18 de agosto, de 2018 | 11:21

Outro desafio

Fernando Rocha

Divulgação
Superadas as emoções da decisão, onde passou pelo Santos e conquistou a vaga na semifinal da Copa do Brasil, o objetivo do Cruzeiro agora é a recuperação no Campeonato Brasileiro. O próximo mata-mata decisivo, contra o Flamengo, pela Libertadores, só acontecerá no dia 29 deste mês, no Mineirão, e o Cruzeiro tem uma excelente vantagem por ter vencido a primeira partida por 2 x 0, na casa do adversário.

Até lá o Cruzeiro fará três jogos pelo Brasileirão - Bahia em casa, Grêmio fora e Fluminense em casa -, precisando somar pontos para deixar a incômoda posição (8º lugar, 25 pontos) e voltar a figurar entre os primeiros colocados.
Se bem que, com essa quantidade de jogos decisivos, fica difícil para o técnico Mano Menezes administrar o emocional dos jogadores, sendo natural que eles não consigam manter a mesma pegada dos torneios mata-mata no Brasileiro de pontos corridos. Daí ninguém estranhar o rodízio de jogadores e até do time inteiro.

O Cruzeiro não vence há quatro partidas na maior competição nacional, mas mesmo assim, para a sua torcida, torna-se irrelevante se vai usar o time principal ou não, pois o que interessa mesmo é seguir administrando bem suas metas principais nesta temporada, que são a conquista da Copa do Brasil e a Libertadores.

Melhor jogo
Cruzeiro e Santos fizeram o melhor jogo no meio da semana, entre todos os que definiram os quatro semifinalistas na Copa do Brasil. Confirmando a tradição histórica de ser, desde o século passado, um dos principais clássicos do nosso futebol, Raposa e Peixe reviveram com gols, polêmica de arbitragem e muita adrenalina os áureos tempos em que entravam em campo, entre outros craques, Pelé de um lado e Tostão do outro.

A equipe atual do Santos não atravessa uma boa fase e inclusive frequenta a zona de rebaixamento do Brasileiro, mas se superou com muita garra, ao ponto de surpreender o Cruzeiro com uma virada no placar, levando a decisão para os pênaltis.

Aí então, deu Fábio outra vez, um especialista, ou um autêntico “doutor” neste assunto de defender pênaltis. Só que desta vez Fábio se superou, foi muito além das expectativas, conforme disseram seus próprios colegas de time, fazendo três defesas sensacionais, assegurando assim a vitória e a classificação celeste para a semifinal.

FIM DE PAPO
O VAR (árbitro de vídeo) foi usado pela primeira vez no Mineirão neste jogo Cruzeiro 1 x 2 Santos, com ampla aprovação de todos. As cenas que já são comuns no futebol brasileiro, tais como a interrupção da partida porque os jogadores estão em clima de guerra, empurram uns aos outros, ofendem, chamam para a briga, criam confusão, mostram falta de educação e civilidade, não acontecem quando se tem o VAR por medo de punições.

Para fugir à regra, o juizinho fraquinho Rafael Tracy (PR) terminou a partida com o Santos no ataque, em boa condição até de fazer o gol, o que gerou revolta nos jogadores do Peixe, culminando com a expulsão do seu goleiro reserva. Jogadores santistas cercaram o árbitro para reclamar e o técnico Cuca, tradicional reclamador das arbitragens, disse na entrevista pós-jogo que este fato desestabilizou a equipe, que não conseguiu converter nenhuma das três cobranças de pênaltis. Ele só se esqueceu de mencionar que, na jogada de contra-ataque do Santos, interrompida pelo apito do árbitro, houve falta clara em Raniel na sua origem, o que por si só já invalidaria o lance.

O Atlético precisa vencer o Botafogo no Rio de Janeiro, hoje, se quiser de fato sonhar em brigar pelo título. O alvinegro carioca tem sido, nos últimos anos, um azarão do Galo, o que traz certa preocupação à torcida, até porque o Fogão conseguiu se classificar no meio da última semana pela Copa Sul Americana. Cazares terá outra chance como titular e o jovem Natan continua na equipe como principal armador. Apesar de ter feito uma excelente apresentação contra o Santos, não dá para cravar nada quando se trata do Galo, cuja principal marca nesta temporada é a oscilação.

Tornou-se no mínimo curiosa a forma como temos abordado derrotas recentes dos clubes brasileiros, que estão às voltas com maratonas insanas de jogos. Quando um deles lança mão de onze reservas e perde, o debate é se aquela partida era a ideal para o “time alternativo”. Se a derrota vem jogando com a formação principal, inverte-se a discussão: não teria sido equivocado repetir a formação com atletas desgastados? É um hábito nacional varrer a sujeira para debaixo do tapete, e no caso do futebol é driblar a raiz dos problemas. Todos reclamam do calendário maluco, mas nada fazem para resolvê-lo. (Fecha o pano!)
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