Homens ainda sentem dificuldades para lidar com sucesso profissional das parceiras

Mulheres relatam que se sentem sufocadas e controladas em excesso em relação à vida profissional

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Quem ama quer ver o outro crescer

Hoje, vivemos um novo momento em que as pessoas costumam investir em diferentes aspectos da vida ao mesmo tempo e, isto, algumas vezes, pode significar priorizar a carreira em detrimento de um relacionamento amoroso, por exemplo, ou até mesmo dedicar mais tempo para vida profissional do que para a vida pessoal. Esse comportamento, inclusive, já foi até objeto de estudos que comprovaram que as mulheres brasileiras hoje casam e têm filhos mais tarde, em geral depois dos 35 anos.

Segundo as psicólogas e terapeutas de casal, Marina Simas de Lima e Denise Miranda de Figueiredo, fundadoras do Instituto do Casal, para quem já é casado pode ser um verdadeiro desafio conciliar a vida profissional e afetiva.

“Ultimamente, muitas mulheres comentam que se sentem sufocadas no casamento, por conta do controle que o parceiro exerce em relação à vida profissional delas, beirando, em alguns casos, uma espécie de ‘sabotagem’.
“Muitas mulheres precisam viajar constantemente por conta do trabalho, dedicar mais tempo para a vida profissional, fazer cursos, treinamentos, etc. Estes aspectos acabam virando motivo para brigas e discussões. Alguns homens sentem a necessidade de querer controlar ou restringir a vida profissional da mulher por conta do ciúme ou da insegurança, pois podem pensar que nestes momentos profissionais a parceira estaria mais exposta a conhecer outras pessoas, por exemplo”, comenta Marina.

Outro ponto, segundo as psicólogas, é que o modelo patriarcal que ainda existe no Brasil, pode fazer com que o homem se sinta ameaçado por ter ao seu lado uma mulher tão independente. Pode ainda se sentir deixado de lado ou pensar que o trabalho é mais importante para a parceira do que o relacionamento”, comentam as especialistas.

Conflito pode levar à separação
“As mulheres hoje ocupam cargos de liderança, estão nas universidades, são atuantes e gostam de trabalhar, na maioria dos casos. A parceria no casamento também implica em que o casal incentive um ao outro a crescer profissionalmente e todo crescimento envolve certas perdas, a tal ‘dor do crescimento’”, diz Marina.

“Mas claro que isso não significa que o casamento deve ser deixado de lado por conta do trabalho e nem que o homem deve restringir ou colocar barreiras na vida profissional da mulher. Infelizmente, os comportamentos dos homens podem impactar nas escolhas das mulheres no futuro profissional delas, assim como no futuro da vida da dois”, reflete Denise.

Como resolver este impasse?
A questão é que os casais precisam ter bom senso, de ambos os lados, e isso nem sempre ocorre. “O que mais acontece são atitudes como chantagem emocional, excesso de ciúmes ou controle excessivo sobre as atividades profissionais do outro. E isso é mais comum nos homens em relação às mulheres”, diz Denise. Porém, as terapeutas lembram que isso pode acontecer também com casais do mesmo sexo ou ainda com a mulher em relação ao homem.

Na recente pesquisa feita pelo Instituto do Casal, o excesso de tempo dedicado ao trabalho ocupou o 12º lugar no ranking dos 35 motivos que levam os casais brasileiros a brigarem. “Embora não esteja entre as principais razões das famosas ‘DRs’, é preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre o tempo dedicado ao trabalho e ao relacionamento”, dizem as especialistas.

Quem ama quer ver o outro crescer
Sem dúvida, o amor é importante é pode ser o fator decisivo para continuar na relação ou para seguir a vida sozinho. “Quem ama quer ver o bem do outro, quer ver o crescimento do outro, quer participar do sucesso do outro. O amor também é feito de flexibilidade, compreensão e incentivo”, diz Denise.

“Por outro lado, quem precisa de mais tempo para se dedicar à vida profissional também necessita investir tempo no casamento. O segredo, portanto, é encontrar o ponto de equilíbrio e desempenhar todos os papéis que a vida exige. Não é fácil, mas é preciso e é possível”, encerram Marina e Denise.
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