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28 de novembro, de 2017 | 16:28

O êxodo das famílias brasileiras

Daniel Toledo

O Banco Central informa que só em 2016, dos quase R$ 20 bilhões gastos por brasileiros em imóveis no exterior, R$ 7,5 bilhões foram destinados a compra de residência nos Estados Unidos. O Comitê de Datação dos ciclos econômicos (Codace), criado em 2008, que tem a finalidade de determinar uma cronologia de referência para os ciclos econômicos brasileiros, apontou recentemente que um dos maiores períodos de retração da economia brasileira começou no segundo trimestre de 2014, e terminou no último semestre de 2016, provocando queda acumulada de 8,6 % no PIB.

Devido a este panorama, muitas pessoas perderam seus postos de trabalho, salários foram cortados e os empresários pisaram no freio quando o assunto é investir. Por isso, muitas pessoas decidiram sair do país em busca de crescimento profissional e estabilidade econômica, aliada a uma vida mais segura, sem tantos sobressaltos financeiros.

Definitivamente, o Brasil está perdendo além de investimentos, profissionais qualificados que se dedicaram anos a profissão e carreira, além de empreendedores, que podem movimentar a econômica com geração de emprego e renda.

E o movimento vem crescendo a cada ano. De acordo com os últimos dados apurados pela Receita Federal, de 2011 até 2017, o número de brasileiros que deixaram seus lares cresceu em 160%. E segundo o banco central, só em 2016, dos quase R$ 20 bilhões gastos por brasileiros em imóveis no exterior R$ 7,5 bilhões foram destinados a compra de residência nos Estados Unidos. Mais de 60% dos investimentos vêm do Brasil, sendo que ano passado este número praticamente dobrou, principalmente os que são destinados a setor de imobiliário.

Na última palestra promovida pela consultoria no início de novembro, sobre o EB-5, modalidade de visto que possui um custo de 500 mil dólares, houveram 600 inscritos. Trata-se de um número inédito até mesmo em relação a outras consultorias. Desde, 32 entraram em contato interessadas pelo processo. Um número bastante expressivo se pensarmos, que juntos, eles representam um investimento de mais de 16 milhões de dólares. Essas pessoas encontram no solo americano mais chance do seu sonho prosperar.

Até 150 mil dólares - O visto L-1 (categoria não-imigrante) permite que uma empresa estrangeira transfira um executivo para seu escritório nos EUA. É importante que o gestor exerça uma função administrativa. Além disso, é preciso demonstrar capacidade de administrar um negócio e também apresentar um faturamento de 150 mil dólares. O visto tem validade de um ano, após a aprovação. Após esse período, é necessário fazer a prestação de contas. Caso tudo seja cumprido, a permissão é renovada por mais dois anos.

O E-2, categoria de visto que contempla brasileiros que também tenham cidadania em países com tratado de comércio ou de navegação com os Estados Unidos, como é o caso da Alemanha, Espanha, França, Itália, podem ser aplicado para quem deseja investir e morar de forma permanente na América do Norte, além de apresentar um investimento de pelo menos 120 mil dólares em um negócio de risco. O cônjuge do investidor recebe automaticamente uma autorização de trabalho sem restrições e as crianças menores de 21 anos estão incluídas.

A incerteza política e a violência são dois fatores que levam muitas pessoas que alcançaram a independência financeira a mudar-se do Brasil, de forma definitiva, para os Estados Unidos, por exemplo. E não deve parar por aqui. A nossa imigração ocorrerá até o fim de 2018. A princípio, vou seguir com prestação de serviço no ramo imobiliário e morar na região de Miami.

* Advogado e sócio fundador da Loyalty Miami
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