24 de maio, de 2018 | 16:01

A paralisação dos caminhoneiros e a crise de desgoverno

Pedro Papastawridis *

"Diante desse cenário, a já combalida economia brasileira se depara com mais um obstáculo à retomada do crescimento em bases sustentáveis"

“É preciso repensar a infraestrutura que dá sustentação às atividades produtivas do nosso país, a começar pelo setor de transportes”

Com a continuidade da paralisação dos caminhoneiros pelo Brasil afora, crescem os transtornos ao cotidiano da população. Estamos falando de problemas que vão do desabastecimento de bens de consumo até a descontinuidade de outras atividades que dependem do trabalho dos caminhoneiros, como é o caso da aviação comercial e do transporte urbano, cujo suprimento de combustíveis encontra-se comprometido pela escassez de frete rodoviário.

Diante desse cenário, a já combalida economia brasileira se depara com mais um obstáculo à retomada do crescimento em bases sustentáveis, que se soma ao inchado aparelho estatal e sua burocracia resultante e à incompetência de nossos políticos de Brasília para pensarem e construírem nacionalmente as bases de um desenvolvimento econômico-social de longo prazo.

Não se pode desprezar a relevância atual do modal rodoviário para o nosso país. Afinal de contas, essa foi a solução preferencial em transporte de todos os governantes brasileiros que se sucederam no comando da nação no Pós-Segunda Guerra. Entretanto, privilegiar esse modal em detrimento de outros e ignorar a importância de um sistema logístico mais robusto e capaz de atender com economicidade e eficiência um país de dimensões continentais como o nosso demonstra a incompetência gerencial de sucessivas administrações federais em pensar o “país do futuro”.
Como consequência dessa opção de modal, o Brasil não só possui inúmeros gargalos estruturais para escoar sua produção, mas também carrega em seus produtos um custo logístico superiormente capaz de inviabilizar a competitividade do país no âmbito internacional.

E qual seria a solução para reverter o quadro exposto acima? Inicialmente, cumpre reduzir o peso do Estado e de sua burocracia no dia a dia da economia nacional, proporcionando, assim, condições estruturais e conjunturais favoráveis à livre concorrência e à livre iniciativa em setores como os ligados à infraestrutura. Para tanto, o Estado brasileiro deve focar tão somente nas suas funções precípuas, isto é: relações internacionais, defesa nacional, segurança interna, justiça e garantia do mínimo existencial. O que não integrar esse escopo tem que ser desestatizado, a fim de mitigar as perturbações econômicas advindas da presença do Estado em setores para os quais ele não possui aptidão.

Isso feito, há que se reprimir com rigor e vigor a corrupção de agentes públicos, pois ela dilapida os recursos do erário e agrava as ineficiências do aparelho estatal. Somente com o combate ferrenho dessa corrupção é que o fisiologismo e o corporativismo não encontrarão nos cofres públicos um porto seguro para os seus parasitismos.

Por fim, é preciso repensar a infraestrutura que dá sustentação às atividades produtivas do nosso país, a começar pelo setor de transportes, ainda muito dependente de um modal tão custoso quanto o rodoviário. Nesse contexto, o estímulo à atração de investimentos para ampliação da malha ferroviária e para um melhor aproveitamento do modal aquaviário se torna fundamental.

Retornando à questão da greve dos caminhoneiros, trata-se do exercício legítimo de um direito, apesar dos transtornos causados ao cotidiano do país, pois estamos falando de trabalhadores que contribuem, sob sua própria conta e risco, com o desenvolvimento do país. Portanto, eles merecem ser ouvidos em seus pleitos. Ademais, se alguém “vacilou” nessa história foi o governo federal, que não soube agir com inteligência, objetividade e precisão para mitigar os impactos da alta do petróleo e da elevada carga tributária sobre o preço final do diesel, isso sem falar na insegurança que atinge o trabalho dos caminhoneiros e que o aparato estatal se mostra incapaz de resolver.

Talvez 13 anos de corrupção e desgovernos lulopetistas não tenham servido de aprendizado para o atual governo, que tem se revelado tão incompetente e patrimonialista quanto Lula e seus seguidores. Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

* Administrador por vocação e servidor público por desejo de servir o país. Não tenho bandido de estimação. Portanto, meu partido é o Brasil e Deus é quem me guia. Nunca se esqueçam: "Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido." (Mateus 10,26).

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