17 de setembro, de 2018 | 15:32

Causa e efeito

Fernando Rocha

Divulgação
O empate sem gols no clássico mineiro foi, acima de tudo, um reflexo da verdadeira trapalhada dos dirigentes de ambos os lados, por suas atitudes provincianas e de baixaria pura, antes do jogo, produzindo fatos que vêm se repetindo sistematicamente a cada confronto.

Ao invés de brigarem juntos por causas maiores, tais como uma melhor divisão das cotas de TV, deixando o protagonismo para os jogadores em campo, esses cartolas gostam de aparecer mais do que podem, se engalfinham por migalhas e outras insignificâncias, como preços de ingressos, bandeiras e instrumentos musicais de torcidas. Uma vergonha!

Ainda bem que hoje temos as redes sociais, e os torcedores dos dois lados se manifestaram, indignados com as baixarias. Diante da repercussão negativa, a cartolagem resolveu baixar a bola.
Depois de uma reunião foi anunciada a trégua, com a promessa de que nos próximos clássicos tudo será diferente, com o Estádio Mineirão tendo torcida e renda divididas, etc e coisa e tal.

Tomara, tomara mesmo que, desta vez, de fato seja algo sério, e não promessas ao vento que se desfazem após a primeira confusão entre eles, transformando o ambiente neste balaio de gatos que estamos acostumados a ver.

Pouco futebol
Dentro de campo, o futebol praticado pelos dois times foi sofrível a maior parte do tempo. Na etapa inicial o Galo foi melhor, criando duas ótimas chances com Luan e Cazares, mas esbarrou no fabricianense Rafael, um reserva de luxo do Cruzeiro, que poderia ser titular em qualquer outra equipe da Série A.

No segundo tempo, os reservas do Cruzeiro tiveram um ‘upgrade’ com as entradas de Sassá e Thiago Neves, passando a dominar o meio-campo, com a colaboração do técnico Thiago Larghi, que outra vez mexeu mal no seu time, ao trocar Adilson por Galdezani, ao invés de Zé Welisson, o que fragilizou a marcação atleticana, além de trocar o cansado Luan, que pediu substituição, pelo fraquíssimo Edinho.

Quase no fim da partida, o zagueiro Murilo, na pequena área, só não fez o gol que certamente daria a vitória ao Cruzeiro porque o goleiro Victor fez mais um de seus ‘milagres’, salvando a meta atleticana.

O Galo tinha uma série de motivos para vencer o clássico e desperdiçou uma grande oportunidade. Já o Cruzeiro, cujo foco principal é o jogo de amanhã, contra o Boca Juniors, na Argentina, pela Copa Libertadores, poderia ter vencido e deve comemorar a determinação de seus jogadores reservas, que neste aspecto não deixaram nada a desejar.

FIM DE PAPO
• Outro ponto a destacar neste clássico, pelo lado do Cruzeiro, foi a volta em grande estilo de Sassá, após três meses afastado dos gramados, por conta de uma cirurgia no joelho. Sassá está fininho, aparentemente em boa forma física, tanto é que deu um trabalho danado à zaga do Galo, e pode se tornar uma boa opção de ataque nos próximos jogos decisivos da equipe pela Copa do Brasil e Libertadores.

• No passado, as estrelas do futebol eram os jogadores. Depois surgiram os treinadores, cuja importância foi superestimada e valorizada. Um exemplo disso são as entrevistas coletivas pós-jogo, onde só eles falam e na maioria das vezes produzem pérolas que fariam o banquete do jornalista Sérgio Porto e o seu personagem Stanislaw Ponte Preta, grande sucesso editorial nos anos 60/70, publicado semanalmente e que depois rendeu um livro chamado “Febeapá - Festival de besteiras que assola o país”.

• Mano Menezes, como todos os treinadores de ponta do nosso futebol, alterna bons e maus momentos nessas tais “coletivas”. Quando o Cruzeiro perde, ele normalmente põe a culpa nas arbitragens e vai muito mal. Quando o resultado é favorável, costuma dar explicações detalhadas do time e do jogo, usando inteligência e bom humor nas respostas. O que torna a entrevista produtiva para os jornalistas e atraente para o ouvinte ou telespectador.

• Já outros treinadores, como o jovem Thiago Larghi, do Atlético, são previsíveis, chatos, repetitivos, tratam erros e virtudes do time e dos jogadores como se fosse tudo normal, enfim, suas entrevistas são uma perda de tempo para todo mundo. Por ser inexperiente, Larghi não pode ser defenestrado por completo, mas é óbvio que não sabe mexer na equipe.

Devido à crise financeira que o Atlético atravessa, é compreensível a decisão da diretoria de não contratar um técnico da prateleira de cima, mais experiente e competente. O que não pode é tornar definitiva a solução paliativa encontrada em Thiago Larghi. Para o próximo ano, a diretoria alvinegra deveria repensar esta situação, caso queira sonhar em conquistar títulos de maior expressão.

“A maioria dos técnicos conhece bem os esquemas táticos e as estratégias dos adversários. A diferença está no comando, na execução. Não basta saber como fazer. É preciso saber fazer”. Tostão. (Fecha o pano!)
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