14 de agosto, de 2018 | 16:50

Paróquia São Sebastião de Coronel Fabriciano: 70 anos de história

Amir Jose de Melo *


Nesta quarta-feira, 15 de agosto, a Paróquia São Sebastião, de Coronel Fabriciano, está completando 70 anos de criação. Uma intensa programação teve início no dia 5 de agosto, preparada por uma equipe coordenada pelo Pároco, Padre José Cláudio Teixeira. São 70 anos de pioneiro trabalho evangelizador empreendido pela instituição, desde a sua fundação, sob a administração dos Missionários Redentoristas.

Até 1959, a Paróquia São Sebastião era a única da região, até ser erigida a Paroquia São José, de Timóteo. Até então eram apenais dois padres, responsáveis por todo o serviço pastoral em uma área que compreendia o atual território do Vale do Aço, estendendo-se até Cachoeira Escura, área maior que diversos países da Europa.

Em 1948, quando se instalou a paróquia, parte do Vale do Aço se cobria com a vegetação nativa de Mata Atlântica. A comunicação era precária, com as localidades ligadas por estradas sem pavimentação. A Estrada de Ferro Vitória a Minas era o único meio de ligação com a capital. Desta forma, os deslocamentos eram feitos com grande dificuldade.

Os poucos carros que haviam por aqui eram de propriedade das duas empresas do ramo siderúrgico que atuavam na região: a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, que desde a década de 1930 explorava a madeira das matas locais, transformando-a em carvão para alimentar os fornos de sua usina, em João Monlevade, e a Acesita - Companhia Aços Especiais Itabira, atual Aperam South America.

Estas empresas cediam os veículos com motorista para o transporte dos religiosos até as localidades no Vale do Aço. Quando não era possível usar carros, especialmente em épocas de chuva forte, a locomoção era feita no lombo de cavalos. Para os povoados situados ao longo da estrada de ferro, os padres usavam os trens.

Em meados da década de 1950, o empresário José Avelino Barbosa adquiriu um automóvel Chevrolet, um dos primeiros veículos particulares da região. E por incontáveis vezes ele transportou os padres nos momentos de serviço às comunidades distantes.

Desde o principio, os Redentoristas assumiram o trabalho pastoral com forte ardor missionário, testemunhando os mais expressivos momentos históricos da região. Eles viram Coronel Fabriciano tornar-se município, em 1949, celebrando a missa de posse do primeiro prefeito, Rubem Siqueira Maia. Em 1964 viram o nascimento dos municípios de Ipatinga e Timóteo, em territórios desmembrados de Coronel Fabriciano. Assistiram também à instalação da Acesita. A primeira corrida do gusa na empresa recebeu a benção solene do Pároco, Padre José Gonçalves da Costa.

Acompanharam passo a passo a construção da Usiminas, prestando assistência religiosa aos trabalhadores, e assistindo materialmente as famílias que vieram em busca de novas oportunidades e as vezes tinham dificuldade para se firmar.
Além do trabalho religioso, os redentoristas empreenderam vários projetos pioneiros na região. A Rádio Educadora é um exemplo. Instalada em 1968, foi a primeira instituição de transmissão radiofônica do Vale do Aço.

Na área social, três grandes projetos redentoristas se destacam: a Cidade dos Meninos, no bairro Caladinho do Meio, que atua na assistência a infância, obra idealizada por Dom Lélis Lara; o Lactário Dom Helvécio, criado na década de 1960, que atua na assistência a mães carentes; e o Centro de Pastoral e Comunicação, que oferece cursos como os de informática, teatro e dança; serviço de biblioteca e assistência psicológica a famílias carentes, com profissionais especializados.

No campo cultural a paróquia é referência histórica por preservar três edificações tombadas como Patrimônio Cultural: o Salão Paroquial Dom Lélis Lara; a Capela Nossa Senhora Auxiliadora, anexa ao Hospital Dr. José Maria Moraes; e a Igreja Matriz, que guarda em seu interior 15 quadros do pintor italiano, Carlos Oswald. A Co-catedral, embora não tombada, conserva o único órgão de Tubos do Vale do Aço, além de uma estátua de São Sebastião de três metros de altura, de autoria de Leo Santana, tido como o maior escultor brasileiro atual, que tem entre seus trabalhos a estátua de Carlos Drummond Andrade da praia de Copacabana, no Rio de janeiro.

Os eventos tradicionais promovidos pela Paróquia são de grande relevância histórica e reconhecidos oficialmente como Patrimônio Cultural Imaterial, dentre os quais a Procissão do Padroeiro São Sebastião, que acontece desde 1928; e a Semana Santa tradicional, que conserva as mesmas características desde 1946. Um destaque é o Teatro da Paixão, que acontece na Sexta Feira santa precedendo a Procissão do Enterro, que este ano foi financiada pelo Fundo Estadual de Cultura do Governo de Minas.

Na festa de Corpus Christi o trabalho mistura liturgia, cultura e trabalho comunitário, quando a população se esmera na confecção de ricos tapetes ornamentais sobre as ruas do bairro dos Professores, para a passagem da Procissão em honra ao Santíssimo Sacramento. Completa a lista o Arraiá do Bastião, versão moderna das antigas barraquinhas de São Sebastião, que é a maior festa junina da cidade.

* Amir Jose de Melo, professor de história, Coronel Fabriciano.

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