08 de setembro, de 2018 | 09:31

A fila anda

Fernando Rocha

Divulgação
O Brasileirão ganhou um novo líder - o Internacional - no meio da última semana, que empatou em número de pontos (46) e superou o São Paulo nos critérios técnicos, transformando a disputa atual numa das mais acirradas dos últimos tempos.

A 24ª rodada, que começou ontem, terá como destaque três clássicos estaduais: Fluminense x Botafogo, no Rio de Janeiro; Palmeiras x Corinthians, em São Paulo; e o gaúcho Gre-Nal, no Beira-Rio completamente lotado por uma maioria colorada, já que o Internacional é o mandante, enquanto o rival Grêmio, com 41 pontos ganhos, em 5º, também aspira o título.

A rodada será encerrada amanhã, quando Galo e Atlético do Paraná se enfrentarão no Independência. Mas até lá muita coisa pode mudar, dependendo do resultado de São Paulo x Bahia, que jogaram ontem no Morumbi, além do clássico paulista desta tarde, entre o embalado Palmeiras de Felipão, que recebe em sua casa o Corinthians, agora comandado por Jair Ventura. A fila anda.

Mineiros em ação
Quando o jogo é pelo Brasileirão, nem mesmo o mais fanático cruzeirense reclama da escalação do time, quase sempre “alternativo”, além do estilo de jogo preguiçoso, pragmático, previsível, que, nas últimas cinco rodadas, obteve apenas uma vitória e quatro empates, sobretudo graças ao goleiro Fábio e suas defesas milagrosas, muito diferente do outro que disputa na cabeça os títulos da Copa do Brasil e Libertadores.

Ontem, em Recife, diante do desesperado Sport, que luta para escapar do rebaixamento, o técnico Mano Menezes optou novamente pela escalação de um time “alternativo”, poupando titulares importantes como Thiago Neves, pois o pensamento está voltado mesmo é para o jogo de quarta-feira contra o Palmeiras, em São Paulo, pela semifinal da Copa do Brasil.

O Atlético voltou a ser, na vitória sobre o São Paulo, o time que a sua torcida gosta de chamar de seu, onde não existe bola perdida e todos os jogadores se doam, se dedicam de maneira igual, marcando forte e dando carrinho até na placa de publicidade.

A questão agora é se vai repetir esse estilo “Galo doido” nos próximos jogos, a começar amanhã, no Estádio Independência, contra o “Furacão” paranaense, uma equipe que nos últimos oito jogos sofreu apenas uma derrota, contra o Palmeiras, na rodada passada.

Com uma campanha cheia de altos e baixos, a situação do Atlético é imprevisível: aspirar ao título é utopia; vaga na Libertadores de 2019 é possível; pode também ter uma recaída e ficar de fora até da Sul-Americana, competição que sua diretoria considera o pior dos mundos.

FIM DE PAPO
• O América subiu para o 9º lugar, com 29 pontos, encostado ao Corinthians (30) e Cruzeiro (32), que estão logo acima. A vitória incontestável de 2 x 1 sobre o Vasco da Gama mostrou que o Coelho possui um time organizado taticamente, coroando o bom trabalho que vem sendo realizado pelo técnico Adilson Batista. Caso vença o Ceará, seu concorrente direto, hoje, no Independência, o América poderá até sonhar com algo além do seu objetivo principal, de apenas lutar para permanecer na Série A.

• É impressionante a draga dos quatro “grandes” clubes cariocas neste Brasileirão, apesar do faturamento muito superior, por exemplo, do que recebem de cotas da TV e de patrocínios o Atlético, Cruzeiro, América, Inter e Grêmio.

Na 23ª rodada o Botafogo foi goleado pelo Grêmio por 4 a 0; o Vasco, pelo Santos, por 3 a 0; o Flamengo perdeu de 1 a 0 para o Ceará, então o penúltimo colocado da competição, em pleno Maracanã; e por fim o Fluminense conseguiu um empate “heroico” de 1 a 1 com o São Paulo, que jogou com dez jogadores desde o primeiro tempo. Na rodada passada novamente nenhum carioca venceu: Botafogo e Fluminense empataram em casa, Flamengo e Vasco perderam fora.

• Sob os olhares de desprezo da torcida e revolta dos principais clubes, que ficarão desfalcados de jogadores importantes nas partidas decisivas da Copa do Brasil e Libertadores, a Seleção da CBF iniciou na última sexta-feira, nos Estados Unidos, contra uma seleção local, um novo ciclo sob o comando do técnico Tite, visando a Copa América que será disputada em 2019, aqui no Brasil, e pensando lá na frente, na Copa de 2022.

• Não há certeza de ninguém, sejam jogadores, ou o próprio técnico Tite e sua comissão técnica, que estarão na Seleção no próximo Mundial. Quanto à chiadeira dos clubes, é apenas um jogo de cena para justificar eventuais fracassos, pois não fazem nada para mudar a situação, encabrestados pelas obsoletas federações e a CBF.

O deputado e ex-senador José Augusto Ferreira Filho, velha raposa do antigo PSD no século passado, costumava se referir aos adversários nos discursos de campanha, na região de Caratinga e grotões da bacia do Rio Doce, com uma frase que cabe muito bem aos atuais dirigentes do nosso futebol: “Farinha podre embolada num saco só... rio de correnteza brava neles”. (Fecha o pano!)
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