02 de agosto, de 2018 | 14:45

Os Professores X Governo da mentira

Roberto Carlos Muniz *

"O pagamento do piso nacional é uma reivindicação antiga e um direito que continua sendo negado”


“Temos que estar ao lado dos professores que precisam de amparo e total apoio para vencer essa luta”


Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Minas (TCE-MG) aponta que cerca de 68% dos municípios mineiros não pagam o piso nacional dos professores. Esse dado é revelador sobre a trágica situação vivida por esses profissionais e, por tabela, o nosso sistema educacional público.

O pagamento do piso nacional é uma reivindicação antiga e um direito que continua sendo negado à categoria em nosso estado. Em 2015, os trabalhadores e as trabalhadoras em Educação da rede estadual conquistaram a Lei Estadual 21.710/15, que regulamentou a política do Piso Salarial Profissional Nacional, instituída pela Lei Federal 11.738/08. Essa conquista é resultado de uma luta que começou lá atrás, em 2008, com greves e mobilizações da categoria, movimentos sociais e da sociedade mineira.

Em 2015, o governo assinou, juntamente com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-Ute), um acordo que, entre outros pontos, tratava do pagamento do piso. Mas, três anos depois, o tema ainda vive um impasse, embora a PEC 49/18 do Piso Salarial tenha sido aprovada em 1º turno na ALMG e o Governo do Estado não tenha feito o pagamento integral da 1ª parcela aos trabalhadores da educação.

Como cidadão, e marido de uma educadora, tenho a convicção que a educação deve ser a base da mudança que tanto almejamos. Temos que estar ao lado dos professores que precisam de amparo e total apoio para vencer essa luta. Só teremos uma educação de qualidade para o povo de Minas Gerais se dermos a devida atenção aos direitos salariais dos professores. É preciso valorizá-los e dar a eles as condições ideais para exercerem as suas atividades.

Indo um pouco mais a fundo, o percentual apontado pelo TCE nos diz muito sobre o atual estágio da vida nacional. Na atual conjuntura mundial, onde a 4ª Revolução Industrial está em curso, a informação é uma moeda valiosíssima. E a informação só se obtém por meio da educação. Como desenvolver projetos de alta tecnologia sem profissionais qualificados e prontos para o mercado de trabalho?

Países conhecidos pelo alto nível de desenvolvimento tiveram que avançar na qualidade de ensino e, para isso, investiram fortemente na capacitação de professores. A mensagem que importa é a que ser professor é tão relevante quanto ser engenheiro, médico, advogado, governador, presidente da República.

Para isso ocorrer precisamos de uma mudança radical de mentalidade. Colocar a área de educação e seus profissionais como prioritárias; estudar alternativas para ampliar o investimento, garantindo mecanismos legais capazes de aumentar o percentual repassado às redes públicas de ensino, sem onerar a população, em especial, a mais pobre. Só assim, acredito, teremos um País mais digno de ser chamado como nação.

O momento é de mudança: de comportamento, de atitude, mas, principalmente, de acreditar em homens e mulheres de bem, que fazem do seu ofício diário uma luta permanente a favor da transformação, da valorização do ser humano e do amor incondicional a bandeira da Educação.

* Empresário e Bacharel em Direito
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário