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15 de setembro, de 2018 | 09:47

Polêmicas desnecessárias

Fernando Rocha

Divulgação
Hoje tem mais um clássico Cruzeiro x Atlético pelo Campeonato Brasileiro, cercado de expectativa e, sobretudo, envolto em polêmicas e provincianismo desnecessários, o mais do mesmo que se repete entra ano e sai ano, toda vez que os dois maiores rivais aqui dos nossos grotões se encontram.

Cartolas, ‘aspones’ e ‘aparícios’ em geral, dos dois lados, aproveitam o espaço aberto pela mídia, ávida por audiência, para conseguir um minuto de fama à custa do sacrifício, boa fé e paixão dos torcedores, criando empecilhos, como se isto os leve a ganhar algum troféu.

Foi assim no 1º turno, onde o mando de campo era do Atlético, no Estádio Independência, local totalmente inapropriado para sediar um jogo dessa grandeza, que aumentou abusivamente para R$ 120 o valor do ingresso para os cruzeirenses.

Agora foi a vez da diretoria do Cruzeiro dar o troco, muito além da mesma moeda, com um grau de sarcasmo acima de qualquer expectativa, ao fixar o preço do bilhete para os atleticanos em R$ 240, cerca de duas vezes e meia o valor médio cobrado dos cruzeirenses, além de proibir à torcida adversária portar bandeiras, instrumentos musicais etc.

Bons tempos eram aqueles em que o Mineirão era dividido ao meio e recebia mais de 100 mil torcedores nos clássicos entre os nossos dois maiores rivais, numa das festas do futebol mais bonitas deste planeta. Quem viu, viu, e quem não viu... só resta a alternativa do YouTube.

Disse tudo
O personagem da semana passada novamente foi um treinador - na anterior Cuca, colocou o dedo na ferida e mostrou a incompetência da administração do próprio clube.

Desta vez, Adílson Batista, técnico do América, falou as verdades para dirigentes e parte da imprensa ouvir sobre este calendário maluco, com jogos até três vezes por semana em competições diferentes, que arrebenta com os jogadores e não permite que se jogue um futebol de boa qualidade técnica.

Após o péssimo futebol apresentado de América x Ceará, no 0 x 0 sob um sol escaldante das 11h no Independência, o técnico Adilson Batista disse em tom de desabafo: “Não adianta ficarmos reclamando, nós treinadores e atletas, para apresentar um jogo de bom nível. Dava para ter colocado às 17h, você ameniza, dá para tirar as 20 datas de Estadual, que não vale nada, não leva a lugar nenhum, não joga contra ninguém.

Só por causa da Federação, recebe R$ 100 mil e fica esses campeonatos estaduais. Aí fica esse futebol que vocês estão vendo: lento, preguiçoso, e eu mostrei para eles. Eu vi Brasil e Estados Unidos, você vê futebol de alto nível, jogadores tops, todos fazem andar rápido. É muita velocidade, muita intensidade. Ninguém fica penteando a bola. Aí você tem que viajar para Uberaba, Uberlândia, tem que ir lá para Ituiutaba, aí vai chegar aqui, meio de agosto e setembro, está cansado.

Mas quem comanda o futebol não enxerga isso. Não adianta eu ficar falando, outros treinadores já falaram. Tem 44 finais de semana, tem 88 datas, quarta e domingo para fazer decentemente um Campeonato Brasileiro. Mas eles não querem. É político, é um reflexo do que estamos vendo aí, só tem ladrão neste país”.

FIM DE PAPO
• Pena que a CBF, Federação Mineira e as demais obsoletas entidades iguais à ela, espalhadas de norte a sul do país, assim como a emissora que paga caro e patrocina essa balbúrdia, todos quietinhos e bem acomodados na zona de conforto, não estejam nem aí para o problema do calendário, desnudado pelo técnico do América, Adílson Batista, em suas declarações. Como disse o maestro Tom Jobim: “O Brasil não é para amadores”.

• Quanto aos times para o clássico de hoje no Mineirão, o técnico Mano Menezes disse, logo após a vitória sobre o Palmeiras, que irá mandar a campo um time todo reserva, porque na próxima quarta-feira vai à Argentina pegar o Boca Juniores, pelas quartas de final da Libertadores, aí então vai usar a força máxima. Embora sem vencer nas últimas três rodadas, este time “alternativo” do Cruzeiro tem jogadores de boa qualidade, exceção dos laterais Ezequiel e Marcelo Hermes, em condições de vencer o clássico, ainda mais apoiado pela maioria dos torcedores presentes no Mineirão.

• No Galo há algumas dúvidas, principalmente no meio de campo, onde o técnico Thiago Larghi pode escolher entre Elias ou Galdezani, mas é certo a volta do colombiano Chará, que esteve ausente nos dois últimos jogos por estar atendendo a seleção de seu país. O resultado é muito mais importante para o Atlético, que briga na parte de cima da tabela, por isso terá de ser mais ofensivo.

• Continua rendendo polêmica o gol não validado no finzinho da partida, que poderia ter tirado a vitória de 1 x 0 do Cruzeiro sobre o Palmeiras pela Copa do Brasil. Vi o lance dezenas de vezes e continuo achando que não ouve falta do Dracena em Fábio. Isto é fato e o Palmeiras tem razão de reclamar. Mas acontece que o juizinho fraquinho marcou a falta, um lance interpretativo, portanto, sem direito ao VAR. A jogada seguiu e o gol saiu, mas não deveria valer mesmo. Resumo da ópera: o VAR, ainda mal interpretado neste início de utilização aqui no Brasil, não irá acabar com todos os erros do futebol, mas diminuí-los. E o Palmeiras que vá chorar na cama, onde é mais quente. (Fecha o pano!)
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