25 de junho, de 2018 | 15:42

Virou mania

Fernando Rocha

Divulgação
Faz parte da nossa cultura reclamar de tudo, talvez um resquício ou herança cultural e genética dos nossos colonizadores, que são reclamadores por natureza. Se está fazendo calor ou frio, se chove ou não, há sempre um motivo para reclamar.

O grande Nelson Rodrigues dizia: “O brasileiro gosta muito de ignorar as próprias virtudes e exaltar as próprias deficiências, numa inversão do chamado ufanismo. Sim, amigos: somos uns Narcisos às avessas”. Isso talvez explique a atual relação do torcedor brasileiro com o seu principal jogador e único craque da seleção.

Desde a estreia opaca do time comandado por Tite, ao só empatar com a Suíça, passando depois pela vitória sofrida diante da fraca Costa Rica, virou moda de norte a sul deste país discutir Neymar, sua vida pessoal, seus pitis e faniquitos, até porque há dezenas de outras razões para isto, além do que ele mostra em campo com a camisa canarinho.

As outras razões a que me refiro também não devem ser ignoradas, pois fazem parte do dia a dia de sofrimentos da população, em razão da crise política, econômica, moral e social que assola o país, sem perspectiva de solução a curto ou médio prazos.

Pecado capital
Mas não se pode confundir alhos com bugalhos, pois o futebol é um jogo. E muito embora imite a vida, não é a vida. Sendo assim, minhas críticas a Neymar ficam restritas ao seu desempenho em campo, à parte técnica, pois como já escrevi anteriormente, gostaria de vê-lo soltar mais a bola, simular menos faltas e reclamar menos da arbitragem.

Todas as demais críticas que tenho ouvido sobre Neymar não fazem sentido, sobretudo aquelas que dizem respeito à sua vida pessoal, que não interessa a mim e nem a ninguém. Acho normal o choro dele ao fim da partida contra a Costa Rica, pois de fato ele sofre uma pressão enorme juntamente com os demais jogadores da seleção, ele muito mais, por ser o nosso principal e maior craque. E o choro é o oposto do fingimento.

No mundo do politicamente correto, o ideal seria segurar as lágrimas e deixá-las escorrer à vontade sozinho, num canto do vestiário, mas há pessoas muito emotivas (não sei se é o caso de Neymar), que nem sempre conseguem segurar a emoção. “Ando tão à flor da pele, que até beijo de novela me faz chorar”. Zeca Baleiro.

Por último, a pancadaria que atinge Neymar, sobretudo fora de campo, nas redes sociais, tem tudo a ver com um dos piores defeitos do ser humano. Por ser jovem e rico, ele namora uma bela atriz de televisão, circula no ‘jet set’ internacional com outras celebridades, tem um monte de puxa-sacos (“parças”) gravitando ao seu redor E aí vira alvo fácil para quem carrega consigo um dos piores entre os chamados pecados capitais: a inveja.

FIM DE PAPO
• Já disse que não tenho o menor interesse de saber da vida pessoal de Neymar, nem a de qualquer outro jogador de futebol, nem do meu vizinho, ou colega de trabalho etc. Também não gosto que patrulhem a minha vida privada. Ninguém gosta. O meu desejo é que o nosso craque tenha pleno sucesso com a camisa do clube onde joga e pela seleção brasileira.

• O que não pode acontecer é essa divergência tomar rumos de ruptura absoluta entre os jogadores e a população, como ocorreu em 1994, onde a seleção até tinha motivos para adotar o “nós contra todos”. Naquela época houve, sim, críticas pesadas e ácidas em razão do fracasso na Copa de 90 na Itália. Os discursos de apoio a Neymar, feitos por Thiago Silva e Gabriel Jesus, destilando mágoas e mexendo em feridas anteriores, não faz nenhum sentido.

• Até um mês atrás a seleção da CBF e do técnico Tite era querida e aprovada pela maioria da população. Mesmo Thiago Silva, o capitão do 7 x 1, em 2014, aquele que chorou de amarelão para não bater um pênalti contra o Chile, passou a ser tratado com carinho pela torcida. Não se deve levar em conta apenas o que se passa nas redes sociais, pois elas não representam a maioria do sentimento nacional.

• Nesta parada da Copa do Mundo, o Atlético até agora é o clube que mais contratou no futebol brasileiro. Trouxe o colombiano Chará, o uruguaio David Terans, o atacante Denílson, do Bahia e, por último, o meia Edinho, destaque do Fortaleza na Série B nacional. O que me chamou a atenção no caso do Edinho, apesar dele ter apenas 23 anos, é que se trata de um jogador bastante rodado, com passagens por sete clubes pequenos até chegar ao Galo. Trata-se de uma aposta com mais chances de dar errado do que certo, daí achei muito estranho fazer um contrato de cinco anos com o jogador.

• No Cruzeiro, a notícia que preocupa a torcida celeste diz respeito a uma possível transferência do zagueiro Dedé para o futebol francês. O diretor de futebol, Itair Machado, confirmou sondagens sobre o “Mito”, mas publicou em sua rede social que Dedé “não está à venda”. A conferir, pois como disse o ex-técnico do Corinthians, Fábio Carille, “por um caminhão de dinheiro eu não vou, mas por dois, aí já é um caso a pensar”. E acabou mesmo trocando o clube paulista pelo Al-Wedha, da Arábia Saudita. (Fecha o pano!)
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