25 de julho, de 2018 | 18:26

Percy Gonçalves deixa saudades no futebol do Vale do Aço

Com personalidade marcante, Percy deixa lembranças de grandes momentos para a família e colegas do mundo futebolístico

Jogador de futebol e exímio treinador com histórico em diversos clubes mineiros e de outros estados, Percy Gonçalves de Oliveira faleceu na quarta-feira (24), aos 84 anos. Com personalidade marcante, Percy deixa lembranças de grandes momentos para a família e colegas do mundo futebolístico.

Wôlmer Ezequiel
Renato relembra a personalidade do pai em casa e nos camposRenato relembra a personalidade do pai em casa e nos campos
Renato Gonçalves de Oliveira, um dos quatro filhos de Percy e Águida Maria, conta que o comportamento do técnico nos campos era reflexo da figura paterna em casa. “Esta emoção de agora é o prenúncio da saudade. A história do meu pai no futebol se confunde com aquilo que ele era dentro de casa. A personalidade dele no campo e no lar era a mesma. Muitos atletas passaram pela orientação do meu pai, um homem do bem, extremamente honesto em todas as ações. Ele era do diálogo, mas também da cobrança, como pai ou treinador. O que fica de mais importante do meu pai é a lição de ser justo”, pontua Renato.

Um dos companheiros da época de atleta de Percy e também seu dirigente mais tarde nos tempos de treinador, Josué Alves de Oliveira, salienta que durante toda a carreira, o desportista adotou conduta disciplinadora e correta. “Ele falava o que ele tinha que falar. Caso ele tivesse que tomar uma decisão que o prejudicasse, mas fosse o correto, ele tomava. Mas esta conduta também cativava as pessoas. Fomos inclusive adversários em um amistoso, quando eu jogava pelo Valério e ele na Usipa, e foi muito natural esse antagonismo, com respeito, sobretudo”, relembra Josué.

Para o ex-atleta da Usipa e do Valério, Edinho Azevedo Júnior, Percy foi além de treinador, um professor para a vida. “Fui escolhido para participar do primeiro time ‘dente de leite’ que ele montou na Usipa. Além dos meus pais, ele era a única pessoa preocupada com minhas notas na escola. O Percy me orientou não apenas sobre o futebol, mas em todos os setores da minha vida. Eu o considero um verdadeiro mestre”, afirma Edinho.

O desportista Marcelão Alves avalia que a trajetória do Percy no Vale do Aço foi histórica. “O futebol da nossa região perde muito com o falecimento do Percy. Tanto na época de atleta, quanto como técnico da Usipa, Aciaria, Industrial e Oriente, exerceu um bom trabalho. Além de gostar ele entendia muito de futebol. É um grande nome do futebol do Vale do Aço, sem dúvidas”, destaca Marcelão.

Wôlmer Ezequiel
Sérgio Fassheber ressalta o legado de Percy para a UsipaSérgio Fassheber ressalta o legado de Percy para a Usipa
O atual gerente-geral da Usipa, Sérgio Fassheber, ressalta que Percy foi um dos responsáveis pelo fortalecimento da marca do clube no futebol mineiro. “Percy integrou totalmente o clube. Ele foi atleta, técnico, gerente e atuou em diversas áreas no clube. Ele deixou um grande legado dentro da Associação Esportiva e Recreativa Usipa. Era um homem de moral, foi o que ele sempre me ensinou. Percy deixa uma história muito bonita para Ipatinga e, em especial, para a Usipa”, ressalta Fasseber, que também foi atleta do futebol amador e, principalmente, do futsal ipatinguense.

Carismático

O ex-atleta Anderson Figueiredo atuou na categoria de base do Atlético no mesmo período em que Percy era responsável pela a equipe. “Conheci o Percy quando eu estava no juvenil do Atlético, em 1989. A presença dele enquanto supervisor do Atlético era muito carismática, uma pessoa muito boa e também com muitos ensinamentos. Pude aprender muito sobre futebol e com os conselhos dele. Deus abençoe esta família que está ficando e que Percy tenha o descanso merecido pelas coisas boas que ele realizou”, disse Anderson.

