25 de outubro, de 2017 | 17:41
Um sonho realizado há 55 anos
Sergio Leite *
Há 55 anos, precisamente às 14h do dia 26 de outubro, o então mais importante representante da República estava em uma pequena cidade do sertão mineiro e, diante de uma multidão de políticos, engenheiros e operários, erguia uma tocha com fogo trazido a pé de Ouro Preto para acender simbolicamente uma estrutura industrial. Era o presidente João Goulart que acendia, na pequena Vila do Horto de Nossa Senhora, hoje Ipatinga, o alto-forno 1 e dava início assim às operações da Usiminas.Era o marco inicial da realização de um sonho de empresários, estudantes e políticos mineiros, que começara muito antes. A escritura pública da constituição da Usiminas foi lavrada em abril de 1956 e, em 1957, o Acordo Lanari-Horikoshi e o importante investimento de recursos dos Governos Federal e de Minas Gerais, representando 60% do capital da empresa quando de sua entrada em operação, em 1962, viabilizaram o empreendimento.
Por ocasião dos 55 anos da Usiminas, comemorados hoje, vamos falar de sonhos. Foram sonhos que uniram diferentes nacionalidades em torno de um projeto que logo se tornaria referência na indústria do aço e são sonhos que voltam a reunir pessoas em busca de um novo tempo para a empresa.
A história da Usiminas é marcada por grandes desafios desde sua origem. Depois de conseguir elevar sucessivamente sua capacidade de produção de aço das 500 mil toneladas iniciais para 1,4 milhão, 2,4 milhões e depois para 3,5 milhões, enfrentou seguidos períodos de recessão econômica interna e externa da célebre crise do petróleo da década de 70 à crise de 82, quando o consumo interno de aço caiu para os níveis de 1973. Já no início da década de 90, figurou no epicentro de um processo que mobilizou o país: o início das privatizações de grandes estatais. A Usiminas foi a primeira empresa a ser desestatizada no Brasil e logo depois dava um dos passos mais importantes para sua consolidação, a aquisição da Cosipa, em Cubatão.
Seguiu-se um período de crescimento da companhia e de lá para cá, a empresa conseguiu se manter na vanguarda do mercado siderúrgico e expandir seus negócios. Mais recentemente, enfrentamos um cenário extremamente desafiador, mas graças à resiliência, talento, dedicação e a um árduo trabalho de todo o time, estamos conseguindo reverter esse quadro e recolocar a Usiminas em uma rota de sustentabilidade.
As dificuldades não arrefeceram os nossos sonhos e conseguimos sair de uma estratégia focada apenas na sobrevivência para uma fase que já nos permite planejar o futuro. Saímos de um resultado negativo para um Ebtida recorde no segundo trimestre deste ano; estamos reativando um alto forno em Ipatinga, que vai permitir um acréscimo de 700 mil toneladas anuais de ferro gusa e comemoramos o retorno das exportações da nossa área de mineração, dentre outros resultados.
Hoje, a Usiminas é uma empresa que une as forças de brasileiros, japoneses e ítalo-argentinos para produzir o aço que é a matéria-prima de outras dezenas de sonhos traduzidos em carros, navios, eletrodomésticos, equipamentos, edifícios, pontes e tantas aplicações.
Há quase seis décadas, o sonho dos pioneiros foi embalado pelo sonho do povo mineiro, que recebeu, apoiou e se orgulhou dessa empresa durante todo esse tempo. Que os mineiros, paulistas e todos aqueles que, de alguma forma, participam dessa família, continuem sonhando. Nós, da nossa parte, estamos nos preparando para juntos continuar transformando-os em realidade.
Para as próximas décadas, continuamos sonhando com resultados ainda melhores, com mais desenvolvimento social e econômico, com uma empresa mais participativa e mais sustentável. É sonho para embalar juntos, no coletivo e no calor de quem comunga crenças e valores.
Uma rápida consulta ao dicionário mostra que essa é uma palavra que pode ter mais de 20 diferentes sinônimos. Mas para nós, tem um só: desejo. Desejo que se traduz na certeza da nossa capacidade de transformar o cotidiano, construindo o presente e o futuro da nossa empresa.
Para finalizar, compartilho uma reflexão do escritor Victor Hugo: Não há nada como um sonho para criar o futuro”.
*Presidente da Usiminas
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