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01 de junho, de 2018 | 15:36

OS INFILTRADOS

Jorge Ferreira S. Filho *

"as pessoas que estão no governo não têm competência, legitimidade nem a confiabilidade do povo para governar nossa nação”

A tropa de choque de Temer foi incapaz de enxergar a iminência da deflagração do movimento grevista dos caminhoneiros. Não projetou, por despreparo ou omissão, as consequências que adviriam ao cotidiano dos brasileiros.
Construíram rapidamente uma causa: lockout das empresas de transporte. Prematuramente anunciaram a celebração de um “acordo”. Tentaram jogar a opinião pública contra o caminhoneiro: “o que querem mais os caminhoneiros, se todas as reivindicações foram atendidas pelo governo?”, frase repetida à exaustão pelo pessoal da Rede Globo. Finalmente, encontraram um culpado por tudo: o infiltrado.

A história não se repete, mas ela ensina. Contudo, os nossos governantes foram incapazes de captar as lições deixadas pelos movimentos grevistas de caminhoneiros, pelo menos o verificado no Chile em 1972, e o ocorrido no Brasil, durante o governo de Dilma Roussef.

Oportuno é recordar, o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em 2015, anunciando o endurecimento na punição por bloqueios nas estradas. O valor da multa, para quem fizesse bloqueio, passou de R$ 1.915 para R$ 5.746. Aos organizadores dos bloqueios impuseram multas de R$ 19.154. Dilma esbravejou “bloquear estrada é crime”. Adiantou?

Há um antigo ditado espanhol que se justapõe aos fatos sociais que hoje vivemos: La voluntad del Rey se obedece, pero no se cumple. Em outras palavras, se o governo quer a desobstrução das estradas, o caminhoneiro obedece, mas ninguém pode obriga-lo a entrar no seu caminhão e entregar mercadorias. É o nosso sistema: o direito de greve e a liberdade de fazer ou não fazer.

A greve angariara a simpatia da população. Imediatamente, transformou-se num instrumento oportuno e conveniente para diversos fins e interesses de grupos organizados. São muitos: FORA TEMER; ELEIÇÕES JÁ; IMPOSTO ZERO; LULA LIVRE; INTERVENÇÃO MILITAR. Ainda bem que não vi “AÉCIO LIVRE”. Surgiu um campo fértil para infiltração dos radicais antidemocráticos.

Infantilidade acreditar que as forças armadas, em conjunto com as Polícias, teriam a mesma prontidão de ação, onipresença, instantaneidade de comunicação e a mobilidade dos caminhoneiros. O movimento é tipicamente de guerrilha; dissipa-se um bloqueio aqui e surge outro, dois quilômetros a frente. O inaceitável é a ineficácia da inteligência das polícias no sentido de identificar e neutralizar os infiltrados.

Há muitas leituras dessa greve, mas uma parece ser ponto convergente: as pessoas que estão no governo não têm competência, legitimidade nem a confiabilidade do povo para governar nossa nação. Executivo, Legislativo e até membros do Judiciário não gozam de credibilidade alguma. E daí? Intervenção Militar! Clama uma lunática minoria; aquela que nada conseguiu extrair nada da história.

Quem pensa na intervenção, deveria ler Fukuyama “The End of History? O mundo ocidental optou claramente pelo sistema democrático e pela economia de mercado. Então, a solução dos nossos problemas passa pelo voto.
Votar! Mas, votar em quem? Uma pessoa honesta e capaz de defender os interesses do povo somente pode ser candidato se previamente estiver filiado a um partido político. Os partidos, porém, têm donos; todos viciados no vetusto jeito de fazer política. O novo será engolido pelo esquema. Aí está a ruptura necessária. Clamor popular e pressão nas ruas para Emendar nossa Constituição: candidaturas avulsas.

* Advogado e professor de Direito
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