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01 de junho, de 2018 | 15:45

A greve dos oportunistas

Bady Curi Neto *

"Alguns políticos, da turma do quanto pior melhor, insuflaram o movimento, com pessoas totalmente divorciadas da atividade de transporte"

A paralisação dos caminheiros despertou amor e ódio da população. Várias pessoas defenderam o movimento como legítimo, dizendo que o preço do combustível não poderia sofrer tamanha oscilação em razão do valor do barril do petróleo internacional. Outros enxergaram a greve como abusiva, atingiam setores da sociedade que ficavam reféns dos caminhoneiros e das empresas de transportes. Hospitais, escolas, serviços públicos, indústrias, etc., tiveram suas rotinas alteradas em razão do não fornecimento de combustíveis, alimentos, medicamentos, enfim tudo aquilo que depende de ser transportado. Vivenciou-se nos últimos dias um verdadeiro caos social.

O governo, pressionado, negociou com a classe e tomou as providências emergenciais cabíveis e possíveis para debelar a paralisação. Alguns políticos, da turma do quanto pior melhor, insuflaram o movimento, com pessoas totalmente divorciadas da atividade de transporte, tentando transformá-lo em um movimento político e não de classe, o que é lastimável.

Fato é que a nação não pode se tornar refém de nenhuma classe trabalhadora, mesmo que suas reivindicações, à primeira vista, possam ser justificáveis. Não é plausível o adiamento de cirurgias em hospitais, a falta de oxigênio, fechamento de postos de saúde, falta de alimentos, falta de combustível para a segurança pública, apenas para citar alguns exemplos, ocasionados pela paralisação desordenada dos transportadores.

Apesar de favorável à todas as manifestações, desde que ordeiras e livres, não coaduno com a sua imposição. Inconcebível o fechamento de estradas impedindo o direito de ir e vir da população que nada tem com aquela manifestação. Agressões são um verdadeiro despautério àqueles que não aderiram ao movimento ou aqueles que se deram por satisfeitos pelas medidas governamentais e pretendem voltar as suas atividades. Nestes casos, se o uso da força se fizer necessário, que seja a força estatal, para impedir este tipo de coação.

Agora, em uma atitude oportunista, vendo as consequências do desabastecimento de combustíveis e a paralisação do transporte de cargas, os funcionários da Petrobras e suas subsidiárias pretendiam pegar carona no caos social, anunciando uma greve (paralização de 72 horas), de natureza ”política-ideológica”, como dito pela Advocacia-Geral da União (AGU), certo que o Sindicato dos Petroleiros fazem reivindicações outras, a exemplo do pedido da demissão do presidente da Petrobras, que não de cunho trabalhista.

Instado a decidir sobre a greve, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), por meio de liminar deferida pela meretíssima Maria de Assis Calsing, a impediu, afirmando que "Beira o oportunismo a greve anunciada, cuja deflagração não se reveste de proporcionalidade do que poderia, em tese, ser alcançado com a pauta perseguida e o sacrifício da sociedade para a consecução dos propósitos levantados".

Sobre a decisão o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, afirmou que "a categoria não se intimidará", desrespeitando a decisão do TST. É de se perguntar: que direito de liberdade é este daqueles que impõem a greve por coação aos colegas de profissão ou daqueles que não respeitam as decisões judiciais?

* Advogado fundador do Escritório Bady Curi Advocacia Empresarial, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG)

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