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12 de abril, de 2018 | 09:38

Quando a arte brota das mãos

Coronel Fabriciano tem artesanato registrado como Patrimônio Cultural Imaterial

Quando era criança, Ilza Helena da Silva (Lelena) não imaginava que uma brincadeira de amassar barro branco com as mãos e criar minhocas com os dedos acabaria se tornando, anos depois, uma grande paixão na vida: criar esculturas de argila no mesmo quintal da casa de sua infância, no bairro Giovanini, em Coronel Fabriciano.

O primeiro contato da escultora fabricianense com a argila foi familiar. Sua mãe usava o barro branco coletado nas imediações de onde morava como uma espécie de cera ou tinta, passando-o no fogão à lenha, nas paredes e no piso da casa, uma técnica muito usada antigamente nas casas de pau-a-pique construídas nas zonas rurais.

Divulgação
A escultora Lelena e as belas peças que produzA escultora Lelena e as belas peças que produz
Além das minhoquinhas, Lelena fazia panelinhas, bonequinhas e outros brinquedos. Fez até um fogãozinho à lenha, parecido com o da mãe. Suas ‘obras de arte’ eram admiradas pelas vizinhas, que as achavam bonitinhas e mal-acabadas.

Anos depois ela adotou a técnica usada até hoje: molda as esculturas e depois queima-as em três fornos. A argila é extraída de áreas do bairro Giovanini e a Serra do Cocais.

Antes que a originalidade do trabalho caísse no esquecimento, a técnica da arte em cerâmica “Malacabada” foi reconhecida como um bem imaterial e registrada pelo Conselho Municipal Deliberativo do Patrimônio Cultural de Coronel Fabriciano, em agosto de 2017.

“Fiquei feliz e emocionada. É um trabalho de muitos anos e a arte não é minha, é de toda a cidade”, diz Lelena, que trabalha sempre acompanhada do vira-latas ‘Neymar’. Na sua oficina na rua Jacaraípe, 536, a escultora ministra curso de arte em cerâmica para alunos de 10 a 16 anos.

Ela integra o grupo A Arte das 7 Mulheres, formado por escultoras, ceramistas, uma escritora e uma poetisa. O grupo atua em comunidades e escolas da periferia do Rio de Janeiro, ministrando oficinas para crianças especiais e pessoas da 3ª idade.

O registro é uma forma de perpetuar os saberes da arte em cerâmica fabricianense. Com o reconhecimento da arte de Lelena, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG), seu trabalho poderá gerar o ICMS Cultural.

E este recurso deverá ser investido no aprimoramento da atividade, divulgação e comercialização. O próximo passo será associar Lelena na Associação Mãos de Minas, entidade de apoio ao artesão com sede em Belo Horizonte.

Ainda este ano, o grupo Arte Minas, ainda sem sede, deverá ter o registro de bem imaterial aprovado pelo Conselho Municipal Deliberativo do Patrimônio Cultural de Coronel Fabriciano. O grupo é formado por mulheres que trabalham com tricô, crochê, bordado e papel machê.
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Comentários

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Francisco Soares

19 de abril, 2018 | 10:38

“A felicidade e emoção da nossa grande artista Lelena, é também de todos nós que a conhecemos.
Lelena sempre surpreende agente com as coisas simples e resgata nossas lembranças que marcaram nossas vidas.
Desejo todo sucesso com seu trabalho.”

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