17 de agosto, de 2018 | 16:03
A importância da avaliação do MEC na Educação Infantil
Simone Barros *
A cultura da infância tem ocupado posição de destaque no cenário mundial, seja nos países desenvolvidos, seja nos países em desenvolvimento. Esta centralidade se dá desde a Revolução Industrial, no século 18, quando a mulher passou do papel de dona de casa e criadora dos filhos à gestora da vida familiar. Nasceu então a necessidade de um ambiente para atendimento e acolhimento às crianças e, desde então, o ambiente escolar passou por vários momentos de ressignificação teórica que se estendem até os dias atuais. E entre os destaques contemporâneos, estão em pauta as melhorias para a Educação Infantil.A primeira etapa da Educação Básica, que compreende o atendimento escolar de crianças de zero a cinco anos de idade, é fundamental para o integral desenvolvimento dos pequenos, visto que é o momento de adaptação à rotina pedagógica, em que eles aprendem conceitos básicos necessários às séries iniciais do Ensino Fundamental. Além disso, na Educação Infantil as crianças desenvolvem aspectos cognitivos, afetivos, emocionais e físicos, ampliando conhecimentos sobre sua realidade social e cultural, contribuindo para a construção da identidade e o exercício da cidadania.
Partindo dessa premissa, o MEC pretende implantar em parceria com o INEP, que realiza avaliações educacionais em variados níveis de ensino a Avaliação Nacional da Educação Infantil (ANEI), a fim de monitorar o nível da Educação Infantil no país. A ANEI surgiu da necessidade de se obter informações sobre a qualidade da Educação Infantil, visando oferecer às crianças uma escolarização de qualidade desde os primeiros anos na escola.
A avaliação deve ser realizada a cada dois anos, por meio de questionários baseados em parâmetros nacionais de qualidade da Educação Infantil publicados pelo MEC, que deverão ser preenchidos pelos profissionais e gestores de instituições e sistemas de Educação Infantil (creches e pré-escolas), visando aferir os recursos pedagógicos; perfil dos educadores; condições de gestão; infraestrutura física; situação de acessibilidade e oferta de vagas, bem como outros indicadores relevantes.
A interpretação dos resultados da avaliação poderá contribuir para a melhoria da qualidade educacional em pontos importantes como o processo de formação contínua dos profissionais, a busca da igualdade de oportunidades em meio às diversidades e desigualdades sociais e a objetividade na construção do currículo.
A Educação Infantil prova a cada dia que é primordial na aprendizagem efetiva, a partir do uso de ferramentas essenciais para este período escolar, como o cuidado com a organização dos espaços e materiais; a promoção de atividades que provoquem o desenvolvimento de capacidades; a garantia do direito ao brincar como forma genuína de aprendizado e prática de atividades lúdicas como ferramenta facilitadora na aprendizagem. Mas há de se pensar em melhorias na qualificação dos profissionais.
Acredito que a Avaliação Nacional da Educação Infantil virá para agregar valores no que tange à resolução e enfrentamento de problemas desta fase escolar. Sabemos das muitas arestas a serem aparadas. A Educação Infantil necessita de cuidados e um olhar diferenciado, tendo vista que se trata do verdadeiro alicerce da aprendizagem, onde a criança se prepara para as próximas etapas educacionais.
(*) Simone Barros, analista de Operações da Planneta Educação. Contato: [email protected].
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