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09 de julho, de 2018 | 09:13

Um "Braço de rio" pela mão de Petrônio

Escritor belo-orientino lança no início de agosto um novo livro de poesias

Braço de rio, pedaço de mar” é o terceiro livro de poesia que Petrônio Souza Gonçalves lança, fiel ao difícil afazer poético, popular e de sutil profundidade. Seguindo a trilha de sucesso do anterior - "Um facho de sol como cachecol" -, o novo livro inscreve o mineiro no trancado cenário literário nacional.

Recebeu elogios de Luiz Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e Fernando Morais. Petrônio viaja o Brasil com um sarau de música e poesia com o guitarrista Toninho Horta, e já foram a 26 cidades.

Divulgação
Paulo Caruso ilustrou a capa do novo livro de PetrônioPaulo Caruso ilustrou a capa do novo livro de Petrônio
Escrito no correr dos últimos dois anos, "Braço de rio, pedaço de mar" tem 234 poemas, voltados à temática do tempo, buscas e frustrações humanas. Como Aldir Blanc escreveu no prefácio do livro, “os trilhos que levam ao poeta Petrônio estão nas palmas das mãos dos seres humanos que sofrem”.

O livro traz ainda um depoimento de Ferreira Gullar, que dizia não gostar de fazer apresentação ou depoimentos para escritores e poetas. Falecido em 2016, Ferreira foi amigo de Petrônio, que sempre o visitava no Rio de Janeiro. O depoimento de Gullar foi um dos últimos textos do maranhense e ainda estava inédito.

Outros que falaram bem de Petrônio foram Sebastião Nery, Aristóteles Drummond e José Hamilton Ribeiro, além de Toninho Horta, Paulo Betti, o agora cronista Tostão, e Geraldo Carneiro, que orelhou o livro de um lado, com o jornalista Carlos Buzelim na outra. O livro vai chegar às livrarias do Brasil na primeira semana de agosto.

O livro
Com capa de Paulo Caruso, “Braço de rio" mostra o singular e original ato de fazer poesia só como Petrônio faz. Porque, para o autor, o “título muitas vezes já é uma síntese do poema, quando na verdade a poesia, por si só, é essa síntese; então o livro traz a primeira frase em negrito, e a síntese, a alma do poema, distribuída em seus versos”.

De um herói nacional, ele diz: “Tiradentes fez da forca/ O laço com a história/ O oito em infinito/ Da mais plena glória./ Nós enxergamos pouco,/ Somos desprovidos de primaveras.”

Petrônio também fala da comum impotência dos que fazem poesia ou escrevem canções, e aí se percebe a influência drummondiana: “Os meus ombros não suportam o mundo/ Estão envergados,/ Envergonhados,/ Pelo fardo pesado que não sou capaz de carregar./ Fiz da minha cruz/ A madeira/ Para a fogueira/ Na lareira em que queimei/ Todas as minhas frustrações”.

E para fechar, o poeta demonstra sua paciência quando procura a palavra poética certa. No último poema do livro, na verdade, um poemeto, sintético e preciso, ele escreve: “Não tenho pressa/ Tenho a chave”.

(Com Pinheiro Júnior, jornalista e escritor, residente no Rio de Janeiro, texto sintetizado.)
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