26 de junho, de 2018 | 15:50
Os erros e acertos na campanha eleitoral de Timóteo
Edmilson Firmino *
Um fato novo pode alterar o quadro eleitoral na reta final de campanha”Entre a dúvida e o medo, o eleitor passou a descarregar o voto em Douglas Wilkys”
O resultado eleitoral de Timóteo nos remete a várias análises. Ouvindo opiniões, fiz minhas impressões acerca da eleição extemporânea, onde errou e acertou cada candidato. Iniciando pelo eleito, Douglas Willkys, do PSB, acertou em cheio pelo discurso de mudança e ao afastar-se dos embates nas mídias sociais. Fez uma campanha mais pé no chão, conversando com o eleitor.
Entretanto, apesar do discurso de renovação tem como aliados políticos tradicionais da cidade e de cidades vizinhas, o que pode dificultar sua gestão. For colocar em prática uma governabilidade, de fato, mudança tende a ser aprovado pela população, caso contrário, está fadado a entregar a rapadura já nas eleições de 2020.
Renato Martins (PMDB), embora bem articulado, apresentou-se como um candidato sem identidade. Achou que se elegeria apenas pelo fato de ter apoio do ex-prefeito bem avaliado Geraldo Hilário (PP). A tradição política mais o atrapalhou que ajudou, pois o eleitor queria mudança e não a velha política.
Alimentou o discurso de melhorias na saúde, mesmo sendo um gestor de qualidade duvidosa enquanto era vice do ex-prefeito Keisson Drumond (PT). Sua campanha também equivocou-se ao fazer um discurso de ódio contra Adriano Alvarenga, esquecendo-se que o principal adversário era Douglas Willkys.
De Adriano Alvarenga (PMB) os erros são inúmeros. Surgiu com chances reais de se eleger. Novo, dinâmico e de bom discurso, aparecia com boa tendência de voto. Errou inicialmente, ao não se preparar à interinidade como prefeito, embora reiteradamente alertado. Sentou-se na cadeira sem um plano de ações, inclusive, para tratar o assunto da Taxa de Tratamento de Esgoto, da Copasa.
Deixou para última hora para tomar uma decisão que o próprio eleitor considerou eleitoreira. Tarde demais. Se tivesse tomado à mesma decisão tão logo que se tornou prefeito, talvez a leitura do eleitor e da Justiça seria outra.
Outros erros crassos foram cometidos durante a campanha, principalmente nas estratégias eleitorais, dentre eles, não ter feito o mesmo discurso de mudança encampado por Douglas. E na verdade, o candidato também representava renovação, conforme apontavam as pesquisas.
Seus estrategistas não tiveram a sensibilidade de perceber que o eleitor queria o novo. Fez uma campanha sem planejamento, sem norte, onde quem tomava decisão pouco ou nada conhecia a cidade, ao ponto de chamar o único distrito de Cachoeiro, dentre outras bizarrices.
Exagerou no gasto eleitoral a ponto de ter duas agências se confrontando dentro da campanha. Cada uma com uma linha visual de campanha. Mostravam-se perdidos e odiosos. Não tinha como acertar o alvo. O mal nunca prevalece.
Outro deslize, para não dizer ingratidão foi de ter desprestigiado o grupo que construiu sua candidatura, figuras de conhecimento e experiência política notória no município. Enfim, de futuro político promissor, Alvarenga saiu menor da campanha do que entrou. Deve repensar sua carreira política e o formato de fazer campanha. Santo de casa faz milagre sim.
Desnecessário avaliar Carlos Vasconcellos, do PCdoB que apostou suas fichas em um lunático, não sabendo que era muito pequeno para uma batalha eleitoral de tamanha envergadura.
Por fim, o resultado da eleição extemporânea de Timóteo comprovou como um fato novo pode alterar o quadro eleitoral na reta final de campanha.
À luz das pesquisas havia um empate técnico entre os três principais candidatos até uma semana antes das eleições. A decisão impensada do prefeito interino Adriano Alvarenga em anunciar o fim da cobrança da taxa de Copasa acabou sendo um tiro no peito.
Até então nenhuma das denúncias o havia atingido em cheio, pois mantinha na disputa e com plenas condições de se eleger. O eleitor não viu com bons olhos a decisão ao apagar das luzes. E pra piorar ainda mais, a Justiça pediu a impugnação do registro de candidatura do candidato, por considerar um ato eleitoreiro.
Os concorrentes passaram a explorar a decisão judicial nas redes sociais e materiais impressos. A emissora de rádio da cidade, do qual o dono é adversário de Alvarenga, noticiou o tempo da decisão judicial. A notícia viralizou.
Entre a dúvida e o medo, o eleitor passou a descarregar o voto em Douglas Wilkys, já que o outro candidato, Renato Martins, registrava alta taxa de rejeição.
Resultado: a votação de Alvarenga acabou sendo bem abaixo das expectativas de todos, e até mesmo na avaliação dos próprios concorrentes. A lição é pra todos.
* Pesquisador, autor do Atlas Pensar Vale do Aço
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