25 de agosto, de 2018 | 09:54
Muito equilíbrio
Fernando Rocha
O Brasileirão está ficando cada vez melhor, ótimo no quesito equilíbrio, com a disputa acirrada pelas primeiras e últimas colocações. É fato que a competição de pontos corridos, que deveria ser a mais importante do calendário nacional, está longe de ser comparada com os principais campeonatos europeus do ponto de vista técnico, sobretudo porque os nossos melhores pés de obra” estão lá, na Europa, a maioria levados ainda muito jovens e a preço de banana.Mas algo que lá não existe nós temos de sobra aqui: equilíbrio e emoção, que persiste nos dois extremos da tabela e deverá continuar assim até o fim. A próxima rodada do Brasileirão é prova disso, pois neste domingo estarão em campo os três primeiros colocados - São Paulo, Internacional e Flamengo -, com diferença de apenas dois pontos entre eles, e qualquer um deles pode terminar na liderança.
Na parte de baixo, onde a luta é para permanecer na Série A, a diferença é de apenas três pontos do Bahia, em 11º, com 22 pontos, para o Vitória, em 17º, com 19, o primeiro da zona de rebaixamento. Como gostam de dizer no rádio alguns narradores do futebol: Haja coração para tanta emoção”, em especial quando chegarem as dez últimas rodadas, onde tudo será decidido.
Metido a besta
A pior coisa que pode existir em uma família, ou no trabalho, é o sujeito metido a besta. O que é isso? Aquela pessoa que se acha, que pensa que é aquilo que não é, o que contamina o ambiente com suas atitudes inconsequentes ou infantis.
Luan, 28 anos completados no último dia 11, jogador de boa técnica e muita garra no meio campo do Atlético, reverenciado pela mídia, tratado como ídolo pela torcida, salário de R$ 400 mil mensais, fora outras vantagens, o segundo maior do clube - só perde para o goleiro Victor -, é um exemplo de gente com esse tipo de personalidade.
Após a excelente atuação do time e a vitória no Rio de Janeiro (3 x 0) sobre o Botafogo, pela enésima vez Luan passou das medidas com declarações à imprensa, reclamando sabe-se lá do quê. Criancice, meninice, babaquice ou qualquer outra sandice da sua parte, que já tem idade mais do que suficiente para raciocinar e entender que a lua não é queijo.
Sem condições físicas para atuar durante 90 minutos, por seu histórico de contusões, Luan tem ficado na reserva, pois comprovadamente rende melhor quando entra no início do 2º tempo, pegando os adversários desgastados. Tanto é assim que, dos cinco gols que marcou na temporada, quatro foram depois de ter entrado com a partida em andamento.
Apelidado de Menino Maluquinho”, criação do cartunista Ziraldo, Luan deveria se inspirar no próprio personagem, inquieto, aquele que faz suas molecagens, mas não rasga dinheiro e muito menos bebe água quente.
FIM DE PAPO
A crise econômica que o país atravessa também atinge em cheio as grandes empresas de comunicação. Pouca gente percebeu, mas alguns dos principais campeonatos europeus já tiveram início, há pelo menos quinze dias, entre eles o francês e o italiano, sem que nenhuma rede de TV tenha adquirido os direitos de transmissão.
Os fãs de Neymar e Cristiano Ronaldo, mesmo que timidamente, já começam a reclamar disso nas redes sociais. Mas enquanto o preço não baixar, vão ter que se contentar em assistir apenas seus gols ou os melhores lances das partidas que disputam lá fora.
E continua a chiadeira dos clubes com a convocação de seus jogadores para dois amistosos caça-níqueis da Seleção da CBF nos Estados Unidos, contra a própria seleção norte-americana e El Salvador. A única exceção é o Palmeiras, que não teve jogador convocado.
Agora o Grêmio também entrou na briga, pedindo o adiamento de dois jogos pelo Brasileirão, um deles o clássico contra o Internacional, por ceder o jogador Éverton. Antes, Cruzeiro e Flamengo já haviam solicitado à CBF adiar seus jogos, pois no dia 12 ambos estarão jogando pelas semifinais da Copa do Brasil, contra Corinthians e Palmeiras, respectivamente, mas até agora nada conseguiram.
O encantamento da imprensa de Belo Horizonte com o técnico do América, Adilson Batista, chegou ao ponto máximo na última quarta-feira, após a vitória de 2 x 0 sobre o Sport, na Ilha do Retiro, em Recife, onde sempre é difícil jogar. Foi a terceira vitória sob o comando do professor Pardal”, pois antes o Coelho já havia derrotado o Santos na Vila Belmiro e o Internacional em casa.
Adilson Batista continua sendo agitado e falante do mesmo jeito no banco de reservas, durante as partidas, tentando orientar os jogadores do clube que lhe reabriu as portas do futebol. Os três anos que passou na geladeira, depois de ter dirigido alguns dos principais clubes nacionais, o deixaram bem mais humilde e menos arrogante nas entrevistas. Não sabemos ainda se ele vai conseguir livrar o América do rebaixamento, embora o começo seja de fato promissor. Uma de suas expressões mais famosas pode ser usada para definir a situação atual do Coelho: - Vamos aguardarrrr! (Fecha o pano!)
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