tornaram frequentes as interrupções de trabalho por iniciativa de treinadores.

Então, seria de bom tamanho limitar também a quantidade de clubes que um treinador poderia assumir durante um ano, desde que ele tenha saído por vontade própria.

FIM DE PAPO
• No Brasil há uma cultura sobre leis que pegam e outras que não pegam. Geralmente, as que pegam são aquelas que estabelecem pesadas multas aos infratores. No futebol não é diferente, e só haverá uma mudança deste quadro se houver regulamentos específicos e multas pesadas para punir com rigor a insanidade atual. Um exemplo recente é o do Atlético, que teve o técnico Thiago Larghi mais tempo como interino do que como efetivo. E trouxe para seu lugar Levir Culpi, que está na sua quarta passagem pelo clube em menos de 15 anos.

• O América, à beira de cair novamente para a Série B do futebol nacional, já teve quatro treinadores este ano. Trouxe agora Givanildo Oliveira, que está na quinta passagem pelo clube, com a missão de ser novamente o “salvador da pátria”. Aliás, Givanildo e Paulo César Gusmão são os recordistas em pular de galho em galho e lideram este ranking bizarro e extravagante: tiveram passagens por 29 clubes diferentes desde 2003, quando se iniciou a era dos pontos corridos.

• Outro que pode ser considerado um campeão de trocas é Celso Roth, contratado e demitido três vezes só pelo Vasco da Gama em menos de uma década. O “papai” Joel Santana já comandou o Flamengo cinco vezes e o Vitória contratou Wagner Mancini em quatro ocasiões, nos últimos dez anos. O já falecido Mário Sérgio Pontes de Paiva foi o que ficou menos tempo no cargo, tendo sido demitido pelo Botafogo apenas nove dias depois de ser contratado, um exemplo claro da permissividade que reina no futebol brasileiro.

• A bagunça também atinge em cheio o mercado de jogadores, pois não há uma regulação mais severa e a qualquer momento do ano nossos clubes contratam ou dispensam a seu bel prazer, de acordo com o barulho vindo das arquibancadas. Mas já passou da hora de impor limites e, ao menos, copiar o exemplo do futebol espanhol, o que não seria nada demais, para frear um pouco a insanidade dos nossos cartolas e também a ganância de muitos treinadores. (Fecha o pano!)

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