18 de outubro, de 2017 | 17:07
Sepultado em Governador Valadares o coronel Francisco Pereira Xavier
O militar teve passagem por Ipatinga, em um período conturbado, no começo da década de 1960
Foi sepultado, em Governador Valadares, no fim da semana que passou, o corpo do coronel da reserva da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG)Francisco Pereira Xavier. O militar teve passagem por Ipatinga, em um período conturbado, no começo da década de 1960.
Nascido em Brasilândia (MG), no dia 3 de dezembro de 1929, depois de trabalhar como sapateiro na infância, aos 17 anos, já residindo em Bom Despacho, ingressou na PMMG e foi designado para Divinópolis. Como se adaptou plenamente à carreira militar, Xavier completou o curso primário e deu sequência aos estudos para se tornar sargento.
A transferência para Governador Valadares ocorreu em janeiro de 1958, no posto de delegado auxiliar. Depois de atuar como delegado titular em várias cidades, ele decidiu retornar aos estudos para fazer o curso superior da Polícia Militar.
No dia 7 de outubro de 1963, o então tenente Xavier foi enviado de Governador Valadares em caráter de urgência a Ipatinga, onde o clima estava agitado devido ao acontecimento conhecido como Massacre de Ipatinga. Ele conta que, ao chegar à cidade, o ambiente estava muito tenso por causa das rajadas de metralhadoras disparadas por militares sobre o caminhão da PM contra trabalhadores da Usiminas e empreiteiras que se rebelaram contra o tratamento recebido de vigilantes na usina Intendente Câmara.
O episódio controverso teve reconhecidos, oficialmente, oito mortos (inclusive uma criança no colo de sua mãe, que passava pelo local e foi atingida por uma das balas) e 79 feridos.
Tais números, no entanto, são contestados. O oficial da PMMG, sepultado no sábado, era uma das testemunhas e autoridades conhecedoras dos reais fatos ocorridos no 7 de Outubro. O esclarecimento do caso acabou prejudicado porque em abril do ano seguinte começava a ditadura militar e as investigações do massacre viraram um caso obscuro, nunca mais esclarecido.
Com a situação controlada em Ipatinga, o militar retornou a Governador Valadares, mas em janeiro de 1964 foi transferido para Ipatinga onde, anos mais tarde, chegou ao comando do 14º Batalhão.
Rejeições
Conforme informações dos seus familiares, Xavier sofreu um tombo e fraturou a cabeça do fêmur da perna esquerda. Para corrigir o problema, foi submetido a uma cirurgia para colocar uma prótese. No recuperatório, ao fazer exercícios de fisioterapia, a prótese soltou e foi necessária uma nova intervenção. No entanto, a nova cirurgia também não foi exitosa, e esse procedimento teve de ser repetido mais três vezes, igualmente sem um desfecho satisfatório.
Ao fim de cinco cirurgias, o organismo do coronel Xavier estava bastante fragilizado, acarretando infartos e outras complicações intestinais que o levaram a óbito. O corpo foi velado na capela de cemitério Santo Antônio, onde ocorreu o sepultamento, no sábado (14). (Com dados históricos extraídos do livro Ipatinga Cidade Jardim, de José Augusto de Moraes)
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João Eurípedes Sabino
02 de agosto, 2020 | 03:41Coronel Francisco Pereira Xavier teve brilhante passagem pelo comando do 4BPM sediado em Uberaba. Isso no início da década de setenta.
Extremamente criativo colocou grandes espelhos à entrada do Batalhão para que todo militar se visse por inteiro ao entrar e sair da OM. Dizia ele que o PM deveria ser o espelho de retidão e refletisse a sua boa imagem primeiro a si mesmo.
As gigantescas palmeiras imperiais plantadas por ele à frente do Batalhão estão lá para testemunhar o zelo de cel Xavier. Era um homem sensível, tanto que plantou rosas por todo o quartel para infundir o amor no ambiente.
Até hoje Cel Xavier é lembrado em Uberaba.
Tive o prazer de colaborar como estagiário de Engenharia Civil nas várias obras por ele implantadas.
João Eurípedes Sabino. Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.”