18 de outubro, de 2017 | 18:11
Sind-Ute/MG denuncia descumprimento de decisões judiciais ao presidente do TJMG
Além das últimas manifestações do Sind-Ute/MG nos processos em defesa dos aposentados filiados representados pelo sindicato judicialmente, foram prestados esclarecimentos acerca da situação de Ipatinga
Divulgação
Representantes do Sind-Ute MG em reunião com o presidente do tribunal, Herbert José Almeida Carneiro
Representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-Ute/MG), reuniram-se esta semana com o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador Herbert José Almeida Carneiro. Na pauta, além das últimas manifestações do Sind-Ute/MG nos processos em defesa dos aposentados filiados representados pelo sindicato judicialmente, foram prestados esclarecimentos acerca da situação de Ipatinga. Participaram do encontro Feliciana Saldanha, que integra a direção estadual, e as advogadas Edilene Lobo e Juliana Barros.
Representantes do Sind-Ute MG em reunião com o presidente do tribunal, Herbert José Almeida CarneiroDurante a reunião, o Sind-Ute/MG pontuou o descumprimento reiterado da administração municipal” das ordens judiciais que determinam o pagamento, sejam aquelas do juiz da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ipatinga, Fábio Torres, sejam do próprio TJMG, como a que determinou a continuidade dos pagamentos até que seja julgada em definitivo a Ação Direita de Inconstitucionalidade contra a Lei 1.311/94, responsável pela instituição do benefício da complementação, há mais de 20 anos.
Conforme os representantes do sindicato há, inclusive, o descumprimento de decisão do próprio presidente do TJ que, em um recurso do município, suspendeu o pagamento, em alguns processos, dos valores acumulados em atraso, mas expressamente manteve o pagamento dos salários mensais. O prefeito Sebastião Quintão não cumpre nem uma, nem outra. Ignora, mais uma vez, que seu recurso contra os aposentados não conseguiu suspender todos os benefícios atrasados e não suspendeu nenhuma aposentadoria devida a partir das decisões judiciais que mandaram pagar”, explica a advogada Juliana Barros.
Feliciana Saldanha reiterou que o Sind-Ute/MG, mais uma vez, irá se manifestar nos processos, reforçando os pedidos já feitos anteriormente: foi uma oportunidade de relatarmos toda a mobilização envolvendo a categoria, todos os atos públicos que estão levando até a população de Ipatinga a penúria dos aposentados, em uma situação que agrava a cada dia”.
Paga prefeito”
No sábado (14) o Ipatingão recebeu o protesto dos aposentados. Um outdoor humano” criado pelo Sind-Ute/MG percorreu todos os espaços do estádio de futebol, que sediava a partida entre o Ipatinga e Atlético B. Os aposentados receberam a adesão dos presentes ao protesto, que bateram palmas.
O diálogo com a população faz parte de todas as nossas ações. É preciso lembrar que o prefeito foi eleito com muitas promessas de regularizar o pagamento. Ele deve prestar contas ao seu eleitorado”, avalia o Sind-Ute/MG.
O que é a complementação dos servidores?
A complementação para os inativos do serviço municipal em Ipatinga foi criado no ano de 1994, com a Lei 1.311, alterada pela Lei 3.382/2014, que garantiu a todos os servidores municipais, que se aposentassem, uma complementação aos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Isso porque o INSS paga aposentadorias somente até o teto de R$ 5.531,31 (atualmente).
Com a lei existente em Ipatinga desde 1994, o servidor público que recebia salário mensal de R$ 10 mil, por exemplo, ao se aposentar, passava a receber o valor previdenciário do INSS e tinha direito a uma complementação do valor até atingir o salário que recebia quando na ativa.
Entretanto, o governo do prefeito João Magno de Moura (PT), que implantou o benefício, não criou um fundo para dar suporte a esta operação, a exemplo do que é feito nas empresas privadas. Sem o fundo de reserva, ou seja, sem a contribuição dos servidores, o sistema de complementação entrou em crise quando a receita da Prefeitura de Ipatinga começou a cair de maneira persistente, a partir da crise financeira iniciada em 2008.
Já prevendo o crescimento incontrolável da dívida, em 2016 o governo da prefeita Cecília Ferramenta (PT) recorreu à Justiça alegando a inconstitucionalidade da lei municipal. Liminarmente o Tribunal de Justiça de Minas Gerais acatou o pedido, em 22 de ferreiro desse ano, mas determinou que as complementações já concedidas deveriam ser pagas. O governo municipal recorre desse entendimento e mantém a suspensão dos pagamentos.
Cerca de 2.500 servidores aposentados foram atingidos pela suspensão da complementação entre 2015 e 2016. Deste total, 52% dos inativos recebiam complementação de até mil reais, e os demais possuem complementação acima deste montante.
Para tentar resolver o problema, foi encaminhado à Câmara de Ipatinga o projeto de lei nº 47/2016, que prevê a criação de um instituto de previdência do município, o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), com a devida criação de um fundo de financiamento. O projeto tramitou no Legislativo desde o começo de 2016, sem caminhar para uma conclusão. O atual governo retirou o projeto, que passa por adequações.
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