Indústria considera um alívio negociação de sobretaxa do aço pelos EUA

Enquanto governo promete "iniciar conversas" com alguns país produtores, nova tarifação para importação de produtos siderúrgicos entra em vigor sem dó nem piedade nesta sexta-feira (23)

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Apenas México e Canadá ficam livres das tarifas (Acordo do Nafta). Para todos os demais, as sobretaxas de 25% e 10% passam a valer nesta sexta sobre produtos siderúrgicos


A Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) considera “um alívio” a informação de que o governo dos Estados Unidos negociará com o Brasil nova tarifa para importação de aço e alumínio.

A despeito das negociações, porém, as tarifas, de 25% sobre o aço importado e 10% sobre o alumínio, passam a valer nesta sexta (23) e terão impacto imediato sobre a indústria siderúrgica de vários países. Já, as negociações podem se estender até o fim de abril.

“Foi bom. É um alívio e é a confirmação de que o bom senso prevaleceu. Principalmente em um momento de recuperação econômica, é importante para as siderúrgicas brasileiras que não haja interrupções. Temos de aguardar as negociações”, afirmou Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

Zanotto acrescentou que o setor empresarial estava preocupado, pois a mudança traria prejuízo para a siderurgia brasileira, mas também para a dos Estados Unidos. “O aço brasileiro é insumo para a siderurgia norte-americana, a maior parte do que é exportado.”

O diretor da Fiesp disse acreditar que a negociação deve caminhar para uma aplicação de cotas de acordo com o histórico de exportação do país. “É o sistema de cotas baseado numa média aritmética, por exemplo, de desembarques feitos nos últimos dois ou três anos. Isso ainda vai ser negociado”, declarou.

O presidente da Associação Brasil de Alumínio (Abal), Milton Rego, considerou um “alento” a notícia da negociação sobre o aço. “Depois de um início muito tumultuado, vemos isso com otimismo. Entendemos que possa ter um desfecho mais favorável.”

Para Minton Rego, o melhor cenário seria que o Brasil fosse tratado como exceção e que seu aço e alumínio não fossem sobretaxados. “A indústria brasileira não compete com a americana, tanto do ponto de vista de aço – já que o que a gente exporta é um produto que vai entrar na indústria siderúrgica –, quanto no do alumínio, que a gente exporta o produto final. Nossa indústria não causa dano à norte-americana, no sentido de ter algum tipo de relação com a perda de competitividade”, explicou.

“Nossa exportação de alumínio para os Estados Unidos não é tão relevante. Estamos entre a 8ª e a 10ª fonte de produto para o país. Então, não é muito. Por outro lado, os Estados Unidos são o principal destino de exportação de manufaturados de alumínio. Nesse sentido, é muito importante”, disse sobre o impacto das exportações no país.



Prometem negociar, mas tarifa entra em vigor sem dó nem piedade

Nos EUA, o representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, disse nesta quarta-feira (21) que o governo vai “começar a conversar” com o Brasil para negociar uma eventual redução ou isenção das tarifas de importação sobre o aço, anunciadas pelo presidente Donald Trump.

“Outro país com que vamos começar a conversar em breve é o Brasil”, declarou Lighthizer, durante audiência no Congresso. É a primeira vez que o país é mencionado pelo governo americano na lista de possíveis exclusões.

O comunicado ocorre um dia depois de empresários do setor terem se reunido com Temer para tratar do assunto. Na reunião, eles pediram que o governo brasileiro entrasse em contato com os EUA para abrir uma negociação.

As tarifas - que agora podem ser negociadas no caso brasileiro - Passarão de até 0,9% para 25% sobre o aço e de 2% para 10% sobre o alumínio. A justificativa de Trump é a suposta necessidade de preservação da "segurança nacional".

Além do Brasil, foram citados México, Canadá, Argentina, Coreia do Sul, Austrália e União Europeia, como países que já iniciaram as negociações com os EUA. As conversas devem durar até o fim de abril, segundo Lighthizer.

Os EUA são o maior comprador do aço do Brasil, que exportou US$ 2,6 bilhões para o país (cerca de R$ 8,5 milhões) no ano passado. Isso equivale a quase um terço das vendas do produto.

Para o Instituto Aço Brasil, a sobretaxa de 25% tem o potencial de inviabilizar as exportações brasileiras para os EUA, em função do aumento de custo.

Apesar de admitir a possibilidade de “disrupção” do mercado, Lighthizer afirmou que apenas México e Canadá, por enquanto, ficam livres das tarifas – ao menos, enquanto durarem as renegociações do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte). Para todos os demais, as sobretaxas de 25% e 10% passam a valer nesta sexta.

Veja atualização da notícia: EUA suspendem imposição de sobretaxas de aço ao Brasil

Motivos alegados

As tarifas foram decretadas pelos EUA sob o argumento da segurança nacional –que, segundo Lighthizer, é “definido de forma ampla” pelo presidente Trump.

O republicano inclui a segurança econômica e a sobrevivência da indústria americana de aço e alumínio como um de seus fatores, e mencionou em discurso que, “se você não tem aço, você não tem um país”.


Já o Brasil argumenta que o aço exportado para os americanos é complementar à indústria dos EUA, já que é semiacabado e é transformado, na sequência, pelas siderúrgicas locais.

Comitivas do governo e de empresas brasileiras fizeram lobby no Congresso e na administração Trump para tentar reverter a medida. As negociações, agora, são conduzidas diretamente com Lighthizer.

Os brasileiros também lembram que são parceiros dos EUA na área militar, que não têm déficit comercial com o país e que importa carvão estadunidense para suas siderúrgicas, o que torna o comércio entre as duas nações ainda mais sinérgico.
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