18 de outubro, de 2018 | 15:40
Nem ele e nem ele
Edmar Moreira *
Sob o meu ponto de vista, o pior erro que o PT cometeu foi desonrar os seus princípios e compromissos. Na verdade, todos os governos sob o comando dos políticos civis pós-ditadura, também foram uma sequência de fiascos que se acentuaram até atingirmos o ponto atual de calamidade pública.
Ao desonrar a sua ideologia mais ilustre, o PT enredou-se de maneira suicida na sanha do poder pelo poder” e foi uma cópia piorada da política já estabelecida no país há séculos, pelo modelo capitalista mais selvagem. Associou-se aos que combatia. Traiu, desmoralizou-se ao mergulhar no poço lamacento da corrupção para se perpetuar no comando, no trono. Não se importou com as danosas consequências do Foro de São Paulo para os destinos do país intencionando levá-lo para o socialismo ditatorial idêntico ao da Venezuela, por exemplo. Não existe ditadura do bem, nem de esquerda e nem tampouco de direita.
Haddad representa esse PT cujo líder encontra-se preso por uma série de desonrosos crimes. O povo é quem diz PT nunca mais, cansou-se de ser enganado por publicidades milionárias e mentirosas, de tanto ser roubado e feito de bobo. E o povo não é bobo, mas não tem consciência crítica deixa-se levar pelos ardis da ganância demagógica de determinados políticos e seus partidos até desiludir-se com ele, o que gera essa situação de revolta.
Agora o que o povo quer é afastar do poder todos os políticos e partidos comprometidos com as causas criminosas de nossa profunda crise econômica e social. Maioria dos eleitores quer é mudar e está desiludida com a política, não há mais em que acreditar. Esse caos foi causado pelo PT, o partido de Haddad ou do Lula. Então: Haddad não!
Ao desmoralizar-se o PT levou consigo toda a esquerda idealista do país por ser seu representante máximo. Criou o clima propício para a ascensão dos demagogos de plantão. Criou solo fértil para crescimento dos imaginários salvadores da pátria, dos espertalhões, dos extremistas de direita, que são rancorosos, brutais, radicais e desumanos. Sem consciência política, o povo vota naquele que pode derrubar o que está aí.
Desta lama emergiu Bolsonaro e seu discurso retrógrado. Aliás, Hitler difundiu a imagem do político que varreria a Alemanha de toda sujeira que assolava o país, comunistas, judeus, ciganos, homossexuais, artistas degenerados, deficientes físicos e mentais. Acabou levando o mundo para a Segunda Grande Guerra Mundial.
Grande desilusão. Estamos surfando ou, tomando capote”, nesta onda mundial que elege líderes de postura conservadora, governantes como o conhecido Trump e o expoente Duterte, presidente das Filipinas, que também se apresenta como um homem incorruptível e implacável perseguidor das esquerdas. Comenta a seu respeito o colunista Elio Gaspari, aos 75 anos de idade, Duterte ostenta o cabelo curto e negro de tintura, gosta de andar de motocicleta, teve um divórcio agreste, propaga sua virilidade e as virtudes da pílula azul.
Diz que seu único pecado são os assassinatos extrajudiciais”. São homens que fazem lembrar o fascismo, mentalidades simpatizantes com os horrores da ditadura militar, defensores da violência para combater a violência. Concordo com Gaspari, se execuções extrajudiciais fossem remédio, o Brasil seria uma Dinamarca”. Por tudo isso: - Bolsonaro também não!...
Eu, aos 74 anos, pela primeira vez, vou anular o meu voto. Apesar da minha também total descrença, acredito que a alienação traz uma confiança desmedida, por outro lado a lucidez traz um frio na boca do estômago. A sorte já foi lançada.
* Radialista. Comunicador social aposentado.
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