23 de maio, de 2018 | 09:00
''Mercado de trabalho no Direito ainda é quase inexplorado'', afirma advogado
Para o diretor da OAB, a disciplina é trabalhada de forma muito superficial na graduação, exigindo que o profissional se aprofunde nesse ramo, buscando uma especialização
Tiago Araújo
Rodrigo Cardoso é advogado e tesoureiro da seccional de Ipatinga da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
Rodrigo Cardoso é advogado e tesoureiro da seccional de Ipatinga da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) A inserção no mercado de trabalho pode ser o medo de muitos recém-formados, ainda mais com o crescimento do número de diplomados no país, o que faz aumentar a concorrência por vagas. Na área do Direito não é diferente. São mais de um milhão de advogados que atuam no Brasil. Com isso, aqueles que mais se dedicam possuem maiores chances de conquistar um espaço privilegiado no mercado de trabalho. Em entrevista ao Diário do Aço, o diretor tesoureiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ipatinga, Rodrigo Oliveira Cardoso, avaliou as dificuldades do recém-formado em Direito e explicou como eles podem alcançar o sucesso.
Rodrigo Oliveira explica que o Brasil tem 1.200 faculdades de Direito, enquanto no resto do mundo há cerca de 1.100. Mas mesmo com esses números, ele acredita que o mercado nacional ainda não está completamente saturado, como muitas pessoas imaginam. O Direito é um curso muito amplo. Sem contar o leque das profissões no serviço público. Então, na medida em que cresce a oferta, também crescem as oportunidades. E percebemos também que estão surgindo ramos novos, que estão demandando por profissionais especializados, como na área do Direito Ambiental, por exemplo”, aponta.
Para o diretor da OAB, a disciplina é trabalhada de forma muito superficial na graduação, exigindo que o profissional se aprofunde nesse ramo, buscando uma especialização. A partir daí, pode-se notar que estão sobrando vagas, ou seja, o mercado de trabalho no Direito ainda é quase inexplorado. Desde que a gente tem visto os acidentes com as mineradoras, tem se reforçado a fiscalização nessa área. Dessa forma, o Direito Minerário tem ganho destaque, já que é uma área pouco explorada. Além disso, vivemos em uma região siderúrgica e, se eu não me engano, devem ter dois ou três profissionais que atuam nessa área. Então existem muitos ramos que precisam ser procurados”, afirma.
Rodrigo Cardoso acrescenta que, como os alunos saem da faculdade com quase o mesmo nível de informação, contribuem para intensificar a concorrência, o que prejudica na hora de conseguir um emprego ou um cliente, no âmbito superficial da profissão. E conforme Rodrigo, isso é um problema tanto para o jovem advogado quanto para os mais velhos no ramo. Mas ao mesmo tempo o brasileiro está descobrindo a justiça ou o direito dele, e isso aumenta a demanda. Então acredito que a sociedade é muito complexa para faltar emprego para advogado”, ressalta.
Educação
Segundo o diretor da OAB, o advogado ideal é aquele que possui uma base de educação de qualidade, de modo que tenha capacidade de entender a complexidade das normas e leis que irão trabalhar ao longo da carreira. Temos muitos analfabetos funcionais na área do Direito. Então existem várias pessoas que se formam e vão trabalhar. Mas percebemos que muitos não conseguem entender como funciona o Direito. Mas se a pessoa teve uma boa educação e se dedicou no curso, o resto é ter paciência, porque nenhuma profissão vai gerar estrelas da noite para o dia”, explica.
Direito nas escolas
Outro ponto destacado por Rodrigo Cardoso, e que precisa ser trabalhado pelos profissionais da área, é a introdução do Direito nas escolas, para que desde novas as pessoas possam entender o funcionamento das leis na sociedade. Para isso a OAB de Ipatinga possui o projeto Direito vai à escola”, que tem como objetivo colocar um advogado nas salas de aula para ministrar cursos. Hoje o cidadão é chamado a viver em sociedade, mas ninguém apresenta as regras do jogo para ele. Então é injusto que muitos cidadãos não tenham a menor noção do Direito. Quando as escolas tiverem esse novo tipo de ensino, talvez aí teremos cidadãos que saibam viver em comunidade”, salienta.
Concurso
Por fim, Rodrigo Cardoso observa que muitos estudantes de Direito já entram no curso pensando em fazer concurso, já que o emprego público oferece uma estabilidade. Entretanto, Rodrigo destaca que existe uma ilusão no âmbito do Direito de que todos os alunos vão conseguir um cargo público. São mais de 20 mil vagas ocupadas por juízes no Brasil, e têm mais profissionais formados do que esse número. Então os alunos precisam saber que a maior chance deles é trabalhar na advocacia. Muitos podem até ficar desanimados com isso, mas se o aluno tem vocação no negócio, ele não pode desistir, porque o mercado não vai excluí-lo, vai depender muito mais da sua dedicação e do seu próprio esforço”, pontua.
Repórter: Tiago Araújo
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Pedrin Perito
23 de maio, 2018 | 11:36Diretor numa chapa que não vem cumprindo em nada...
Texto bom, passível de pré disposição eleitoral na OAB.
O que o Jovem Advogado têm? um boleto anual, tão somente !
O que motiva o ser humano? R:visão unilateral do cargo/função( vem a nós)!
Pode perguntar 10 pessoas na rua, duvido que alguma diria que o concurso é para fazer diferença na prestação de serviços à população.Todas serão unanimes em dizer que o alto 'salário' e a estabilidade são os objetivos principais.Uma questão cultural.Não adianta reclamar !
Tirando as críticas quanto a atual gestão da OAB, o SR. parece um bom militante!”