25 de setembro, de 2018 | 15:05
A guerra sem fim ao terrorismo global
Hiltomar Martins Oliveira *
Pois bem, o terrorista não tem território, e, por consequência, não tem uma pátria”Decorridos mais de dezoito anos de século XXI, a guerra ao terrorismo, deflagrada em 2001 pelos Estados Unidos da América e uma coligação de países aliados está longe de terminar. Em quase todos os continentes ela tem deixado uma sucessão de conflitos armados, um rastro de devastações, mortes, feridos, destruição de cidades, desestruturação de Estados, a maior onda de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial.
Ora, os resultados colhidos nesta guerra têm sido decepcionantes, a começar pela promessa inicial de que seria rápida e fulminante, os terroristas seriam localizados e destruídos em seus países-refúgios (!), e tudo estaria resolvido em menos de ano. Grande falácia: o terrorismo continua mais vivo do que nunca e tem aprimorado e sofisticado suas técnicas de ação. Os atentados cada vez mais audaciosos se sucedem ano após ano, crescem o número de células e de organizações terroristas, e potencializa-se a sua ameaça à população civil.
A estratégia ocidental nesta guerra falhou fragorosamente, porque, conceitualmente, a compreensão deste fenômeno histórico-político não foi correta.
Pois bem, o terrorista não tem território, e, por consequência, não tem uma pátria. Seu modo de agir, de atacar, não obedece a uma lógica militar territorial e temporal. Ele age em qualquer lugar e em qualquer momento. É um lutador internacional e, ao mesmo tempo, não se pode lidar com ele pelos modos convencionais de fazer guerra, pois, preferencialmente, ele não se identifica com nenhum Estado (exceção feita ao recente aparecimento do Estado Islâmico”).
O terrorista adota uma estratégica de guerra marítima, onde não há espaços para tratados de paz ou conversações diplomáticas (numa lembrança dos casos de pirataria). Este seu modo de ação tem como efeito fundamental a destruição da distinção entre polícia e exército regular, tal como a conhecemos até hoje.
E o objetivo principal do terrorismo, consequentemente, é levar os homens a ter mais medo do inferno do que da morte em si mesma, de modo que se tenha medo até de dormir, de se deslocar, de gozar a liberdade... Afinal, quem pode prever quando e onde será o próximo ataque: no metrô, na estação de trens, na rua, no trabalho, na mesquita, na igreja, na escola, no mercado? Desse modo, ele consegue potencializar o risco de estar vivo mais do que o medo de viver!
E nesse crescente clima de medo e de insegurança, onde o inimigo está invisível, cresce, ao mesmo tempo, tal como a erva daninha nos jardins, a tendência de se propor e se aprovar a implantação de medidas legais autoritárias que restringem os direitos humanos fundamentais, sempre sob a justificação de que são necessárias para conferir mais eficácia às ações policiais e militares de combate ao terrorismo. E sobre este fenômeno trataremos em uma próxima nota.
*Advogado, membro da Seccional do Vale do Aço do IAMG.
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