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13 de agosto, de 2018 | 14:33

Muito estranho

Fernando Rocha

Divulgação
O Flamengo, que briga na cabeça com o São Paulo pelo título, não poupou titulares e foi logo pra cima do Cruzeiro, pois queria apagar a péssima imagem deixada na quarta-feira, quando tomou um vareio do time celeste, perdendo por 2 x 0 diante da sua torcida no Maracanã, dando praticamente adeus à Copa do Brasil.

E assim, com apenas o capitão Henrique de titular absoluto em campo, o Cruzeiro criou muito pouco e foi dominado pelo rubro-negro carioca, que conseguiu fazer no primeiro tempo o gol que lhe daria a vitória apertada no final.

Isto porque, quase no fim do jogo, o técnico Mano Menezes resolveu pôr em campo três titulares importantes - Robinho no lugar do Rafinha, Thiago Neves no de Mancuello e de Arrascaeta no de David -, e o time foi outro, merecendo até o empate.

Agora, o que me chamou mesmo a atenção, por ser algo raríssimo de se ver, foi o chororô pós-jogo do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, em relação à arbitragem, prometendo enviar um protesto oficial à CBF contra o paraense Dewson Freitas, que, a meu juízo, apitou bem e não interferiu no resultado.

Então tá! Desde os tempos da TV em preto e branco e das transmissões sem replay eu não me lembro de ter presenciado uma cena assim, onde o Flamengo (quem diria, hein?) se sinta prejudicado pela arbitragem. Aqui, nos nossos grotões banhados pelo Rio Doce, a gente costuma dizer, diante de situações inusitadas como esta, que “O bezerro não reconhece mais a vaca”.

Não decepcionou
Com o Independência lotado na manhã de um domingo ensolarado e festivo pelo “Dia dos Pais”, o Atlético desta vez não decepcionou a sua torcida, ao derrotar o Santos por 3 x 1.

Apesar de muito modificado pelo técnico Thiago Larghi, a equipe alvinegra foi melhor e mereceu a vitória, sobretudo pelo futebol apresentado no segundo tempo, com destaque para Elias (33 anos), autor do primeiro gol, e Ricardo Oliveira (37 anos), agora vice-artilheiro da competição com nove, mesmo número de gols marcados por Roger Guedes.

Os dois foram os destaques da partida, mesmo com a sensação térmica e umidade do ar aferidas no gramado pela arbitragem, que chegou a acusar quase 42°C e 23%, respectivamente, sendo necessárias duas paradas técnicas para reidratação dos atletas.

FIM DE PAPO
• Terminada a 18ª rodada, falta agora apenas mais uma para fechar o primeiro turno do Campeonato Brasileiro, o que nos permite uma avaliação mais precisa da maior e mais importante competição do nosso calendário. Então vamos lá... Pela ordem, seis times lutam pelo título: São Paulo, Flamengo, Grêmio, Internacional, Galo e Palmeiras, embora o “verdão” paulista, em sexto, esteja a oito pontos do líder, São Paulo, enquanto o Galo, em quinto, também a oito pontos do tricolor, não passe confiança de que tenha um elenco capaz de brigar até o fim.

• Estes seis primeiros, acompanhados de dois que estão no limbo, Corinthians (7º) e Cruzeiro (8º), são os candidatos mais fortes às vagas na Libertadores e Sul-Americana, pois a partir do 9º, Fluminense,- sem contar o seu jogo de ontem à noite no Maracanã contra o então 4º, Internacional -, todos estão convivendo com a ameaça do rebaixamento.

Até então, a 18ª rodada havia registrado 19 gols e média de 20 mil torcedores por partida, dois empates e apenas uma vitória de visitante, a do líder São Paulo, que ganhou do Sport em Recife, 2 x 1, derrubando o técnico do time pernambucano, Claudinei Oliveira, o sétimo a cair somente após a parada da Copa entre os clubes da Série A.

• Durante a Copa do Mundo, o que mais ouvimos foi a palavra “globalização” para exemplificar o futebol das seleções na Copa da Rússia, quase todas com uma mesma filosofia tática de fechar-se na defesa e jogar em contra-ataques. Agora, em relação ao futebol brasileiro pós-Copa, a palavra da moda é “oscilação”. Devido ao nosso calendário maluco, o Cruzeiro, por exemplo, priorizou a Copa do Brasil e Libertadores, deixando o Brasileiro em terceiro plano, onde tem usado times reservas. Com isso, vem deixando pontos no caminho que o afastam da briga pelo título.

• No caso do Atlético é diferente, e a oscilação ocorre por conta de ter sido um dos mais prejudicados pela saída de jogadores, como Roger Guedes, e contusões de outros não menos importantes, como Adílson, Gustavo Blanco e, por último, Fábio Santos. Inexperiente, o técnico Thiago Larghi tem tido dificuldades para remontar a equipe e os resultados negativos acabaram distanciando-o da ponta. O que há de se fazer?

Nossos times, com uma ou outra exceção, não têm consistência, não têm regularidade, não têm padrão. Aliás, no meu modo de ver, mais por causa da oscilação na parte técnica e qualidade individual do que na parte tática. Quem sabe, como consequência da supervalorização da tática em detrimento da qualidade individual dos jogadores. (Fecha o pano!)
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