23 de julho, de 2018 | 15:14
Bala de prata
Fernando Rocha
O Cruzeiro não jogou bem no primeiro tempo, muito mais pela marcação eficiente do Furacão, além de ter um gol mal anulado pela arbitragem. Mas o principal foi que o time visitante conseguiu anular as principais jogadas dos celestes, encaixando ainda alguns contra-ataques perigosos.Num destes houve o pênalti que resultou no gol de Guilherme, abrindo o marcador para o Furacão, pênalti indiscutível, mas muito questionado com razão pelos cruzeirenses, pois de fato no lance anterior houve uma falta clara de Jonathan em Arrascaeta, que o assoprador de apito não viu ou não quis marcar.
No segundo tempo, por volta dos 20 minutos e perdendo de 1 x 0, bem ao seu estilo o técnico Mano Menezes resolveu usar a sua bala de prata”. Sacou um volante, Lucas Silva, para a entrada de um meia, Rafinha, que logo na primeira participação foi fundamental no gol de empate marcado por De Arrascaeta. E aos 35, ele tabelou com Robinho e o argentino Hernán Barcos, e o Pirata fez o gol da vitória, o primeiro dele com a camisa celeste.
O Cruzeiro tem nesta quarta-feira um jogo duríssimo contra o Corinthians, em São Paulo, mas já selou a sua recuperação no Brasileiro, onde ocupa agora as primeiras posições na tabela de classificação.
Outro Magda”
Já escrevi aqui várias vezes que um dos grandes males do futebol brasileiro é o fato dele ser administrado por dirigentes amadores. Os presidentes ou responsáveis pelo futebol dos nossos principais clubes normalmente são torcedores apaixonados, que agem por impulso, decidem com o coração, e não a razão.
E tome Magdas por aí afora!
O grande maestro e compositor Tom Jobim disse certa vez com propriedade: O Brasil não é para amadores”. Pois bem. Profissional do Direito e empresário bem-sucedido, vejo o Sr. Sérgio Sette Câmara, atual presidente do glorioso e centenário Clube Atlético Mineiro, muito mais para torcedor apaixonado, um dirigente amador e muito longe do ideal.
Prova disso foi o que aconteceu logo após o Galo ser derrotado pelo Palmeiras, anteontem, com um gol aos 48 minutos e 50 segundos do 2º tempo, portanto, faltando 10 segundos para findar o tempo de acréscimo dado pelo árbitro, que havia sido de quatro minutos.
O presidente do Galo tuitou em seguida na sua rede social: Vagabundo, ladrão e mal-intencionado! Essa #CBF é um lixo! Fora com essa comissão de arbitragem” pelo bem do futebol brasileiro”!
FIM DE PAPO
De fato, houve sim, uma falta duvidosa no meio de campo, marcada pelo assoprador de apito em lance de sua interpretação, onde mesmo se tivesse, pelas regras atuais, não caberia análise do VAR (Árbitro de Vídeo), como muitos torcedores e até colegas sugeriram. A falta foi cobrada em direção à área do Atlético e saiu o gol da vitória palmeirense. Mas o que o presidente do Galo não viu foi o seu rodado goleiro Victor muito mal colocado no lance, ou parafraseando o saudoso mestre Kafunga: Catando borboleta”, o que facilitou o gol do Palmeiras.
Colaborou também para o terceiro gol palmeirense um achado” do diretor de futebol igualmente amador, o zagueiro Juninho, jogador medíocre, emprestado pelo próprio Palmeiras, onde nem sequer treinava no grupo principal. Juninho seria facilmente escolhido por Nelson Rodrigues, se estivesse entre nós, como o seu Personagem da Semana”, pela falha grotesca e bisonha cometida aos 2 minutos do 1º tempo, quando entregou a bola de bandeja para Moisés abrir o marcador. O comentarista da Rede Globo, Caio Junior, foi quem melhor definiu a falha de Juninho neste lance: - O pé esquerdo atrapalhou o direito!
Em seu blog, o jornalista Chico Maia também fez uma observação pertinente sobre Juninho: O empresário desse rapaz é ótimo de serviço. Jogava no próprio Palmeiras, que conseguiu empurrá-lo ao Galo. Faz lembrar o Felipe Santana mais jovem, este que não deixou nenhuma saudade”. E o Galdezani? Outra descoberta do sábio” diretor de futebol, trazido do Coritiba, clube rebaixado ano passado. Jogador medíocre, que ainda foi expulso após o fim da partida por ofender o assoprador de apito. Em tempo: Galdezani tinha sido substituído no 2º tempo e sabe-se lá o que fazia no banco de reservas. Como diria o humorista e amigo Francismar do Show Riso”: - Ôôôô luta!
Resumo da ópera: arbitragem erra mesmo e vai continuar assim, mesmo quando tiver auxilio do VAR, como vimos na Copa das Rússia. Aliás, o VAR, que poderia ajudar e muito a reduzir os erros dos nossos assopradores de apito, só não está sendo utilizado neste Brasileirão porque os nossos cartolas acharam caro a sua implantação, inclusive o presidente do Galo. Por isso, vir a público como fez o dirigente máximo alvinegro, e chamar todos os árbitros de ladrões”, trata-se de um equívoco irreparável. E pior ainda, detonar a CBF é o mesmo que tomar veneno e esperar que a outra pessoa, aquela que você odeia e detesta, morra”. (Fecha o pano!)
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