20 de agosto, de 2018 | 14:11

Disputa equilibrada

Fernando Rocha

Divulgação
Terminou o 1º turno do Campeonato Brasileiro, com o São Paulo líder e fortíssimo candidato ao título, com 41 pontos ganhos, perseguido de perto pelo Internacional (38), Flamengo (37), Grêmio (36), Galo e Palmeiras (33), o que demonstra o equilíbrio da disputa, algo que não se vê nos principais campeonatos europeus.

O Cruzeiro só empatou com o Bahia (1 x 1) no Mineirão e terminou em 8º lugar, com 26 pontos, o que, na prática, o coloca fora da disputa pelo título, muito pela opção feita de priorizar outras competições, como a Copa do Brasil e Libertadores, onde faz boas campanhas.

O América, em jogo muito ruim, empatou (0 x 0) com o Fluminense e terminou em 10º lugar, com 22 pontos, três à frente do Vitória, o primeiro da zona de rebaixamento, ainda mantendo-se vivo na luta para permanecer este ano na Série A.

Acertou o passo
O Atlético foi o destaque dos mineiros ao derrotar o Botafogo, no Rio de Janeiro, por 3 x 0, placar que poderia ter sido mais dilatado ainda se o vice artilheiro da competição, Ricardo Oliveira, estivesse em uma tarde inspirada, tal o número de chances desperdiçadas por ele.

Diante de um time como o Galo, que, após o desmanche sofrido na parada da Copa, parece ter acertado o passo com jogadores velozes, que sabem aproveitar o espaço para criar problemas ao adversário, oferecer o privilégio de engatar contra-ataques é fatal. E o Botafogo sofreu as consequências disso, pois desta vez o Atlético esteve firme na defesa, uma das piores da disputa, mas novamente agressivo e contundente no ataque, o mais positivo da competição e ponto forte da equipe.

Luan entrou por volta dos 15 minutos da etapa final e deu outra cara ao time, sendo o autor do primeiro gol após troca de passes com Emerson e Galdezani, além de ditar o ritmo da partida. Os outros dois gols atleticanos saíram naturalmente, em contra-ataques mortais, o segundo puxado por Chará e concluído por Cazares; o terceiro concluído por Tomaz Andrade com assistência de Ricardo Oliveira.

Esta segunda vitória consecutiva dá ao Atlético fôlego suficiente para continuar sonhando com o título, até porque, assim como o líder São Paulo e o vice Internacional, não terá que dividir as suas atenções com outras disputas.

FIM DE PAPO
• De uma coisa todos nós concordamos: pouquíssimas vezes uma convocação da Seleção Brasileira repercutiu tão mal como esta última, feita para dois amistosos caça-níqueis nos Estados Unidos, em setembro, cujo principal objetivo é encher ainda mais os cofres já recheados da CBF. O mais interessante é que a revolta não se deu por causa de jogadores ausentes da lista, o que seria normal, mas exatamente pelo inverso, ou seja, pelos nomes que fazem parte da lista do técnico Tite.

• Na medida em que estão disputando uma fase decisiva da Copa do Brasil, Corinthians, Cruzeiro e Flamengo foram sensivelmente prejudicados para os primeiros jogos das semifinais da competição.

Dedé pelo Cruzeiro, Paquetá pelo Flamengo, e Fagner, do Corinthians, não poderão defender suas equipes na rodada do dia 12 de setembro, quando se enfrentarão Corinthians x Flamengo e Cruzeiro x Palmeiras, este o grande beneficiado, pois não teve jogador convocado.

E vejam só: a Seleção da CBF e do Tite vai jogar contra a “poderosíssima”, a grande “potência” do esporte mundial chamada El Salvador, no dia anterior aos jogos da Copa do Brasil.

• A imprensa esportiva foi muito criticada após a eliminação da seleção na Copa do Mundo. Houve de fato um excesso de encantamento com o trabalho do técnico Tite, mas após a entrevista coletiva onde anunciou a última convocação, deu para sentir que a lua de mel terminou. As perguntas feitas foram diretas, sem babação de ovo, sem exageros, sem caça às bruxas ou clima de terra arrasada.

O problema foi o técnico e suas respostas, sempre evasivas, se esquivando, saindo pela tangente. Enfim, continuo achando que a continuidade do seu trabalho foi a decisão mais correta, mas foi bom vê-lo questionado, fora da zona de conforto, ao ponto de até mesmo subir o tom de voz em alguns momentos.

• No bom jogo de sábado à noite, quando o Grêmio derrotou o Corinthians por 1 x 0, no Itaquerão, o personagem foi o técnico Renato Gaúcho. Um garoto de 10 anos, aproximadamente, acompanhado do que poderia ser seu pai ou avô, passou a lhe dirigir palavrões de deixar qualquer pessoa do bem com os cabelos arrepiados.

Bem-humorado, calmamente, Renato Gaúcho virou-se para o garoto e fez o papel de um pai, ao pedir que o garoto fosse mais educado e parasse com aquele comportamento hostil. Atitudes como a desse garoto são consideradas normais nos estádios de futebol do nosso país, reflexo de uma sociedade que carece de boa educação, bons modos, civilidade. Parabéns ao Renato Gaúcho pela atitude e nota zero aos responsáveis pelo garoto boquirroto, que assistiram toda a cena como se aquilo fosse coisa normal. (Fecha o pano!)
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