28 de julho, de 2018 | 10:01
Caiu da lista
Fernando Rocha
O esquenta do futebol brasileiro na semana passada foi a dança dos técnicos com a queda de Jair Ventura, no Santos, e de Roger Machado, no Palmeiras, que rapidamente anunciou a contratação do treinador do 7 a 1, Felipão, para o seu lugar.Aqui nos nossos grotões, o América surpreendeu ao trazer de volta ao cenário do qual estava afastado desde 2015, Adílson Batista, cuja estreia não poderia ter sido melhor: vitória de 2 a 0 no Internacional, que valeu ao Coelho a saída momentânea da zona de rebaixamento.
Mas o assunto mais palpitante sem dúvida foi, novamente, o Neymar, o nosso único craque de verdade, ter ficado de fora da lista feita pela Fifa, dos dez indicados a melhor jogador do mundo.
Claro, a Copa do Mundo pesou muito, mas a lesão no pé direito também custou caro a Neymar, que agora vê de perto um jovem atacante, Mbappé, 19 anos, seu companheiro de Paris Saint-Germain, tomar o seu lugar de protagonista no clube francês.
Neymar não foi o que se esperava, mas não pode ser o culpado pelo fracasso da nossa Seleção na última Copa do Mundo. Pelo que jogou no PSG, até se lesionar seriamente e parar por três meses, acho que não poderia ficar ausente de qualquer lista com os dez melhores jogadores do planeta.
Punição exagerada
Cristiano Ronaldo e Messi jogaram muito menos que Neymar e o atacante Salah, do Egito, cuja seleção foi eliminada antes mesmo da brasileira, jogou muito menos ainda. E todos eles estão na lista da Fifa.
Mas se a Copa do Mundo não é a única competição que influi na premiação, entendo que a ausência de Neymar da lista só pode ter sido uma punição às suas quedas teatrais, simulações de falta, malandragem”, sem levar em conta as faltas que sofre e que os árbitros ignoram, justamente por causa dessa encenação toda.
A decisão da Fifa bem que poderia trazer algum benefício, no sentido de colaborar para o amadurecimento de Neymar, pois apesar dos 26 anos de idade, ainda é paparicado e age como um menino mimado.
Mas, com o pai que tem, essa demora do Neymar em atingir a maturidade não é nenhuma surpresa. De qualquer forma, o sonho dele de sentar no trono de maior jogador do planeta, onde já estiveram Kaká, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Romário, vai demorar um pouco mais a se realizar, ou quem sabe nunca tornando-se um novo Robinho (ex-Galo), ou talvez na próxima Copa, isto se já tiver virado um adulto.
FIM DE PAPO
O técnico Mano Menezes fez uma aposta contra o Corinthians na última quarta-feira e se deu mal. Deixou Robinho e Arrascaeta, entre outros titulares, no banco de reservas, mas o time não jogou bem e perdeu de 2 a 0. Hoje, contra o vice-líder, São Paulo, no Mineirão, fica a dúvida se o treinador irá poupar titulares novamente ou entrar com a força máxima, até porque na quarta-feira o adversário é o Santos, no Pacaembu, pelas quartas de final da Copa do Brasil.
Pressionado depois de duas derrotas consecutivas para Grêmio e Palmeiras fora de casa, o Galo voltou ao Independência e, mesmo com muitas dificuldades, conseguiu uma vitória de 2 a 0 sobre o Paraná, subindo novamente na classificação para o terceiro lugar. Mesmo com a volta do capitão Léo Silva a defesa continua sendo o principal problema da equipe, que amanhã tenta engatar outra vitória diante do Bahia, em Salvador, para pegar o elevador rumo à ponta da maior disputa nacional.
A semana passada foi também de muita tristeza no meio do futebol e do rádio esportivo, em razão de duas perdas significativas. Faleceu em Ipatinga, aos 84 anos de idade, o ex-jogador e técnico Percy Gonçalves, que atuou em vários clubes profissionais do país e no futebol amador da região. Percy comandou também as categorias de base do Atlético, revelando vários jogadores que se destacaram no cenário nacional. Era muito querido no meio esportivo e vai deixar saudades.
Luto também na crônica esportiva que perdeu um dos melhores repórteres de sua história, Mauro Neto, 78 anos, que faleceu em BH, após longa enfermidade. Mauro iniciou no rádio de São Paulo e veio na década de 70 para BH, onde atuou na Guarani, Inconfidência e Itatiaia, de onde se desligou em 2006. Teve também uma meteórica passagem como repórter freelancer pela Rádio Vanguarda ,em 1986, levado pelo saudoso comentarista Aloysio Martins, de quem era muito amigo. Durante mais de 20 anos cobriu o América e era chamado de repórter alegria” por sua irreverência. Nesses últimos anos, vinha atuando no rádio de Poços de Caldas sua terra natal. A coisa ruim de se ficar velho é ver os amigos morrendo e a gente de mãos amarradas”. Bertrand Russell. (Fecha o pano!)
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