07 de outubro, de 2018 | 17:02
Boataria busca disseminar desinformação,diz Rosa Weber
Para ministra, situação das fake news é preocupante e é preciso dar uma 'resposta pronta'
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) divulgou um vídeo em que um perito comprova que o erro apontado em urna eletrônica, que automaticamente exibe o candidato Fernando Haddad quando eleitor digita o número 1, é falso.
O vídeo em questão circula nas redes sociais, principalmente entre os eleitores de Jair Bolsonaro, do PSL, cujo o número é 17. "Golpe", "Golpe", "Golpe", repetem os apoiadores do candidato.
A imagem mostra que, ao apertar o número 1, a urna automaticamente exibe o 13, de Haddad. Flavio Bolsonaro, candidato ao Senado pelo PSL, no Rio, e filho de Jair Bolsonaro, chegou divulgar a suposta fraude em suas redes sociais. O TRE-MG afirma que tudo não passa de uma montagem e comprovou a acusação mostrando um vídeo gravado em um programação de edição. Há pelo menos três provas segundo as quais o vídeo foi manipulado.
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, disse neste domingo (7), que está preocupada com a disseminação de notícias falsas. A fala da ministra foi durante uma reunião no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (Ciccn), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Além da ministra do STF, participaram do encontro a advogada-geral da União, Grace Mendonça, a Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.
Rosa Weber, Grace Mendonça e Raquel Dodge cobraram das autoridades de segurança dos Estados que integram o Ciccn um foco especial no combate à disseminação de notícias falsas. O principal caso citado foi o dos vídeos que circulam nas redes e levantam a suspeita que o número de um dos candidatos à Presidência da República não aparece na urnas.
A denúncia da suposta fraude chegou a ser disseminada pelo filho de Jair Bolsonaro (PSL), o candidato ao Senado, Flavio Bolsonaro. "A minha preocupação como presidente do TSE e que essas notícias falsas estão buscando disseminar uma desinformação em detrimento da credibilidade da Justiça eleitoral. Isso é altamente preocupante", disse a ministra.
Para Rosa Weber, é uma "total irresponsabilidade" a divulgação dessas informações falsas. "Está havendo montagem de vídeos e de imagens que visam desacreditar uma justiça que está utilizando um sistema usado a mais de 20 anos sem qualquer caso comprovado de fraude", disse a ministra. Segundo ela, é preciso dar uma "resposta pronta" para esses casos e identificar os responsáveis por disseminar as informações falsas. "Se não forem coibidas a tempo e com rigor redundam em mal inominável a democracia", afirmou.
Eleitor filma voto em Bolsonaro usando cano de pistola para acionar teclas
Outro vídeo amplamente compartilhado nesse domingo e cujo local onde foi feito já foi identificado, mostra um eleitor na cabine de votação, usando uma pistola para digitar o número 17, do candidato Jair Bolsonaro.
Uma das fotos identifica uma urna eletrônica de uma zona eleitoral na Escola Estadual Professor Mauricio Brum, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde aparece um revólver.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) tomou conhecimento do caso. "Eu tomei conhecimento, porque também recebi uma imagem dessa. Já foi identificada, pelo menos em uma delas, qual é a zona eleitoral. Isso está sendo repassado para o juiz, acredito que já tenha chegado ao conhecimento dele para ver que medidas adotará", disse a diretora geral do TRE-RJ, Adriana Brandão.
Pela Constituição Federal, o voto é universal, direto e secreto. E para garantir a sua inviolabilidade, não é permitido que o eleitor registre o voto, pois a prática abre as portas para o voto de cabresto. O Código Eleitoral tipifica a violação do sigilo do voto como crime eleitoral, com pena de até dois anos de detenção.
Outra imagem mostra uma arma de fogo em cima de uma urna eletrônica, com a foto de Jair Bolsonaro. No perfil do Twitter de um eleitor gaúcho, de 42 anos, a imagem angariou mais de mil curtidas e 2 mil comentários. Muitos internautas marcaram os perfis do Ministério Público e da Polícia Federal, lembrando que a quebra do sigilo do voto é ilegal.
O homem relatou à imprensa que recebeu a imagem em um grupo de WhatsApp e decidiu publica-la em seu Twitter. O empresário contou ainda ter compartilhado a imagem nas suas redes sociais por achá-la "interessante" e uma forma de "expressão da tradição" dos gaúchos. Apesar de ter dito que publicou a foto sem medo”, o gaúcho a excluiu de seus perfis no Twitter e no Facebook.
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