25 de setembro, de 2017 | 17:12

PRAÇA DO INOX: UM SONHO QUE PARA SE TORNAR REALIDADE DEPENDE DA APERAM

Edmilson Firmino de Souza *

Ao longo dos anos sempre questionei a falta do uso do aço inoxidável nos equipamentos públicos no município de Timóteo. Andando pela cidade nada a faz lembrar como a ‘Capital do Inox’. Nem sequer em uma das portas de entrada da cidade, o Terminal Rodoviário, não se faz uso do inox. Os portais mas entradas da cidade construídos na gestão anterior, por meio de uma parceria/compensação, também não utilizou o principal produto exportado pelo município e adotou o aço carbono no material da estrutura metálica.

Enfim, até hoje a ‘Capital de Inox’ se encontra apenas no papel. Sempre achei isso um absurdo. Não faz muito tempo, em um encontro com uma liderança empresarial local acabei fazendo uma explanação sobre o tema. Curiosamente, falei sobre a importância de transformar o Centro Comercial de Acesita numa verdadeira ‘Praça do Inox’, com o emprego de um projeto arquitetônico arrojado. E a sede da cidade, onde a história começou, em um ‘Centro Histórico’.

Por coincidência, o prefeito Geraldo Hilário Torres (PP), motivado por um grupo de empresários, do qual faz parte a liderança com a qual havia conversado antes, aproveitou a 1ª Expo Inox para lançar a ideia do projeto Praça do Inox. O valor total do investimento está orçado em R$ 5 milhões.

A praça pretende ser um marco na arquitetura urbanística e no fomento ao turismo sustentável, além de se tornar símbolo de vocação econômica e do turismo de negócios. Prefiro acreditar que o fato de lançar um projeto que passava também pela minha cabeça seja uma mera coincidência. E ainda que a ideia tenha sido plagiada me sentiria ainda mais lisonjeado, por entender que devemos dar contribuições para o desenvolvimento econômico em qualquer das cidades que compõem o Colar e a Região Metropolitana do Vale do Aço.

Entretanto, o prefeito Geraldo Hilário deveria ir além com o projeto Capital do Inox. Será de grande importância também uma valorização do Distrito Industrial, que se encontra em total estado de abandono.

Por outro lado também é verdade que não existe por parte da siderúrgica local - que produz aço inoxidável e outros aços especiais, nenhum incentivo àqueles empreendedores do Distrito Industrial. A siderúrgica não faz nada para fortalecer o desenvolvimento local e regional.
Ano passado mesmo fui a uma fábrica de porta-retratos em inox adquirir alguns produtos. Conversando com seu proprietário, ele revelou que o valor dos seus produtos poderia sair mais em conta se a matéria-prima fosse fornecida pela Aperam.

É inacreditável, mas o empreendedor disse que o aço inox que utiliza é importado da China, uma vez que a siderúrgica local, além de não oferecer um produto competitivo com o valor de mercado, não dá abertura para negociação.

Devemos torcer para que a ideia da Praça do Inox dê muito certo, mas que fiquemos atentos para que a iniciativa não caia no vazio se não houver um envolvimento direto da siderúrgica plantada na cidade. Aliás, o que tem faltado é envolvimento social e econômico por parte desta siderúrgica ao longo dos anos, ao contrário do que ocorre em outras cidades, como os investimentos da Usiminas, em Ipatinga.

Timóteo continua com um desenvolvimento social e econômico pífio mesmo que aumente a produção e lucros da Aperam. Além de se negar a recolher impostos municipais, a direção local da empresa tem, literalmente, fechado com cercas todos imóveis localizados no município. Não bastassem as cercas e placas também ameaça a retomada de áreas utilizadas por entidades associativistas e desportivas sem fins econômicos. Com essas iniciativas a empresa vem, aos poucos, transformando a cidade numa verdadeira fazenda de porteira fechada, tratando seus habitantes como manada.

Portanto, a discussão de implantação da Praça do Inox requer um debate corajoso com a companhia, exigindo dela responsabilidade social e econômica, senão a brilhante iniciativa que merece ser enaltecida e apoiada pode virar algo excêntrico para não dizer coisa de lunático.

Com o envolvimento da Aperam, quem sabe, o sonho se torna em realidade?

* Pesquisador, autor do Atlas Pensar Vale do Aço
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Comentários

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Edmilson Firmno

26 de setembro, 2017 | 18:44

“Senhor Aloísio Antonio,

Grato pelas considerações.

Parabéns também pela iniciativa do Governo.


Grato sempre”

Aloisio Antonio de Sousa

26 de setembro, 2017 | 08:31

“Caríssimo Sr. Firmino este projeto da Praça de Inox já era um das metas do governo do Dr. Geraldo Hilário na administração de 2008.

Hoje está revitalizado no quesito arquitetônico, bem como em busca do desenvolvimento sócio econômico não só do município de Timóteo, mas também regional.

O título Timóteo Capital do Inox deve ser o pensamento globalizado, pois a intenção é fomentar o nosso distrito industrial para atrais empresas nacionais e internacionais.
EXPOINOX, agora vamos começar as rodadas de negócios, sendo que há empresas interessadas em estabelecer no município, bem como compra de espaço na Praça do Inox.

Outra coisa, já existe empresas querendo reservando estandes para a próxima edição da EXPOINOX, pois a mesma foi um sucesso.

Em tempo: em relação ao distrito industrial medidas já estão sendo tomadas, e empresas que não estão usando o espaço conforme o previsto em lei, e terão seus direitos suspenso, inclusive com a retomada dos espaços.

Queremos agradecer a todos que direto ou indiretamente colaborou para que a EXPOINOX tenha alcançado seus objetivos iniciais, além do sucesso que foi.

Timóteo Capital do Inox: Das nossas mãos, para o mundo.

Primeiro as Pessoas.

Atenciosamente,

Aloisio Antonio”

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