O ex-jogador da Aciaria, José Carlos Vieira, relembra de um momento marcante vivido entre ele e o técnico. “Eu estava recuperando de uma contusão, na final de um campeonato municipal. Contudo, após um aquecimento, Percy viu que eu tinha condições de jogar. Ele me motivou e disse que a minha vontade era maior que minha contusão. Jogamos, vencemos a Usipa e fomos campeões de Ipatinga”, rememora José Carlos.

Um dos rivais de Percy, o ex-atleta Eisenhower, ressalta que a determinação era uma das principais dificuldades enfrentadas pelos oponentes. “Os times do Percy tinham a força de vontade de vencer. Ele sabia motivar os jogadores e isso era um dos grandes desafios dos rivais. Uma coisa é gritar na beira do campo, outra é transmitir determinação e ele conseguia fazer isso”, destaca Eisenhower.

Wôlmer Ezequiel
Nicolau conta da parceria de Percy nos gramados e como vizinhoNicolau conta da parceria de Percy nos gramados e como vizinho
Vizinho de Percy, o ex-atacante Nicolau de Souza Ribeiro, dividiu os campos e encontros entre amigos com o futebolista desde a década de 1970. “Treinei com o Percy na Usipa e me tornei amigo dele. Éramos vizinhos e nosso vínculo foi ainda mais fortalecido, pude conhecer ele no campo e no seio da família. Que Deus possa dar o conforto necessário à esposa, filhos, netos e bisnetos”, pontua Nicolau.

O ex-jogador do Social e do Valério, Luiz Carlos Luciano, frisa a saudade que ficará do grande desportista. “Percy foi realmente um pai. Ele sempre procurou nos ensinar a jogar de verdade. O pessoal do futebol do Vale do Aço e demais clubes onde ele passou vai ficar com o coração machucado, mas que Deus possa tê-lo ao seu lado”, destaca Luiz Carlos.

O dirigente do Social Futebol Clube, Adílio Coelho de Souza, rememora o bom desempenho do clube com Percy na liderança. “Foi com ele que tudo começou no Social. Sua larga experiência nos ensinou bastante. Sob seu comando, batemos o Vasco da Gama com todas as suas estrelas, em um lançamento ensaiado e primoroso de Lola para Zé Carlos marcar o gol da vitória. Não somente eu, mas todos os desportistas do Vale do Aço, sentiremos saudades eternas!”, conclui Adílio.

Percy morreu aos 84 anos e deixou a esposa Águida Maria, quatro filhos, dez netos e dois bisnetos. O enterro foi realizado no Cemitério Parque Senhora da Paz, às 17h desta quarta-feira, 25 de julho.



MAIS FOTOS

Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Rosemary Sapovalov

30 de julho, 2018 | 14:54

“Meu abraço carinhoso aos familiares de Percy Gonçalves. Fomos vizinhos na década de 60. Sou muito grata a ele que sempre arrumava um tempo livre pra brincar com a criançada dos vizinhos incluindo eu e meus irmãos. Era sempre a noite depois do trabalho e nossos pais ficavam conversando na varanda tranquilamente. Na verdade ele queria dar ginastica mas ríamos tanto que se tornava uma brincadeira. Não tenho palavras para traduzir a importância que isso traz para uma criança. Eles eram muito legais: toda a família! Eu tinha 10 anos e hoje tenho 59. Vira e mexe me pego lembrando dessa família . Que os Anjos os conforte!”

Rosemary Sapovalov

30 de julho, 2018 | 14:53

“Meu abraço carinhoso aos familiares de Percy Gonçalves. Fomos vizinhos na década de 60. Sou muito grata a ele que sempre arrumava um tempo livre pra brincar com a criançada dos vizinhos incluindo eu e meus irmãos. Era sempre a noite depois do trabalho e nossos pais ficavam conversando na varanda tranquilamente. Na verdade ele queria dar ginastica mas ríamos tanto que se tornava uma brincadeira. Não tenho palavras para traduzir a importância que isso traz para uma criança. Eles eram muito legais: toda a família! Eu tinha 10 anos e hoje tenho 59. Vira e mexe me pego lembrando dessa família . Que os Anjos os conforte!”

Envie seu Comentário