24 de maio, de 2018 | 16:08
Do casamento real e Brexit
Stefan Salej *
Fascinante o casamento do sexto pretende ao trono britânico, atualmente Duque de Sussex, Harry, com a agora duquesa, ex-divorciada, afrodescendente, feminista, independente e famosa Meghan Merkel. No show, todo casamento real é um show, que foi assistido por mais de um bilhão de pessoas (cinco vezes ou mais do que a população total do Brasil) apareceu de tudo e todos. Mas, não havia políticos (não são convidados) e nem os colegas do elenco da ex-atriz da série Suits. Mas havia um coral Gospel de melhor qualidade, e um Pregador anglicano-americano falando de Martin Luther King. Realmente, para confundir qualquer um da Corte real britânica e tentar convencer o mundo de que a realeza britânica está se atualizando com relação ao que rola no mundo. O Reino Unido apareceu bem em cores e ao vivo, dizendo ao mundo aí estamos, vivos, ativos, lindos de morrer e continuamos atores importantes. Show de primeira.Algo incrível é a fascinação, só faltou tocar esta música no casamento, que as pessoas têm com a monarquia e, em especial, a britânica. Do ponto de vista dos regimes democráticos, é uma forma que renega o princípio básico da democracia, que é a possibilidade de alternância no poder. Na Europa, além do Reino Unido, há monarcas chefiando o estado na Noruega, Holanda, Dinamarca, Espanha, e Suécia. Aliás, todos países bem administrados. No Brasil, há alguns anos tivemos referendum onde pessoas votaram a favor de um regime presidencialista, contra o parlamentarismo e a monarquia.
Mas, o casamento real desta semana, que trouxe para a Londres uma injeção enorme de dinheiro (casamento é business, além do amor, como disse o pregador) coloca também em questão como está o Reino Unido. As mudanças na corte não vão ser suficientes para reavaliar o papel do Reino Unido, ainda membro do Conselho de Segurança da ONU e força militar mais forte da Europa, no mundo.
O antigo império britânico se esfacelou, mesmo sendo defendido com sangue (como a invenção dos campos de concentração na guerra dos Boers na África do Sul, onde foram assassinadas mais de cem mil pessoas. Ou o enforcamento dos combatentes judeus durante a luta pela independência da Palestina. Ou na guerra em Chipre.Etc.etc.), mas ficou a Grã Bretanha procurando seu espaço perdido. Com a saída da União Europeia, não há canto gospel que vá ajudar a redefinir o papel do país no mundo. Não vai bastar show, nem arrogância dos diplomatas, nem nossa fascinação, mas mais tecnologia, mais alianças, mais criatividade. O Reino Unido terá que, inclusive com sua diversidade cultural (no casamento estava o cantor Elton John, homoafetivo, enquanto lembramos que o gênio da computação, Alain Turing, se suicidava há 75 anos atrás porque o homossexualismo era proibido na Inglaterra) mostrar a sua diversidade econômica para continuar a propensa liderança no mundo.
* Consultor empresarial, foi presidente do Sistema Fiemg e Sebrae-MG
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