07 de julho, de 2018 | 09:54
Menos chororô
Fernando Rocha
A seleção da CBF volta para casa, desta vez sem a execração pública do técnico e de seus principais jogadores, como de costume toda vez que somos eliminados em uma Copa do Mundo.O time não jogou mal na derrota para a Bélgica, mas deixou a sensação de que poderia ter ido mais longe, sobretudo se o trabalho do técnico Tite tivesse sido há longo prazo, não este em que teve de assumir às pressas uma equipe destroçada, ameaçada de nem ir à Copa, por conta da incompetência da cartolagem da CBF ao insistir com Dunga e sua turma no comando.
A melhor definição que vi para a derrota diante da Bélgica e a eliminação nessas quartas de final foi também a mais simples: os melhores jogadores belgas atuaram muito bem e decidiram a favor deles, e os nossos melhores jogadores não conseguiram fazer o mesmo.
A seleção já experimentou, ao longo da história das Copas, pelo menos umas quatro eliminações precoces, e entre todas, esta foi a que o time teve melhor desempenho em campo, com 57% de posse de bola, 66% só no segundo tempo, 26 finalizações contra apenas oito dos belgas, que tiveram um aproveitamento superior e venceram de 2 x 1.
Houve falhas, sim, da comissão técnica e dos jogadores, mas a meu juízo, este trabalho iniciado há dois anos pelo técnico Tite e sua comissão técnica deveria continuar.
Ainda falta
A Copa da Rússia está chegando à reta final sem produzir, ainda, um time admirável. O super time a ser batido, o grande e absoluto favorito ao título, este aí ainda não surgiu.
Concordo com aqueles que defendem a tese de que seleções diferem dos clubes, ao menos aqueles endinheirados, cujas contratações milionárias são anunciadas uma atrás da outra a cada temporada, deixando de queixo caído qualquer um de nós pelas altas cifras pagas pelos nossos pés de obra”.
Os clubes aos quais me refiro conseguem comprar com qualidade para todas as posições, mas nas seleções há o limite da fronteira nacional, portanto, não há uma garantia de suprir todos os setores do time com o mesmo padrão técnico, além de conviver com a falta de espaço para treinar devido ao calendário sempre apertado.
Então, ficamos assim: a Copa da Rússia está chegando ao fim, agora sem nenhuma seleção do nosso continente, sem gigantes como a Alemanha e Argentina, que embarcaram de volta para casa primeiro, depois o Brasil, enfim, termina sendo uma Copa da Europa para a Europa, que será lembrada muito mais pela organização e dramaticidade de alguns jogos, não por ter revelado um desses times que, pelo futebol apresentado, ficam para sempre na história e memória do futebol mundial.
FIM DE PAPO
Há um consenso no mundo dos técnicos de futebol de que muito do não surgimento de uma equipe acima da média nesta Copa se dá pela falta de novidades táticas no âmbito do futebol mundial. No mundo globalizado, o futebol também se nivelou e as equipes - grandes ou pequenas - utilizam esquemas muito semelhantes, no geral com duas linhas de quatro e dois atacantes (4-4-2), que também marcam na sua intermediária quando o adversário tem a bola. A partir daí há uma variação ou outra, mas acaba sendo mais do mesmo. O que diferencia umas das outras seleções é a qualidade técnica individual dos jogadores, mas nem isto representa grande vantagem em razão da má fase, problemas físicos de alguns etc.
A Copa da Rússia produziu jogos chatos, amarrados, mas a imagem que fica de verdade diz respeito à dramaticidade do desfecho de algumas partidas, onde vimos gols nos últimos segundos, viradas como a francesa sobre a Argentina, a Bélgica sobre o Japão, grandes lances isolados produzidos por algumas estrelas como Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar ou Mbappé, mas que se ressentiu das eliminações precoces de algumas seleções de peso, como a Alemanha, Espanha, Argentina e, por último, o Brasil. Além disso, já não contou com Itália e Holanda, por não terem obtido classificação nas eliminatórias europeias do Mundial.
A Seleção Brasileira deixou a Copa da Rússia sem ter tido um pênalti marcado a seu favor, apesar das simulações em tentativas, sobretudo de Neymar. E vejam que esta Copa, antes das quartas de final, já havia batido o recorde neste tipo de marcação entre todas já realizadas. Foram 24 pênaltis nos 48 jogos disputados na primeira fase, a de grupos. Nos mundiais comparáveis, com 32 seleções, a partir de 1998, o número máximo de pênaltis foi de 18 nos 48 jogos realizados, como em 1998 e 2002.
Desses 24 pênaltis marcados, cerca de 30%, ou sete, foram definidos pelo VAR, o chamado juiz de vídeo, que estreou oficialmente para o futebol nesta Copa da Rússia e que está sendo muito bem avaliado. Sempre fui a favor do VAR, mas tinha receio de que pudesse atrasar muito e quebrar o ritmo dos jogos. Nada disso vem acontecendo e a sua utilização tem diminuído consideravelmente o número de injustiças no futebol. O desafio de agora em diante será avançar ainda mais no uso da tecnologia, diminuindo a participação dos árbitros de campo em lances interpretativos, sem robotizar o jogo de futebol. (Fecha o pano!)
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