24 de julho, de 2018 | 10:49
Dois partos comemorados na mesma data
Jeferson Rocha *
Os primeiros minutos da quinta-feira, 25 de Julho de 2013, reservavam uma emoção diferente para esse cara que vos escreve. Dois anos antes, o mesmo 25 de julho trouxe um presente extremamente importante para minha biografia. Nascia minha princesa Ana Fátima.
De cabelos vermelhos, ela encantou logo de cara. Fez com que a enfermeira saísse como uma louca pelos corredores da maternidade para mostrar aquela pequena criatura que chamava a atenção pela cor de suas madeixas.
Aquele vermelho com o efeito das luzes claras do hospital transformava-se em uma espécie de dourado encantador. Foi uma emoção sem precedentes, mesmo tendo já vivido essa experiência com o nascimento de João Pedro, meu primeiro filho.
Mas, voltando ao 25 de Julho de 2013. Como bem disse, eram os primeiros minutos do dia. Estava na redação da Jovem Pan Ipatinga, ritual que fazia todas as noites em que a bola rolava com um dos dois gigantes de Minas em campo.
Quando cheguei à redação, ainda era dia 24, pronto para mais uma noite de trampo e emoções. Computador ligado e texto na tela. Estava na hora de esperar a partida mais importante da história do Clube Atlético Mineiro. Mesmo trabalhando com jornalismo esportivo, nunca escondi minha paixão pelo time do Eu Acredito”. Aliás, ele é o responsável pelo meu ofício.
Aprendi com Juca Kifouri que para analisar uma partida do time que você torce, era preciso assisti-la duas vezes, uma com emoção e a outra com razão. Então meu saldo foi de quase 32 vezes assistindo o Galo jogar na Libertadores. Escrevi textos, gravei matérias, opinei em rádio e até na TV sobre o assunto.
Mas, não vou descrever a respeito da épica conquista alvinegra. Até porque, todos os cronistas esportivos que conheço já se encarregaram de fazer isso no decorrer dos dias que sucederam o feito.
Mas o que senti no dia 25 vale o relato, pelo menos para mim, sem pretensões.
Sim... estava extremamente nervoso. Andava de um lado para o outro, bebia litros de água. O rosto corava e já estava com os nervos a flor da pele. Foi quando a enfermeira me chamou e disse: O senhor já pode entrar e se trocar para assistir ao parto”.
Coloquei a roupa verde do hospital e depois de uma espera angustiante, entrei na sala de parto segurei a mão de minha esposa e assisti minha princesinha de cabelos vermelhos nascer.
Aos 43 minutos do segundo tempo, Leonardo Silva marcou o gol que colocaria o Galo mais tarde na história do meu 25 de Julho. Vibrei e meus olhos marejavam. Minhas mãos ficaram trêmulas e não conseguia escrever nada mais. Atônito, sem esboçar nenhuma reação, assisti as cobranças de pênaltis com um otimismo do tamanho do planeta.
Aninha veio ao mundo e quando ouvi seu choro, vibrei e meus olhos marejavam. Minha felicidade não cabia dentro do peito. Agora tenho um príncipe e uma princesa.
Quando o título da Libertadores veio, precisei de algumas horas para parar de tremer. Sentado em frente ao computador, um filme passou por minha cabeça. O rebaixamento e a epopeia do retorno, a restruturação promovida por Kalil e sua equipe e todas as vitórias e derrotas que culminaram com o título.
Éramos apenas três, e desde aquele dia 25, somos quatro para viver a alegria de ser uma família. Agradeço sempre por ser um privilegiado e poder contar com este apoio. Aqui é onde recarrego minhas energias.
A felicidade que sentia era diferente: um alívio, uma tremedeira que encerrava a tensão vivida desde as últimas horas do dia 24.
As mãos continuavam repousadas sobre os teclados do computador, ainda meio trêmulas. Aos poucos, a respiração voltava ao normal. Não escrevia nada, apenas ouvia... A trilha sonora era composta por explosões de foguetes e buzinaços em toda a cidade. Mas, para mim... aquilo era melhor que uma sinfonia... Era Beethoven, Bach, Strauss e Vivaldi, todos em uma jam session de felicidade.
Que trilha sonora maravilhosa ouvir minha princesa chorando e anunciando que chegou à minha vida.
Ela nasceu! Aqui é Galo!
* Jornalista / Radialista
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]
















