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05 de novembro, de 2018 | 15:36

Deu a lógica

Fernando Rocha

Divulgação
Deu a lógica no clássico e o Cruzeiro venceu o América por 2 x 1, um placar que poderia ter sido mais dilatado, em razão da superioridade técnica do time celeste em relação ao adversário. Jogadores como Thiago Neves e Arrascaeta desequilibraram a partida a favor do Cruzeiro, que subiu para o 8º lugar na tabela de classificação, agora com 46 pontos ganhos, a mesma pontuação de Santos e Atlético, que o superam apenas pelos critérios técnicos.

A diretoria do América reclamou muito de um suposto pênalti cometido por Dedé no jovem atacante Mateusinho, não assinalado pelo assoprador de apito Heber Roberto Lopes, useiro e vezeiro em aprontar contra os times mineiros, sobretudo quando se trata de beneficiar paulistas e cariocas.

Desta vez, sem ter nenhum deles para ajudar, o polêmico árbitro paranaense agiu corretamente, pois a falta não existiu e, a meu juízo, atribuir à ele tão somente esta derrota torna-se uma injustiça, já que o América tem sido vítima da sua própria ruindade, que o levou à zona de rebaixamento.

Freio puxado
A impressão que se tem, vendo este time do Atlético jogar, é a de um carro tentando se movimentar, sair do lugar com o freio de mão puxado.

Enquanto o Grêmio corria certo, marcava e fechava os espaços, saindo em rápidos e perigosos contra-ataques, o time dirigido por Levir Culpi rodava de um lado para o outro, sem objetividade, com força insuficiente para encurralar o adversário e conseguir o gol.

A derrota de 1 x 0 para os gaúchos foi merecida, sem contestação, algo normal quando se trata deste atual time do Galo, que está colhendo os frutos do mau planejamento feito pela diretoria para a temporada.
Menos mal que, em razão da campanha no primeiro turno, o alvinegro tenha atingido 46 pontos e está livre da ameaça de rebaixamento.

Resta-lhe agora reunir todas as forças que ainda restam e tentar segurar a vaga na pré-Libertadores de 2019, coisa que, se vier a perder, também não será o fim do mundo, pois, como diz um ditado popular aqui dos nossos grotões: “Deus dá o frio de acordo com o cobertor”.

FIM DE PAPO
• O maior erro do presidente Sérgio Sette Câmara foi dar carta branca ao ex-diretor Alexandre Gallo para montar o elenco na atual temporada. A diretoria do Atlético, que vive reclamando da situação financeira ruim, teria gasto cerca de R$ 40 milhões para contratar jogadores cuja maioria absoluta não está apta a vestir e honrar a sua pesada camisa, casos de Terans, Edinho, Denílson, Samuel Xavier, Galdezani e por aí afora.

• Além disso, Gallo renovou os contratos de várias ‘madonas’ do elenco atual com duração prolongada e salários altíssimos, caso de Luan, cuja relação custo-benefício é deficitária para o clube, além de outros como o zagueiro e capitão Leonardo Silva, cujo destino já deveria ter sido a aposentadoria.

Para piorar, trouxe o experiente técnico Levir Culpi, mas que se mostra totalmente desatualizado em relação ao momento atual do nosso futebol, além de não possuir as ferramentas de banco necessárias que dariam suporte para realizar a árdua tarefa de trocar os pneus com o carro em movimento.

• Muito interessante a entrevista, publicada na edição de sábado (3) do jornal O Globo, na qual o técnico do São Paulo, o uruguaio Diego Aguirre, analisa o momento do futebol brasileiro. Segundo ele, neste contexto de hoje os treinadores são forçados a desempenhar tarefas que vão muito além de montar suas equipes para os jogos. O técnico relacionou quais são, no seu entendimento, as principais mazelas do nosso futebol: o calendário alucinante, as constantes mudanças de elenco, as trocas de técnicos e trabalhos feitos às pressas.

• Na entrevista coletiva do técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, após a vitória do seu time sobre o Galo, sábado, no Independência, ele utilizou quase todo o tempo para falar da eliminação na Libertadores. Não concordo com seus argumentos, desqualificando o VAR pela marcação do pênalti que deu a vitória ao River Plate, alegando que o toque de mão de seu estabanado zagueiro Bressan tenha sido involuntário.

• Neste lance houve, sim, a intervenção correta do árbitro de vídeo (VAR), e a tecnologia evitou uma grande injustiça na fase decisiva desta Libertadores. Claro que sua aplicação está só começando, que eventuais falhas podem ocorrer e serão corrigidas ao longo do tempo, quando todos nós ficaremos acostumados. Trata-se de um tempo novo, irreversível, cujo ônus enfrentado agora é até aceitável, para que se tenha uma maior qualificação e proteção do jogo de futebol. (Fecha o pano!)
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