19 de setembro, de 2017 | 17:03

Comissão para revisar aposentadorias recebe parecer favorável na Câmara de Ipatinga

Segundo a prefeitura, foram apontadas irregularidades em cerca de 1.100 aposentadorias concedidas nos anos anteriores

Divulgação
Sindicalistas não querem integrar comissão que vai revisar aposentadorias Sindicalistas não querem integrar comissão que vai revisar aposentadorias


Em reunião conjunta, comissões permanentes da Câmara Municipal de Ipatinga emitiram parecer favorável ao projeto de lei (nº100/17), que cria comissão especial para uma revisão nas aposentadorias concedidas aos servidores municipais. Segundo a prefeitura, foram apontadas irregularidades em cerca de 1.100 aposentadorias concedidas nos anos anteriores.

A prefeitura pretende preencher essa comissão especial com a participação de servidores do Executivo e Legislativo, além de representantes dos sindicatos SintSerpi e SindUte. Representantes dos sindicatos, no entanto, se negam a fazer parte dessa composição, sob o argumento de que a administração municipal está delegando as responsabilidades à categoria.

“Estamos vivendo em uma ditadura, nos obrigando a participar e a compactuar com as maldades contra servidores. O servidor não é o culpado”, afirma Jotson Sander, presidente do Sind-UTE/MG, subsede Ipatinga, ao sair da reunião na Câmara de Ipatinga, na terça-feira (18).

“Não precisamos de projeto de lei para nos obrigar a participação. O sindicato é autônomo. Estão dizendo que tinha servidores que tiveram aposentadorias irregulares, mas foi a administração municipal quem cometeu irregularidades.”, completou Marcione Menezes Andrade, presidente do SintSerpi.

Os sindicalistas solicitaram a rejeição da proposta. A vereadora Lene Teixeira saiu em defesa da categoria. Ela defendeu a derrubada do projeto de lei, acrescentando que pretende apresentar uma emenda retirando a participação dos sindicatos. “Quem não quer assumir as responsabilidades, não basta jogar nas costas do outro”, disse Lene. “Os aposentados não deram causa ao problema. É desnecessária essa comissão”, acrescentou a vereadora Cassinha.

O presidente da Câmara também se manifestou sobre o tema. Nardyello Rocha reiterou o apoio do Parlamento aos aposentados, e admitiu que tem restrições ao projeto de lei.

A composição dessa comissão especial também foi questionada. Segundo proposta da Prefeitura, seriam nove integrantes no total, a saber: cinco do Executivo, dois do Legislativo e dois dos sindicatos. Vereadores e sindicatos querem uma mudança nessa formação, retirando da Prefeitura a maioria da representação.

RPPS

A instituição do Regime Próprio dos Servidores Municipais (RPPS) voltou a ser cobrado. Vereadores e sindicatos cobraram o envio do projeto de lei à Câmara. O projeto que instituiu o RPPS, apresentado ano passado à Câmara, foi retirado para adequações. A prefeitura adianta que continua estudando a proposta, para o posterior reenvio à Câmara.

Enquanto o projeto não sai do papel, servidores cobram da prefeitura o pagamento da complementação das aposentadorias concedidas antes da decisão liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em 22 de fevereiro.

Nessa data, a Justiça acatou liminarmente um pedido ingressado ainda no governo anterior, pela inconstitucionalidade da complementação. O benefício, conforme cálculos da prefeitura divulgados em 2016, custa cerca de R$ 5 milhões mensais, pagos a 2.500 servidores inativos com base em uma lei aprovada em 1994.

Instituído sem a criação de um fundo previdenciário, a administração municipal alega que não conseguiu arcar com o crescimento vegetativo dos valores pagos e arguiu a legalidade do benefício. A maioria dos desembargadores do TJMG entendeu que a concessão do benefício poderá ser uma realidade, desde que o município implemente mecanismos para subsidiá-lo, o que não foi feito em 1994.
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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

19 de setembro, 2017 | 20:38

“1.100 concedidas com irregularidades em um universo de quantas? E os sindicatos e alguns vereadores, da esquerda e da direita, são contra a investigação? Por quê?”

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